Ratched é o novo acerto do Ryan Murphy com a Netflix

Uma prática adotada por muitas séries de TV ultimamente é aproveitar a história de um filme conhecido e dissertar sobre ele, geralmente contando os eventos antes da trama do longa-metragem, como em Bates Motel, que foi muito elogiada por público e crítica.

E é justamente isso que acontece com a série Ratched, que conta a história da famosa enfermeira Mildred Ratched, a vilã de Um Estranho no Ninho (interpretada brilhantemente pela Louise Fletcher, que venceu o Oscar pelo papel).

A série se passa no ano de 1947, começa com um massacre de padres (depois descobrimos a relação desse ocorrido com o restante da série) e depois somos transportados à história central: a enfermeira veterana da guerra, Mildred Ratched (Sarah Paulson, sempre ótima) que começa a trabalhar em um renomado hospital psiquiátrico.

Não demora muito para que ela ganhe a simpatia do diretor do hospital, o Dr. Richard Hanover, mas também ganha uma rival, a também enfermeira Betsy Bucket (Judy Davis) e uma estranha relação com o paciente Edmund (Finn Wittrock), mas para ela o mais importante é conseguir manipular a todos e fazer com que todas as pessoas dependam dela de alguma forma.

E não basta manipular tudo e a todos: para conseguir seus objetivos é preciso todos os meios possíveis e não importa por quem tenha que passar, como Nicolau Maquiavel mostrou há séculos com a sua obra-prima O Príncipe, que até hoje influencia líderes do mundo inteiro.

Esta série é a 3ª parceria de Ryan Murphy com a Netflix, as outras foram The Politician e Hollywood, todas muito bem sucedidas e com seus méritos, mas se comparar com outras séries dele, como as primeiras temporadas de Pose e American Crime Story, pode-se dizer que o autor ainda não conseguiu uma unanimidade com a gigante do streaming.

Esta série, Ratched, por exemplo, é uma grande série, com uma grande história e baseada em um grande filme, mas embora tenha grandes ideias e uma ótima execução, mas as decisões presentes em seu desfecho deixam um gosto amargo para quem estava maratonando esta história.

Porém, nada disso apaga todas as qualidades que a série tem, começando pela caprichada reconstrução de época, sobretudo pelo bom uso de cores e a direção de arte feita com muito esmero.

Além do mais, a série propõe outras discussões que vão além da história principal, como a LGBTfobia, que infelizmente existe até hoje, mas era muito mais forte nessa época, aliás, ser homossexual neste período era algo visto como doença psicológica e o “paciente” era sujeito a um tratamento (ou tortura como quiserem chamar) com a famosa lobotomia ou em deixar a pessoa em uma banheira fervendo.

E a série não seria nada sem o sem maravilhoso elenco: a série é focada na atriz principal, tudo converge nela e Sarah Paulson é das melhores atrizes de sua geração mas engana-se quem acha que a série se resume à Mildred: além dos já citados Judy Davis e Finn Wittrock, a série ainda tem a presença de Cynthia Nixon (a Miranda de Sex And The City), tendo uma grande química com a protagonista, Sharon Stone (sim, ela mesma) e o arco do seu filho é quase uma série a parte, Vincent D’Onofrio como um político arrogante que adora dizer frases homofóbicas e machistas, além de Sophie Okonedo (indicada ao Oscar por Hotel Ruanda) na qual sua personagem tem um plot twist no final.

Mesmo quem não assistiu a Um Estranho No Ninho vai apreciar esta série, já que ela ocorre antes dos eventos do filme e a única ligação entre as duas obras é mesmo a protagonista, pelo menos por esta temporada.

Foi-se o tempo que as séries eram mídias de menor expressão e que os atores tinham vergonha de fazer. É algo tão expressivo quanto o cinema, foi o principal entretenimento de muitos na quarentena e com o sucesso desta série, que venham mais baseadas em grandes filmes.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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