Minha crítica de Uma Família à Prova de Balas começa com uma pergunta inevitável: por que esse filme existe? Essa é a típica comédia familiar com pitadas de ação que tenta unir dois gêneros, mas falha em entregar o mínimo que se espera de qualquer um deles.
A premissa é promissora no papel: após uma missão dar errado, um capanga da máfia tem uma única noite para proteger a família e escapar da cidade, tudo enquanto esconde sua vida criminosa. Parece divertido? Talvez. Mas o resultado é um roteiro preguiçoso, um protagonista sem carisma e cenas de ação dignas de uma paródia mal editada.
Kevin James no modo zumbi & Cristina Ricci leva a produção nas costas
Kevin James, que já funcionou em comédias bobas no passado, aqui opera no modo robô sonolento. Ele não convence como homem de ação nem como pai protetor. A cada cena, a sensação é que ele preferia estar em casa jantando. Sem carisma, sem presença e com atuação mecânica, seu desempenho é um dos grandes tropeços do filme.
As cenas de ação, que poderiam salvar o enredo, são um show de erros: mal coreografadas, sem ritmo e absolutamente sem impacto. Parece que os produtores acreditaram que bastava incluir uns tiroteios desconexos para garantir adrenalina. Spoiler: não funciona.
A única razão para continuar assistindo atende pelo nome de Cristina Ricci. Mesmo com um roteiro risível, ela entrega uma performance digna, com presença e intensidade. É difícil não pensar: por que não fizeram o filme todo sobre ela? Sem sua participação, o longa seria um desastre completo.
O restante do elenco parece estar apenas cumprindo tabela. Luis Guzmán, um talento subestimado em papéis secundários, está totalmente desperdiçado aqui. Sua tentativa de ser um mentor engraçado fracassa por falta de timing, falas boas e direção inspirada.
Família à Prova de Balas tem um roteiro amontoado de nada com universo sem lógica
O roteiro é um mosaico desconexo de clichês. Uma pitada de John Wick, um toque de Esqueceram de Mim, elementos de qualquer comédia genérica da Netflix — tudo jogado no liquidificador sem o menor cuidado com coesão ou originalidade. Não há desenvolvimento de personagens, emoção ou qualquer razão para torcer por quem quer que seja.
O tal “universo” de assassinos com códigos e regras à la John Wick é tão mal explicado e superficial que parece uma paródia involuntária. O espectador não se importa, porque o filme não oferece nada que valha a pena descobrir.
E a comédia? Um desastre à parte. Piadas previsíveis, humor forçado, nenhuma situação realmente engraçada. Até o velho clichê de “humor sessão da tarde” seria mais eficaz.
A direção parece feita por inércia: sem estilo, sem personalidade, sem nenhuma cena memorável. É aquele tipo de filme que você esquece cinco minutos depois de terminar.
E como se não bastasse, o final ainda tenta deixar um gancho para uma possível sequência. Depois de duas horas de tédio, sugerir uma continuação é quase uma ofensa.
Uma Família à Prova de Balas é um fracasso retumbante. Genérico, entediante, mal executado e absolutamente esquecível. Se você valoriza o seu tempo, fuja.
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