Setembro 5 mostra a visão jornalística da tragédia

Setembro 5 é um filme lançado em 2024, com a direção do suíço Tim Fehlbaum, roteiro de Moritz Binder, Alex David, além do próprio diretor e o longa fala sobre os atentados terroristas ocorridos nas Olimpíadas de 1972, realizadas em Munique, na Alemanha Ocidental.

Os ataques ocorreram na noite do dia 5 de setembro daquele ano, onde um grupo terrorista conhecido como Setembro Negro, invadiu a Vila Olímpica, fazendo 11 atletas da delegação do Israel de reféns.

O caso se tornou uma comoção mundial, houve debates sobre a continuidade ou não dos jogos a partir deste fato e aqueles jogos são lembrados até hoje por conta disso, aumentando a tensão entre judeus e palestinos – algo que se alastra até os dias de hoje – e a cada edição, os jogos olímpicos estão com a segurança cada vez mais reforçada.

Sem contar que se trata da Alemanha, que na época tinha o Muro de Berlim e que há poucas décadas, foi palco do nazismo e holocausto.

Esse fato já foi contado em filmes e documentários, mas o mais conhecido é o grande filme Munique, de Steven Spielberg, lançado em 2005 e indicado ao Oscar de Melhor Filme na época.

Mas o grande diferencial de Setembro 5 é a mudança de ponto de vista, já que o foco aqui é na equipe de transmissão da ABC Sports e na redação do canal.

O interessante é mostrar como que os jornalistas, acostumados com notícias mais “leves” sobre esportes, tiveram que mudar da água para o vinho e mostrar ao vivo um ataque terrorista e atualizando o mundo inteiro sobre o ocorrido em tempo real, além de toda a pressão de não poder errar na informação.

O filme é uma ode ao jornalismo e para quem estava órfão de um bom longa investigativo, vai apreciar este aqui. É difícil assistir a Setembro 5 e não lembrar de clássicos como Todos os Homens do Presidente, Rede de Intrigas (ambos sendo lançados em 1976), JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar, de 1991, além do próprio Munique.

É uma aula de montagem e edição, com o ritmo frenético, capturando a urgência do fato real e do que o espectador vê em tela. Embora o público não consiga se apegar a ninguém do elenco, mas tudo é feito com competência e na medida certa do tempo – pouco mais de 90 minutos de projeção.

As cenas de abertura mostrar a expectativa para os jogos antes do atentado, mostrando que seria um evento revolucionário, com a mais alta tecnologia da época e com uma Alemanha pacífica, mas que, minutos depois, vem o choque de realidade, resultando em um retrato impactante de um fato já conhecido, mas importante para que as novas gerações o conheça.

Setembro 5 é um filme a ser descoberto da temporada, vem perdendo a força na corrida para o Oscar, mas que pode se tornar cultuado e objeto de estudo para estudantes ou não de jornalismo.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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