Entre os indicados ao Oscar deste ano, Sonhos de Trem se destaca pelo seu visual e fotografia, mas apresenta uma reflexão sobre o homem que, infelizmente, não consegue ser totalmente profunda. Dirigido por Clint Bentley e roteirizado por Greg Krewdar, o filme acompanha a vida de um lenhador nos Estados Unidos do início do século XX. Além disso, ele explora temas como amor, perda e o impacto do progresso em uma sociedade em transformação.
O protagonista, interpretado por Joel Edgerton, é um lenhador que trabalha abrindo caminho para o progresso americano, mas que permanece um homem solitário em meio a esse cenário vasto e em constante mudança. Consequentemente, o filme tenta mostrar o contraste entre o avanço da sociedade e a vida interior de um homem comum. Enquanto isso, a narrativa se concentra mais no visual do que no desenvolvimento emocional do personagem, enquanto Felicity Jones e seu filho são oque lhe resta de humanidade
Sonhos de Trem e a beleza da direção de Clint Bentley
A direção de Clint Bentley é impecável na criação de ambientes e no retrato da floresta americana. Dessa forma, o público é envolvido por paisagens deslumbrantes que ajudam a ambientar a história e reforçam o clima de época. A fotografia de Adolpho Veloso, brasileiro responsável pela cinematografia, entrega planos de tirar o fôlego, transformando cada cena em uma experiência visual memorável.
Porém, o roteiro de Greg Krewdar é repetitivo e cansativo. Enquanto isso, o filme tenta transmitir uma grande crítica sobre a condição humana, mas se perde em diálogos e cenas longas que pouco contribuem para a narrativa. Diferente de filmes como Hamnet, que combinam simbolismo e emoção de forma eficiente, Sonhos de Trem acaba tornando-se uma experiência mais visual do que reflexiva. Assim, a profundidade pretendida se perde, deixando o espectador apenas contemplando a beleza da fotografia.

Joel Edgerton entrega uma atuação sólida, mas a caracterização do lenhador não explora completamente suas emoções ou dilemas internos. Além disso, os personagens secundários pouco acrescentam à narrativa, reforçando a sensação de que o filme depende quase exclusivamente de seu aspecto visual para cativar o público. Portanto, embora as performances sejam competentes, elas não conseguem preencher as lacunas deixadas pelo roteiro.
Enquanto Felitcy Jones intrepreta Gladys que aqui faz a sua esposa e que junto a sua filha são apenas um recurso barato, assim como a personagem de Kerry Condon para sabermos que existe outros personagens na trama.
Sonhos de Trem é visualmente deslumbrante, com direção e fotografia que impressionam e transformam cada cena em uma obra de arte. No entanto, sua reflexão sobre o homem e a sociedade se perde em um roteiro cansativo e pouco envolvente. Assim, o filme acaba sendo mais uma experiência estética do que emocional, sendo recomendado principalmente para quem valoriza imagens e ambientação cinematográfica. Portanto, Sonhos de Trem encanta os olhos, mas deixa a mente pouco impactada.
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