Os filmes de super-heróis estão em desgaste?

Em 2025, quatro grandes lançamentos de filmes de super-heróis chegaram aos cinemas: três da Marvel (Capitão América: Admirável Mundo Novo, Thunderbolts e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos) e um da DC, o aguardado Superman. Mas, apesar do hype, nenhum deles atingiu o resultado de bilheteria esperado. O que mais arrecadou foi justamente o do Homem de Aço, com pouco mais de 600 milhões de dólares mundialmente.

Afinal, o que está acontecendo com os filmes de super-heróis? O desgaste finalmente bateu à porta das adaptações de quadrinhos?

Desde o início do século XXI, os heróis dominaram as bilheteiras. Praticamente não houve ano em que ao menos um filme do gênero não estivesse entre os mais assistidos. Mas o reinado parece perto do fim. Provavelmente, estamos vivendo o esgotamento do modelo de franquias baseadas em HQs.

O império da Marvel e a tentativa frustrada da DC

Entre 2008 e 2019, a Marvel dominava com folga os cinemas, consolidando um universo cinematográfico coeso e extremamente lucrativo. A fórmula de sucesso virou modelo para a indústria, mas nenhum estúdio conseguiu replicar com a mesma eficiência. Nem mesmo a DC Comics. Apesar de bons filmes isolados, como O Homem de Aço (2013) e Mulher-Maravilha (2017), o DCEU falhou como universo compartilhado, acumulando mais prejuízos do que vitórias.

Vale lembrar que a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheteiras foi algo raro por muito tempo. O primeiro filme a alcançar esse feito foi Titanic, em 1997. Na década seguinte, poucos conseguiram repetir o marco: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003), Piratas do Caribe: O Baú da Morte (2006), Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e Avatar (2009), este último se mantendo como a maior bilheteria da história por anos.

A explosão pós-2010 e o efeito pandemia

A partir de 2010, especialmente com Os Vingadores (2012), a Marvel passou a multiplicar bilhões com aparente facilidade, principalmente com seus filmes-evento como Guerra Infinita e Ultimato. Era o auge da “era de ouro” do gênero.

Entretanto, a pandemia de 2020 mudou tudo. Quando os cinemas começaram a se recuperar, a Marvel apostou em um volume excessivo de conteúdo, dividindo narrativas entre o cinema e o Disney+. Para não perder o fio da meada, o público precisava assistir a todas as séries e filmes. Resultado: muitos desistiram de acompanhar.

Os poucos sucessos recentes apostaram na nostalgia: Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021), Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023) e Deadpool & Wolverine (2024) são exemplos claros disso.

O público ainda quer filmes de super-heróis?

Sim e não. Muitos desses filmes fracassam nas telonas, mas se recuperam no streaming. Isso ocorre por diversos motivos: os preços altos das assinaturas e dos ingressos, a violência nas grandes cidades e, principalmente, a mudança de comportamento do público.

Aquele FOMO (Fear Of Missing Out) que existia na época de Guerra Infinita e Ultimato diminuiu. Vai estrear um novo filme da Marvel ou da DC? Muita gente prefere esperar os três meses até o streaming. Enquanto isso, maratona séries, animes, doramas ou novelas. A concorrência não está mais apenas entre estúdios, mas entre formatos e plataformas.

O problema é maior do que filmes de super-heróis

É injusto responsabilizar apenas os heróis pela crise dos cinemas. A indústria enfrenta uma mudança estrutural: a disputa pelo tempo do espectador é brutal. Para o público brasileiro, ainda entra em cena a crise econômica e um problema de saúde pública pouco comentado: o vício em apostas online, como as “bets” e o popular “jogo do tigrinho”. Além de drenarem dinheiro, esses jogos consomem tempo, concorrendo diretamente com o entretenimento tradicional.

Claro, ainda há espaço para grandes sucessos. Em 2025, Lilo & Stitch foi um exemplo de filme-evento. Antes dele, tivemos Divertida Mente 2, Ainda Estou Aqui, Top Gun: Maverick, Super Mario Bros., Barbie e Oppenheimer. Todos eles alimentaram o FOMO, justificando a ida ao cinema como experiência coletiva e cultural.

Uma mudança necessária, não o fim

A crise dos super-heróis não é um caso isolado. Trata-se de um momento de transformação profunda na cultura pop, algo que o mercado precisa observar com atenção. O que funcionou até 2019 não funciona mais da mesma forma.

E não é a primeira vez que o cinema se reinventa. Talvez estejamos prestes a ver uma nova fase do entretenimento, menos baseada em universos compartilhados e mais voltada para narrativas singulares, emocionais e conectadas com a realidade contemporânea.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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