Não tem jeito: entra ano, sai ano e as comédias televisivas são o que dominam as bilheterias nacionais, o que em si não há nada de errado, pois se há um gênero que leva as pessoas ao cinema e que movimentam a indústria é algo para, no mínimo, respeitar.
Mas ao ver estes filmes, com algumas exceções, deixam a sensação de deja vu, ou seja, já vi isso antes, seja na TV ou no próprio cinema, pois há muitas ideias recicladas aqui.
É o caso de Tudo Acaba em Festa: o filme se propõe em ser original, afinal há poucos filmes sobre festas de fim de ano da firma, mas os clichês estão todos lá.
Se o elenco ainda tanta segurar as pontas e trazer alguma graça onde não há, o mesmo não se pode dizer de seu roteiro frágil e com clichês que beiram ao absurdo – e chegam a irritar o espectador.
O filme conta a história de Vlad (Marcos Veras), um atrapalhado funcionário do RH de uma grande empresa em crise, que dá a ideia para seu chefe (Nelson Freitas) para fazer uma festa de final de ano, e, assim, unir os setores que são praticamente rivais da empresa, como o próprio RH, financeiro, TI e por aí vai.
Ao seu lado, estão a certinha Aline (Rosanne Mulholland) e a estagiária atrapalhada Priscila (Giovanna Lancelotti) para dar vida a esta festa e, assim, unir a empresa.
Marcos Veras e Giovanna Lancelotti ainda conseguem dar uma vivacidade ao filme, seja pelo carisma dos dois ou porque eles abraçam e se divertem em seus personagens.
Aliás, quase dá para torcer por ele como um funcionário atrapalhado e tentando unir a firma.
Giovanna também se diverte com seu sotaque carregado (que é o seu sotaque natural) e a atriz até se esforça para trazer uma Priscila onde muitos podem se identificar, afinal, quem nunca foi iniciante em uma grande empresa?
Mas o mesmo não pode se dizer da personagem de Rosanne Mulholland, que aqui é o objeto de desejo do protagonista e sua personagem é quase descartável.
Agora o pior mesmo são os clichês exagerados: Nelson Freitas é o típico chefe tirânico, os funcionários do telemarketing só falam no gerúndio, os do TI são nerds que se vestem mal e, para piorar há um grupo de ativistas para proteger os pinguins contra os produtos da empresa.
Até houve uma boa intenção do diretor André Pellenz (de Minha Mãe é uma Peça) em fazer um filme onde as pessoas possam se identificar e divertir, mas com o resultado cheio de clichês, situações previsíveis, roteiro raso e a maioria dos personagens descartáveis, “Tudo Acaba em Festa” provavelmente será um filme esquecido logo.
Mas para quem está à procura de uma comédia descompromissada, que não exige muito do espectador e que se possa dar uma risada, o filme pode sim ser atrativo e não há de duvidar de ele virar um sucesso comercial.
