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	<title>Arquivos Big Bang Theory - Universo 42</title>
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	<description>Salvando sua vida do tédio moderno</description>
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		<title>Eu, Nerd.</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 21:17:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Senhoras e senhores, é um prazer estrear este bloco amontoado de grafismos e signos visuais que costumam chamar de texto. E para a estreia, gostaria de discutir um tema que há muito tempo me dá certas coceiras, como quando a caspa ataca e você nem sabe direito o porquê. Afinal, o que raios é ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Senhoras e senhores, é um prazer estrear este bloco amontoado de grafismos e signos visuais que costumam chamar de texto. E para a estreia, gostaria de discutir um tema que há muito tempo me dá certas coceiras, como quando a caspa ataca e você nem sabe direito o porquê.</p>
<p>Afinal, <strong>o que raios é ser nerd</strong>? O nerd, enquanto substantivo, passou por uma longa jornada de aceitação adjetiva, saindo do campo da ofensa objetiva para o adjetivo subjetivo. Um pouco dessa jornada todos conhecemos, ainda mais para quem, creio eu, é o público desse site. De indivíduo sócio-fóbico e estudioso, cheio de espinhas e com tremendo medo do sexo oposto ao hipster judeu criador de algoritmos e empresas de sucesso. Que mudança não? A aceitação do nerd está intimamente ligada a ascensão e onipresença da tecnologia e entretenimento nas nossas vidas, principalmente quando dois seres deste grupo fundaram o que hoje é uma das empresas mais valiosas da galáxia – o <strong>Google</strong>. De nomes como <strong><em>J.J Abrams, Steven Spielbierg, Mark Zuckerberg, James Cameron</em></strong> a instituições poderosas como a <strong>Marvel e Disney</strong> e à entrada dos quadrinhos no cinema blockbuster. É difícil encontrar o ponto de mutação, quando entramos no lado negro, quando Deckard dá o sinal claro que é um androide. E claro, temos hoje a ramificação, o geek, já muito discutido e que não é o tema de hoje.</p>
<p>A própria origem da palavra é incerta e duvidosa, quase como um feitiço do Harry Potter. A lenda mais provável é que o nome surgiu em um livro do Dr. Seuss (o mano do Grinch) e daí se espalhou para os Estados Unidos e em algum momento passou a definir o indivíduo descrito acima.</p>
<p>Voltemos às origens (brasileiras pelo menos). Nerd era, lá nos anos oitenta, creio eu, acima de tudo uma pessoa estudiosa, inteligente e com hobbies e interesses que vistos do mainstream eram bizarros e infantis. Sim, claro, nessa estão quadrinhos, games, matemática, história oculta, ufologia, programação e computação. Parte da lenda, que virou mito, que virou história, também tinha a ver com as parcas habilidades sociais, feiura digna de um Morlock e uma possível virgindade eterna.</p>
<p>O nerd de hoje não é assim. Que bom não? Não sei.</p>
<p>Parte do que acredito ser mais admirável era sua capacidade de aprendizagem, de encontrar no conhecimento refúgio às intempéries da vida, de se realizar na ciência e na robótica podendo construir a mulher perfeita, ou de se afundar na fantasia e ficção científica para dar algum sentido à realidade. O nerd atual, enquanto rótulo, permite tudo. Gosta de pokemon? Nerd. Já leu alguns quadrinhos da <strong>Marvel</strong>? Nerd. Ah, <strong>Star Wars</strong>? Nerd. Em algumas profissões e círculos sociais, é um elogio, quase referência a uma classe elitista de pessoas inteligentes e diferenciadas. Em outras, provavelmente ainda não. Mas há um distanciamento da inteligência e do estudo. Descolou-se do antigo &#8220;<strong><em>cdf&#8221;</em></strong>. Já vi muita gente que foi/vai bem mal na escola e faculdade, com orgulho, mas enche o peito pra falar que é nerd porque assiste Big Bang Theory e entende 40% das piadas do Sheldon. Novos tempos. Nem piores nem melhores. Entendam que eu, em parte, pertenci a esse grupo. E também muitos dos &#8220;deuses&#8221; da tecnologia largaram a faculdade pra montar suas empresas, então não dá para ficar restrito ao gênero do aluno aplicado.</p>
<p>Por favor não entendam isso como um choro hipster de quem virou mainstream. Pelo contrário. É natural que tanto a palavra quanto o grupo que representa seja dinâmica, faz parte dos fluxos sociais e linguísticos, nunca é imutável. E sempre dá aquele arrepio ver a participação do <strong>Stephen Hawking</strong> no <strong><em>Big Bang Theor</em></strong>y, os Vingadores serem a segunda maior bilheteria de todos os tempos e o Mario considerado patrimônio cultural da humanidade.</p>
<p>Então, afinal, que porra é ser um nerd hoje?</p>
<p>Discuti muito com amigos. Qual é o denominador comum? Ainda existe aquele senso de que é alguém que se aprofunda muito em determinado interesse, seja ele qual for. Existe o nerd musical. O nerd acadêmico. O nerd clássico dos quadrinhos. Mas existe o nerd de academia? A nerd de sapatos? No fim, chegamos a uma hipótese que vejo no comportamento da maioria das pessoas que se consideram nerds ou são rotuladas como tal.</p>
<p>O Nerd é insatisfeito, em algum nível, com a realidade. Não se sente completamente parte dela. É diferente da insatisfação reformadora de quem se considera parte dela. Muitos políticos e atores sociais tem a mesma insatisfação, mas partem pra militância e pra sua sua reforma. Ainda acreditam nela. Mas na minha leitura, o nerd não, e isso não necessariamente lhe tira a fome reformadora. A causa pode ser um trauma, uma ideologia, o que for, mas no fundo, ele não consegue sustentar parte da realidade. Ela lhe parece um deserto. Então ele recorre à fantasia, ficção científica, ficção e programação para criar e viver um sistema alternativo que seja mais inteligível e interessante. Que faça sentido e lhe provê aquilo que a realidade não pode. Não é apenas magia e aventura. É controle, poder e sentido. Ser um agente do mundo. Ser inteiramente parte dele.</p>
<p>Por isso não acho nem um pouco perturbador pensar que existem pessoas que se sintam mais confortáveis em World of Warcraft ou League of Legends. E isso é bom ou ruim? Não faço a menor ideia. Mas a realidade deve tanto àqueles que se sentem parte dela quanto àqueles que não.</p>
<p>E isto não é uma tentativa de erguer um muro social. Separar os &#8220;tru nerds&#8221; dos &#8220;noobs do omelete&#8221;. O mundo já tem muros demais, e sempre dói ver um grupo já oprimido no passado tentando criar outro. É apenas uma curiosidade. A busca pelo denominador comum, se é que ele existe. E se não existir, também não é problema. Mas se você gosta mesmo de criar muros, quem sabe Minecraft não seja a solução.</p>
<p>E pra você, o que é ser nerd?</p>
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