Raya e o Último Dragão: Disney tradicional, mas de olho no futuro

Raya e o Último Dragão se passa no reino de Kumandra e as suas 5 regiões: Coração, Coluna, Garra, Cauda e Presa. Há 500 anos, o local era pacífico e os humanos conviviam com os dragões, mas a presença de seres gigantes que transformam qualquer um em pedra dizimou toda a população, exceto o dragão Sisu, que acabou salvando o local.

No tempo atual, Raya vive com seu pai na região do Coração, onde eles detêm uma pedra capaz de manter o equilíbrio no reino e manter as criaturas longe dali, mas que despertam a cobiça das outras regiões.

Um incidente faz com que esse equilíbrio seja rompido e que Raya siga para uma jornada pelas 5 regiões de Kumandra e garantir a paz no reino.

O filme tem dois diretores: Don Hall, de Operação Big Hero e Carlos Estrada, conhecido por videoclipes e curtas-metragens.

Os nomes do filme como reino e regiões são obviamente fictícios, mas são claramente inspirados em países do sudeste asiático, como a Tailândia, Filipinas ou Indonésia. A própria Disney foi a esses países para estudar melhor a cultura de lá, sem estereótipos e para entregar seu produto da forma mais empática possível.

Não é a primeira animação da Disney a abordar a cultura asiática, mas a mudança de postura da empresa com a representatividade é clara. O elenco de vozes é praticamente todo composto por atores asiáticos, como a Kelly Marie Tran, que dubla a própria Raya; Awkwafina que dubla o dragão Sisu; Sandra Oh, dublando Virana, a mãe da antagonista Namaari e Benedict Wong dublando o Tong.

Por falar nos personagens, tudo aqui foi milimetricamente calculado para o público se encantar pelos seus personagens irresistíveis e não vai demorar para que a indústria lance Funko Pop e Colecionáveis, como a própria Raya, a antagonista Namaari (sobre essas duas, também logo teremos cosplays em eventos de cultura pop), o dragão Sisu, além dos coadjuvantes que funcionam como alívio cômico, como a Little Noi e seus macaquinhos.

Pode parecer chover no molhado elogiar a técnica de uma animação da Disney, mas a deste filme merece ser exaltada: o 3D é de encher os olhos (e nem precisou de óculos), com destaque para a Direção de Arte, com uma confecção de cenários que remete a pontos turísticos locais, expressão dos personagens (em especial à protagonista) e os efeitos aquáticos: tanto as cenas que se passam em alto mar ou para a água flutuando.

A Disney merece colocar o making of desta obra em seu serviço de streaming.

E como uma legítima animação da Disney, é um filme com belas mensagens, mas não da forma tradicional como o estúdio vinha tratando ao longo das décadas. A mocinha em perigo já ficou no passado há muito tempo e, aparentemente, o vilão unidimensional também, pois Namaari é a antagonista de fato, mas não é exatamente uma pessoa ruim, ela tem a sua ideologia e não vai ser difícil encontrar quem tenha empatia por ela.

Além do mais, Raya e o Último Dragão explora conceitos como desconfiança nas pessoas, ganância e até analogia com a desigualdade social. Obviamente, de forma com que as crianças entendam, não se assustam e, como um produto Disney, dando um bom exemplo para a plateia.

O filme perde a sua força em seu 3º ato, seja pelas decisões de roteiro e uma conclusão praticamente sem surpresas para quem está prestando atenção na história. A animação até arrisca um plot twist, mas o impacto é quase nulo.

Essa “pegadinha” de roteiro já deu muito certo em outras animações da Disney, como Frozen, Zootopia e Viva – A Vida é uma Festa, mas aqui o tito foi pela culatra.

Mas nada que tire o impacto da obra e com toda a mensagem existente, o público sairá do filme com um sorriso no rosto e com o coração mais aberto, sobretudo em tempos de ódio.

Raya e o Último Dragão é um bom filme, e um retrato da boa fase da Disney, independentemente da Pixar. Pode não ser tão brilhante quanto Frozen e Zootopia, mas não faz feio de jeito nenhum. Seja nos cinemas ou na Disney+, quem assistir terá um programa divertido, reflexivo, de encher os olhos e com personagens que você vai querer colecionar em casa ou se vestir igual eles.

E ele já compra seu público antes de começar, com o delicioso curta metragem Us Again, uma ode ao mundo da dança e do amor que não deve morrer com o tempo.

Raya e o Último Dragão estreia nos cinemas em 4 de março, poderá também ser visto em estreia simultânea no Disney+, exclusivamente para os assinantes Premier Access, a partir de 5 de março.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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