Quicksilver: a romantasia sensação do BookTok | LIVROS

Então que eu finalmente li Quicksilver, da Callie Hart! Uma das romantasias mais hypadas do BookTok chegou ao Brasil pela editora Rocco. Não vou mentir que minhas expectativas eram altas demais e que, provavelmente por isso, passei mais de 70% do livro condenando e julgando todos que afirmavam a excelência da obra. Mas os 30% finais foram tão satisfatórios, ainda que previsíveis, que compensaram o restante.

Um portal aberto, uma guerra milenar e um moreno sarcástico

Em Quicksilver, acompanhamos Saeris Fane, uma ladra de 24 anos que vive no setor mais miserável de Zilvaren, também conhecida por Cidade de Prata. Nesse mundo, Saeris sofre com o calor escaldante de dois sóis, conhecidos como Os Gêmeos. E como a água é rara e reservada aos mais ricos, ela está constantemente desidratada. Mas o que torna Saeris realmente especial, além da sua agilidade e suas habilidades de luta, é a capacidade de manipular metais. Um dom proibido.

Após roubar algo verdadeiramente valioso, ela é levada até a cruel rainha Madra. Ao lutar pela própria vida, Saeris acaba abrindo um portal entre mundos. À beira da morte, ela é salva e levada para Yvelia, o reino gélido dos feéricos. Ela só não contava que se tornaria uma peça-chave capaz de mudar os rumos de uma guerra milenar. E Kingfisher, um guerreiro envolto em mistério e amaldiçoado pelo mercúrio, o metal que permite a viagem entre reinos (o “quicksilver” do título), não tem nenhuma intenção de deixar sua estadia mais agradável. O problema é que ele é um “moreno sarcástico”, aí já viu né?

Quicksilver e o déjà vu da romantasia

Quicksilver

Existe uma indiscutível limitação nas romantasias atuais, já que todas parecem girar em círculos e repetir as mesmas fórmulas que já deram certo. Claro que o problema se estende para outros gêneros e mercados, mas irei me restringir ao assunto em questão. O caso é que Quicksilver não escapa desse problema, fazendo com que diversas cenas do livro deixassem um gostinho de “parece aquela outra cena do livro X ou Y”.

Por isso, a primeira metade de Quicksilver é uma grande mistura de Trono de Vidro com Corte de Espinhos e Rosas (ambos da Sarah J. Maas). Muitas passagens me fizeram lembrar de Aelin ou Feyre em seu auge de rebeldia. Não que estivesse desgostando da leitura, mas era como um déjà vu de páginas e páginas. A narrativa e os acontecimentos são praticamente os mesmos de ACOTAR e eu posso provar.

“Uma garota humana pobre e faminta é levada por um guerreiro feérico por um portal para um reino em guerra contra criaturas sombrias. Embora nesse reino ela não precise se preocupar com água, comida ou conforto, seu desejo é voltar para a sua vida miserável para cuidar do seu irmão (que é um pé no saco).” Viu? Há muitas outras “coincidências”, mas sigamos.

Entre surtos questionáveis e justificativas relevantes

À medida que Kingfisher se tornava mais presente, eu realmente me perguntava como ele tinha se tornado o motivo dos surtos literários entre as leitoras. Em certa altura da leitura, cheguei à conclusão de que não havia como ele se redimir de tantas atitudes reprováveis. Ledo engano o meu. Sem muitos detalhes, digo que ele teve boas e justificáveis razões para as condutas tão questionáveis.

Saeris permaneceu no limiar aceitável da birra gratuita. Pois, tirando seu par e eventuais inimigos, todos os demais feéricos a trataram com cordialidade e hospitalidade, e mesmo assim ela insistia em tratá-los com indiferença e descortesia. Mas, para minha felicidade, o desenvolvimento da personagem foi gradual e sem mudanças abruptas de personalidade. E embora algumas de suas escolhas parecessem não fazer sentido no momento, são entendíveis quando tudo é finalmente explicado.

Preciso mencionar também que Quicksilver tem ótimos personagens secundários. Renfis e sua gentileza, Lorrenth com seu talento e Carrion Swift com seu charme, todos são maravilhosos. Em especial o último, que rivaliza diretamente com Kingfisher, proporcionando momentos hilários. Everlayne já é menos interessante, sendo uma personagem mais neutra e ingênua. Ainda assim, tem sua devida importância na trama.

Não subestime a classificação indicativa de Quicksilver

Quicksilver tem classificação indicativa de 18 anos e contém, além de temas sensíveis como tortura, violência e sugestão de abuso, cenas de sexo explícito altamente expositivas. Algumas bem longas. Então, pondere se está disposta(o) a ler páginas e mais páginas de posições, sons e descrições de partes íntimas antes de comprar. Claro, pular essas cenas é sempre uma opção (embora sejam relevantes para entender alguns aspectos da trama). Mas caso você seja fã do hot, se esbalde, porque ele é muito bom.

Vale o Hype?

Como disse lá no início, os últimos 30% de Quicksilver são catárticos e valem todo esforço do início do livro. Vale todo o falatório? Aí vai depender de cada um. Eu gostei e indico, mas não morri de amores e não consegui achar tudo isso. Certamente culpa das expectativas que o hype desenfreado criaram em mim.

A história cativa, apesar da escrita pouco cativante da Callie Hart. Então vou deixar a receita do bolo aqui: se você gosta de feéricos, cenas hot, enemies to lovers e slow burn, esse livro é para você. Mas, se você não aguenta mais o povo das orelhas pontudas, não gosta de hot e não gosta da Sarah J. Maas, passe para a próxima leitura e seja feliz.

Um adendo importante: Quicksilver é o primeiro volume da série Magia e Alquimia. O segundo livro, Brimstone, tem previsão de ser lançado na gringa em novembro. Por aqui deve chegar apenas em 2026. A previsão é que a saga tenha cinco volumes, então prepara o coração.

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Nerd: Tamyris Farias

Designer e produtora de conteúdo apaixonada por cinema e cultura pop. Amante de terror e ficção científica, seja em jogos, séries ou filmes. Mas também não recuso um dorama bem meloso.

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