Ah o Sonho Americano! Aquela vontade de poder matar pretos, latinos, indígenas e todos os “inferiores” sem ser punido. Uma Noite de Crime: A Fronteira pode ser chamado de Uma Noite de crime: Vamos Fazer a América Grande Novamente!“.
Uma Noite de Crime: A Fronteira é o filme da franquia que mais aborda a política. Para aqueles que achavam que era era somente a violência pela violência, isso pode ser decepcionante. Agora a história vai além da questão de ricos x pobres explorada nos filmes anteriores e levanta uma questão que muitos já devem ter se feito: o que aconteceria se os cidadãos de bem resolvem que 12 horas de crimes e assassinatos não fossem suficientes?

A ideia que tudo voltaria ao normal após o “Expurgo anual” sempre me pareceu mais forçada do que o expurgo em si. Não era possível acreditar que uma nação armamentista, preconceituosa e nacionalista respeitaria o horário definido para promover assassinatos. Junte a isso, o sonho de pessoas de encontrarem salvação ao se mudar para os EUA e temos o elemento que segura todo o filme.
Ao invés de tentar criar algo totalmente novo ou insistir no que já era feito já anos, admitir o maior “erro” do roteiro é o que dá força a história. A fotografia, trilha e efeitos sonoros colaboram muito para a imersão. A variação das câmeras para captar a violência urbana em um estilo “faroeste moderno” (afinal, boa parte da história se passa no Texas) e os sons de diferentes tipos de armas expressam muito bem toda a essência selvagem.
A temática da xenofobia podia ter sido mais explorada? Com certeza, poderia. A premissa não foi aproveitada ao máximo mesmo que enredo mostre desde o primeiro minuto que o filme terá uma mensagem política criticando a xenofobia. Mas isso soa como algo vago durante toda a produção.
Mesmo assim, deve doer na alma de um americano ser salvo pelo México e Canadá. Só isso, isso já vale o filme. A polarização política é tratada como algo importante, mas no fim serve somente como um trampolim para as cenas de violência e caos.
Uma Noite de Crime: A Fronteira dá um novo fôlego pra uma franquia que já estava cansada, trazendo uma reflexão sobre o “sonho americano”. A fórmula original definitivamente está desgastada, além do mundo estar caminhando para uma loucura que se “aproxima” do que a franquia incitou em 2013.
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