Velozes e Furiosos 9: a franquia precisa colocar um pé no freio

Velozes e Furiosos 9 foi um dos filmes afetados pela pandemia da COVID-19. Sua estreia estava marcada para o verão de 2020 e até o trailer havia sido lançado, mas acabou sendo adiado para 2021.

Com a volta dos cinemas, a maior parte do mundo com a vacinação em massa e o sucesso de filmes como Godzilla vs Kong e Invocação do Mal 3, a Universal não perdeu tempo e já engatou a estreia deste blockbuster.

A franquia está no auge: Velozes e Furiosos 7 e 8 bateram a marca dos bilhões nas bilheterias e até a crítica adorou esses filmes. Mesmo com todo o fator de entretenimento e “desligar o cérebro”, parecia que a franquia tinha tomado seu rumo e respeito. Mas o que dizer deste novo filme?

Ele começa com uma cena muito interessante de um flashback de 1989, relacionado à família de Dominic Toretto. Depois somos transportados para o presente, onde Dom e Letty (Michelle Rodriguez) estão isolados junto com o pequeno Brian, mas uma ameaça global faz com que eles voltem à ativa.

Quem dirige desta vez é o Justin Lin, um velho conhecido da franquia, que também é um dos roteiristas. Mas um dos principais nomes do roteiro da saga, Chris Morgan, não volta para este filme.

Velozes e Furiosos nunca foi uma franquia que se levou a sério. Mas nos últimos filmes atingiu um bom grau de maturidade e mesmo com as cenas absurdas e megalomaníacas, o público se envolvia com a trama. Sobretudo com a abordagem da família.

Este filme explora também esse aspecto, mas isso não é uma coisa positiva, já que a obra apresenta parentes de personagens (sobretudo, irmãos) de forma gratuita. A impressão que ficou foi uma desculpa para encaixar em um roteiro vazio, como Jakob (John Cena), irmão do Toretto e Elle (Anna Sawai), irmã do Han.

Mas a decepção com Velozes e Furiosos 9 se dá, principalmente, por 3 problemas evidentes que a obra possui:

  • desperdício de bons atores
  • CGI
  • montagem

Desperdício dos Atores

A franquia tem alguns ótimos atores, premiados, mas aqui aparecem em momentos rápidos e apenas quando convém ao roteiro. Como Kurt Russell que faz o Sr. Ninguém, Helen Mirren, que está em uma participação especial em Londres e Charlize Theron, grande vilã Cipher do filme anterior e aqui é relegada ao segundo plano, sombra de Jakob.

CGI

O CGI do filme, tão elogiado nos últimos volumes da franquia, se apresenta com uma qualidade duvidosa. Um Chroma Key evidente e que provavelmente vai ficar datado logo.

Montagem

Já a montagem é um paradoxo de momentos de cortes tão rápidos que o espectador mal consegue ver o que se passa na tela (alguém se lembrou de Transformers?). E de uma edição que estica demais sua história: são quase duas horas e meia para uma trama que cabia tudo em 100 minutos.

Mas, apesar de tudo, Velozes e Furiosos 9 não merece ser descartado, ainda há espaço para grandes cenas de ação como a das minas terrestres logo no início, o prólogo com o flashback de 1989, personagens como Tej (Ludacris), Roman (Tyrese Gibson) e a hacker Ramsey (Nathalie Emmanuel) funcionam como alívio cômico. Aliás, esta última protagoniza uma cena hilária no trânsito de Londres.

O desfecho do filme também tem o seu valor, prepara o espectador para o 10º filme e a já comentada cena do espaço deve entrar para as mais comentadas da franquia.

Velozes e Furiosos 9 não é um filme ruim, mas a decepção é evidente. Fica a lição para outras franquias, de que não precisa ser megalomaníaco para ser bom. Muitas vezes, o menos é mais e menos orçamento pode significar mais criatividade.

O cinema independente nos ensina isso há muito tempo.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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