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	<title>Arquivos Ayo Eidibri - Universo 42</title>
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	<description>Salvando sua vida do tédio moderno</description>
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		<title>Depois da Caçada: Luca Guadagnino entrega desconforto puro em drama psicológico &#124; CRÍTICA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marina Bueno]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Oct 2025 05:39:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois da Caçada, novo filme de Luca Guadagnino com roteiro de Nora Garrett, chega aos cinemas com uma proposta clara e perturbadora: causar desconforto. E cumpre essa missão com precisão cirúrgica. É um drama psicológico que não oferece alívio, mergulhando em dilemas morais espinhosos com uma crueza que incomoda e hipnotiza ao mesmo tempo. A [&#8230;]</p>
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<p><strong>Depois da Caçada</strong>, novo filme de <strong>Luca Guadagnino</strong> com roteiro de <strong>Nora Garrett</strong>, chega aos cinemas com uma proposta clara e perturbadora: causar desconforto. E cumpre essa missão com precisão cirúrgica. É um drama psicológico que não oferece alívio, mergulhando em dilemas morais espinhosos com uma crueza que incomoda e hipnotiza ao mesmo tempo.</p>



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<iframe title="Depois Da Caçada | Trailer Oficial | Sony Pictures" width="838" height="471" src="https://www.youtube.com/embed/OxYj0bHCTpo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p>A trama gira em torno de uma <strong>professora universitária</strong>, interpretada por <strong>Julia Roberts</strong>, que se vê encurralada quando um aluno promissor faz uma grave acusação contra um colega de departamento. O caso ameaça trazer à tona um <strong>segredo obscuro de seu passado</strong>, colocando sua carreira, reputação e sanidade em xeque. O roteiro trabalha com camadas de ambiguidade moral, sem oferecer respostas fáceis.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um desconforto milimetricamente calculado</h2>



<p>Guadagnino não busca agradar. Ele <strong>usa o desconforto como linguagem</strong>, construindo cenas que fazem o espectador se contorcer na poltrona. Os ruídos altos, os silêncios incômodos e uma <strong>trilha sonora estridente</strong> criam uma atmosfera claustrofóbica e irritante, quase como uma provocação sensorial. É um filme que te obriga a sentir, mesmo quando você não quer.</p>



<p>O som se torna protagonista. Há momentos em que o silêncio parece gritar mais alto do que qualquer diálogo. E isso não é por acaso. A montagem é precisa em intensificar a tensão, minuto a minuto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Julia Roberts desconstrói o heroísmo</h2>



<p>Julia Roberts é o coração pulsante de <strong>Depois da Caçada</strong>. Interpretando uma professora de filosofia, ela entrega uma atuação contida, mas cheia de camadas. Suas interações com <strong>Andrew Garfield</strong> e <strong>Ayo Edebiri</strong> são o ponto alto do filme, mostrando uma personagem que se desmonta aos poucos, revelando fragilidade e culpa.</p>



<p>No centro do furacão está <strong>Julia Roberts</strong>, em uma das performances mais complexas de sua carreira. Como professora de filosofia, ela entrega uma atuação <strong>contida, mas devastadora</strong>, revelando aos poucos uma personagem consumida por culpa, orgulho e contradições morais. Suas cenas com <strong>Andrew Garfield</strong> e <strong>Ayo Edebiri</strong> são intensas, marcadas por olhares silenciosos e tensão mal resolvida.</p>



<p>Garfield assume um papel propositalmente caricato. Seus gestos e falas carregam ambiguidade, deixando o público em constante dúvida sobre suas verdadeiras intenções. Ele é o desconforto encarnado.</p>



<p>Já <strong>Ayo Edebiri</strong>, apesar de competente, tem pouco espaço para aprofundar sua personagem. Faltam-lhe nuances e conflitos internos que o roteiro apenas sugere, mas não desenvolve.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Entre o real e o simbólico</h2>



<p><strong>Depois da Caçada</strong> oscila entre o realismo cru e o exagero simbólico. Personagens como o de <strong>Michael Stuhlbarg</strong> ampliam esse contraste, transitando entre o drama pesado e o absurdo. Em alguns momentos, o longa parece perder o foco especialmente no terceiro ato, que se arrasta e dá várias falsas conclusões.</p>



<p>Ainda assim, é impossível negar a força autoral de Guadagnino, que entrega talvez sua obra mais experimental e controversa até agora.</p>



<p><em>Depois da Caçada</em> caminha numa linha tênue entre <strong>realismo psicológico</strong> e <strong>exagero simbólico</strong>. A presença de <strong>Michael Stuhlbarg</strong> evidencia esse contraste. Seu personagem flerta com o grotesco e o absurdo, criando um tom que em certos momentos enriquece o filme, mas em outros dilui a força dramática.</p>



<p>O <strong>terceiro ato</strong> é o ponto mais controverso. Repleto de <strong>falsas conclusões e ritmo arrastado</strong>, parece indeciso sobre onde terminar. Ainda assim, é um desfecho coerente com a proposta do filme: não oferecer conforto, nem fechamento fácil.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Depois da Caçada provoca, mesmo sem querer ser amado</h2>



<p><em>Depois da Caçada</em> não é para todos. É um filme difícil, tenso e <strong>deliberadamente desagradável</strong>. Guadagnino não quer que você goste do que vê. Ele quer que você pense sobre isso quando as luzes se apagam.</p>



<p>Mais do que um drama, é um <strong>ensaio sobre moralidade, poder e memória</strong>. E talvez, por isso mesmo, seja um dos trabalhos mais autorais e ousados do diretor até agora.</p>



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