The Umbrella Academy evolui em tudo na sua 2ª temporada

Durante a CCXP de 2018, mais precisamente do domingo, último dia do evento e dentro do Auditório Cinemark, que é o local onde vão os convidados mais esperados, os organizadores anunciaram, de surpresa, que teria um painel sobre a nova série da Netflix que estrearia em 2019: The Umbrella Academy.

A intenção até que foi boa, pois não falaram que nomes de peso como da Ellen Page estariam lá, mas foi um tiro pela culatra: era perto do final do último dia, o painel foi depois da Sony e o auditório ficou vazio enquanto todos lá em cima do palco vendiam seu peixe.

O que isso reflete e por que contar essa história é relevante? Isso mostra que, embora o mercado das adaptações de HQs esteja muito em alta, sobretudo pelos filmes de super heróis que dominam as bilheterias, muita coisa ainda precisa ser explorada e descoberta.

E tem mais: com a consolidação dos quadrinhos na cultura pop, a indústria percebeu que não precisa ficar apenas nos heróis tradicionais e pode explorar outros universos, como as adaptações voltadas para o público adulto.

Se filmes como Coringa e Logan foram um sucesso de público e crítica, as séries de TV também podem e devem fazer grandes temporadas em séries ditas “fora da curva”.

A Amazon Prime segue arrebentando com a excelente The Boys e a Netflix também não faz feio com sua The Umbrella Academy, embora seja menos celebrada e mais “normal”.

A série estreou em 2019, foi um sucesso de público e crítica, sobretudo com sua história diferente, baseada na HQ de Gerard Way (o mesmo do My Chemical Romance) e conta a história de várias crianças que nasceram no mesmo dia do ano de 1989 de diversas mulheres ao redor do mundo mesmo que elas não estivessem gestantes. Dessas, 7 foram criadas por um milionário excêntrico, onde cada uma tem o seu poder, como o da viagem no tempo, super força ou manipular a mente humana.

A primeira temporada foi mais introdutória, apresentou seus personagens para o grande público e trabalhou com um orçamento mais limitado.

E agora a segunda temporada evolui tudo o que já era bom no ano anterior.

Com o sucesso, a Netflix injetou mais dinheiro na produção e nota-se pela qualidade das cenas de ação e na maior quantidade de locações, sem contar que como estamos falando de viagem no tempo, houve mais capricho na reconstrução de época e na direção de arte, que estão com um bom resultado mesmo com as limitações da TV.

Após o apocalipse gerado pela Vanya (Ellen Page) no final da temporada anterior, os irmãos Hargreeves voltam para os anos 1960 com a ajuda do Número 5 (que de fato tem o poder de viajar pelo tempo) para impedir esse apocalipse, mas cada um acaba em um ano diferente, como o próprio ano de 1960, 61, 62, 63 e por aí vai.

Os irmãos precisam se encontrar, falar com seu pai do passado e evitar que o apocalipse aconteça.

Não bastasse tudo isso, Vanya não se lembra de nada do que aconteceu e precisa lidar com seus dramas pessoais, além da desconfiança dos seus irmãos.

Outro grande acerto aqui é que essa temporada vai além das cenas de ação e personagens carismáticos: dá para assistir The Umbrella Academy como uma pequena aula de história e entender a sociedade americana do início dos anos 1960, auge da Guerra Fria, o presidente John F. Kennedy no poder e auge do seu carisma (e o plano para assassiná-lo) e com a segregação racial em alta.

Neste último aspecto, destaca-se a personagem Alisson, que tem o poder de fazer qualquer um mudar de ideia – e ver os racistas mudando de ideia é algo delicioso na série.

A temporada termina de forma fechada, mas com um pequeno gancho para uma possível 3ª temporada. E com o sucesso dessa, pode inspirar com que outras HQs ganhem um novo público, novas adaptações e quem sai ganhando é sempre o público.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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