Os 20 anos de Lara Croft: Tomb Raider

As adaptações dos games para o cinema têm a má fama de serem filmes ruins. São raros os casos em que há qualidade de narrativa e muitos sofrem até com a bilheteria. Independentemente do orçamento de cada filme, muitos produtores e roteiristas não conseguem captar o espírito do jogo ou não entendem que cada mídia é diferente.

Existem projetos que até tiveram boas intenções e alto orçamento, como Resident Evil em 2002 ou os fracassados World of Warcraft e Assassin’s Creed em 2016, mas os resultados foram decepcionantes.

E um desses projetos de “boa intenção e alto orçamento” foi Lara Croft – Tomb Raider.

No final dos anos 1990 e início de 2000, os games já estavam consolidados, não eram mais voltados somente ao público infantil e não era exagero dizer que os jogos eletrônicos já eram uma indústria de fato.

Justamente neste período é que a Sony dominava o mercado com o Playstation 1 e 2, vimos o nascimento de muitas franquias, os games levados mais a sério e uma dessas franquias de sucesso era Tomb Raider.

O primeiro jogo foi lançado em 1996, foi um sucesso, gerou uma franquia milionária e gerou interesse em Hollywood para um filme ou o início de uma série de filmes, dependendo do sucesso deste primeiro.

Lara Croft – Tomb Raider chegou aos cinemas no verão de 2001 com a responsabilidade de ser um dos arrasa-quarteirões da temporada, tanto pelo peso de produção (custou 115 milhões de dólares, uma fortuna na época) ou pela escolha da Angelina Jolie no papel de Lara, que embora não tenha se saído como o estúdio queria (faturou 274 milhões), ao menos gerou uma continuação dois anos depois.

O filme não é baseado em um jogo específico, mas agraciou o público com uma história de investigação quase ao estilo Indiana Jones. Logo na abertura vemos a Lara enfrentando um robô (!) mas depois somos apresentados à trama em si: Lara recebe um antigo segredo de seu pai que a levará ao seu maior desafio, o Triângulo da Luz, uma relíquia com o poder de alterar o tempo e espaço.

Ela precisa encontrar esse artefato e protegê-lo de mãos erradas, como os Illuminati e o ambicioso Manfred Powell (Iain Glen). Para isso, ela usa todas as suas habilidades de luta e viaja ao redor do mundo através de respostas.

O filme é dirigido por Simon West e assim como o seu primeiro filme de destaque, Con Air – A Rota da Fuga, de 1997, o que vemos aqui é um fiapo de roteiro, cenas de ação eletrizantes e o intuito de entreter seu público.

Essa história de exploração poderia ser interessante e bem conduzida, mas é muito mal aproveitada pelas situações fáceis, sem contar os diálogos expositivos: a cada cena algum personagem está explicando a história para o outro, a ponto de “desenhar” a cena até nos momentos de ação.

É injusto avaliar uma obra muito tempo depois que ela foi lançada e mesmo com seus efeitos estando datados mesmo para a época. E até a protagonista sexualizada é fruto do seu período, já que não havia a percepção de objetificação do corpo da mulher na época e até mesmo nos games a Lara era extremamente sexualizada, mas o filme faz questão de nos lembrar isso.

Além da própria Angelina, o filme ainda conta com o veterano Jon Voight, pai de Angelina na vida real, que só aparece em flashbacks, mas tem um peso importante para a história. Também reparem na presença de Daniel Craig, mundo antes de ele ser o agente James Bond nos cinemas.

Lara Croft – Tomb Raider não é um filme ruim. Há boa intenção, produção e personagens. Mas ele menospreza seu expectador com uma trama rasa e a empatia é quase nula. Mesmo o reboot com a Alicia Vikander em 2018 também careceu de qualidade, mas esperamos que a indústria cinematográfica aprenda com os erros consiga casar as duas mídias e entregar um produto de qualidade que é o que todos esperamos.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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