Predador: Terras Selvagens reinventa a franquia com ação visceral | CRÍTICA

Predador: Terras Selvagens chega aos cinemas nesta semana com a missão ousada de renovar uma das franquias mais icônicas da ficção científica. Dirigido por Dan Trachtenberg e distribuído pela Walt Disney Studios Motion Pictures, o longa propõe uma virada de perspectiva: desta vez, o protagonista não é a presa… mas o caçador. Literalmente.

Predador: Terras Selvagens

Neste sexto capítulo da saga, acompanhamos Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem Yautja – agora nome oficial da raça dos Predadores – que precisa provar seu valor como caçador. Expulso do clã após confrontar o pai, ele parte rumo ao planeta mais inóspito conhecido, Genna, para derrotar a criatura lendária chamada Kalisk. Uma missão de vida ou morte, em busca de honra e pertencimento.

Agora o Predador é quem corre risco

Até aqui, os filmes da franquia sempre colocaram os humanos no centro da narrativa, lutando desesperadamente pela sobrevivência diante de uma força brutal e implacável. Em Terras Selvagens, os papéis se invertem: o Yautja é quem enfrenta o perigo, sendo testado por um ambiente hostil e adversários desconhecidos. A mudança quebra expectativas e pode causar certo estranhamento nos fãs mais tradicionais, mas funciona como um respiro criativo para o universo Predador.

Outro ponto marcante é o tom do filme. Diferente do clima sombrio e tenso dos longas anteriores, este aposta mais na aventura, com doses inesperadas de humor. Há um leve toque de irreverência, principalmente através do personagem Bud, que oferece momentos de alívio cômico eficazes — um elemento inédito na franquia, mas bem-vindo.

Predador: Terras Selvagens

Genna, a criatura Kalisk e a presença de Alien

O planeta Genna é um espetáculo à parte. Visualmente deslumbrante e letal por natureza, ele cumpre bem o papel de cenário extremo, com paisagens surreais, criaturas ameaçadoras e ambientação que reforça a brutalidade da missão. Os efeitos especiais e o design de produção elevam a experiência, criando uma imersão digna dos melhores exemplares do sci-fi moderno.

Durante a jornada, Dek cruza o caminho de Thia (Elle Fanning), uma unidade sintética da Weyland-Yutani Corporation — conexão direta com o universo Alien. A presença da empresa reforça a continuidade do Predadorverso, unindo novamente os dois mundos, mesmo que de forma sutil. Juntos, Dek e Thia enfrentam o Kalisk, criatura quase mitológica que simboliza o ápice da caçada.

Predador: Terras Selvagens apresenta uma nova mitologia e a construção do herói

Terras Selvagens também se destaca por revelar aspectos da cultura Yautja, até então envolta em mistério. Costumes, rituais e hierarquias ganham espaço na narrativa, dando profundidade ao universo e enriquecendo a mitologia da franquia.

Mesmo com um enredo relativamente simples, a trama se desenvolve com ritmo consistente e traz uma construção de personagem cativante. Dek passa de jovem desacreditado a guerreiro determinado, em um arco de amadurecimento bem executado. A química com Thia, inesperada e sutil, adiciona camadas emocionais à jornada, criando empatia com o público.

Um novo caminho (e um novo fôlego) para a franquia

É fato: nem todos os fãs vão abraçar de imediato essa guinada na franquia. Mas negar a qualidade da produção e o potencial narrativo dessa nova abordagem seria injusto. Ao apostar na perspectiva do predador e explorar o desconhecido, Predador: Terras Selvagens oferece uma das experiências mais instigantes da série até hoje.

No fim, o filme entretém, emociona e ainda arranca boas risadas — sem jamais abandonar o senso de perigo e a adrenalina que marcaram o legado dos Yautja no cinema.

Posts Relacionados:

Springsteen: Salve-me do Desconhecido revela o preço da criação e da fama | Crítica

Bom Menino é o terror mais original deste ano | CRÍTICA

Frankenstein de Guillermo del Toro: o retorno triunfal ao terror gótico e humano | CRÍTICA

Não esquece de seguir o Universo 42 nas redes sociais:

Instagram YouTube Facebook

Nerd: Guilherme Vares

Formado em Ciências da Computação e Pós em Jogos Digitais, aspirante à Game Designer, tendo Rpg e boardgames injetados diretamente na veia, adepto de jogos em geral e voraz consumidor de livros, séries e filmes.

Share This Post On