Há muita coisa errada na internet, rivalidade e discurso de ódio, mas existe um meme interessante que fala sobre as bruxas do passado, onde a pessoa diz que, se vivesse na Idade Média ou no tempo da inquisição, ficaria do lado das bruxas e não dos religiosos. Isso pode ser entendido como metáfora para o mundo de aparências ou mesmo a hipocrisia disfarçada de fé. Pode não parecer, mas isso resume muito bem o espírito de Jovens Bruxas.
Jovens Bruxas, filme lançado em 1996, não foi exatamente um sucesso de bilheteria (custou 15 milhões e faturou 24 no mundo inteiro), nem um sucesso de crítica, mas ele se saiu muito bem no home vídeo, foi se tornando cultuado e hoje é amado por muitos, sobretudo quem era jovem na ocasião do lançamento.
E vale fazer um contexto histórico: na segunda metade dos anos 1990, Hollywood foi bombardeada por filmes com a temática adolescente. O que ficou mais evidente foram os filmes de terror/suspense, como Pânico, Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e embora Jovens Bruxas não seja exatamente um terror, também faz parte desta safra.
A fórmula era quase a mesma em todos os filmes: uma história atraente, rápida, rostos bonitos e uma trilha sonora recheada de música pop com pitadas de rock n’ roll, como mandava a geração MTV.
E com Jovens Bruxas não foi diferente.
A premissa é bem bacana: uma jovem tímida e carente, órfã de mãe, Sarah (Robin Tunney) se muda de São Francisco para Los Angeles, onde tem que lidar com a hostilidade de seus colegas, o assédio de Chris Hooker (Skeet Ulrich, que também esteve em Pânico), mas não demora muito para conhecer moças identificadas como bruxas em seu colégio, Nancy (Fairuza Balk), Rochelle (Rachel True) e Bonnie (Neve Campbell, sim, a Sidney Prescott da franquia Pânico), se identificar com elas e também se assumir como bruxas.
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Elas têm o poder de alterar a realidade de acordo com seus interesses pessoais, mas tudo pode voltar em dobro e o filme vai brincar com essas possíveis realidades.
Jovens Bruxas é claramente feito para o público adolescente, mas quem prestar atenção em seu roteiro, vai conseguir enxergar as metáforas escondidas nele.
Primeiro que o fato de usarem bruxas foi muito pertinente para fazer paralelo com as bruxas que eram queimadas pela igreja no passado, simplesmente por não aceitarem o que a Igreja obrigava, também o filme usa a magia como pano de fundo para denunciar discussões que existem até hoje, como o assédio, violência doméstica, xenofobia e até o racismo, já que a Rochelle é negra e sofre preconceito na escola.
Sem contar que dá até para associar Sarah e Nancy com Malcolm X e Martin Luther King, já que a primeira prega a magia para fins mais nobres e a outra tem o ímpeto maior de vingança.
O filme só se perde um pouco no seu 3º ato, que perde toda a sua áurea filosófica e as metáforas dão lugar a um pastiche, perseguições hollywoodianas que não fazem sentido, além de ter envelhecido mal.
Mas nada disso apaga as qualidades de uma obra que tem uma legião de fãs e revelou essas duas atrizes conhecidas e que estão famosas até hoje: Robin Tunney, que esteve em Prison Break, por exemplo e Neve Campbell, a protagonista da franquia Pânico que está ainda em alta em Hollywood.
Jovens Bruxas é um bom filme, que fez parte da vida de muitos, tem várias camadas de roteiro e vai além de mais um filme encomendado de Hollywood.
Vale uma sessão para relembrar, seja pelas discussões, para entender a época ou simplesmente para se divertir.
Quem manda é sempre o público.
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