Oasis ao vivo em 2025: o reencontro que parecia impossível e foi histórico

Oasis voltou. No dia 4 de julho de 2025, no Principality Stadium, em Cardiff (País de Gales), a lendária banda britânica subiu aos palcos pela primeira vez desde a traumática separação em 2009. Mais de 60 mil fãs — vindos dos quatro cantos do mundo — estavam lá para cantar hinos como Wonderwall e Don’t Look Back in Anger. Obviamente eu não estava entre eles, infelizmente. Mas como fã de carteirinha, acompanhei cada detalhe. E sigo sonhando com os dias 22 e 23 de novembro, quando o Oasis se apresenta no Brasil, no Estádio do Morumbi, como parte da Oasis Live ’25 Tour.

Sinceramente? Eu não botava fé nesse comeback. A relação entre os irmãos Gallagher sempre foi conhecida pelos conflitos intensos, recheada de declarações venenosas, brigas públicas e até agressões físicas. Foi justamente um desses episódios que marcou o fim da banda: no festival Rock en Seine, em Paris, em 2009, Noel deixou o grupo após uma discussão violenta com Liam — que chegou a brandir uma guitarra como se fosse um machado. Depois disso, Noel cravou: “simplesmente não posso mais trabalhar com ele nem por mais um dia”. E assim se encerrava, aparentemente para sempre, a era Oasis.

Nos anos seguintes, cada um seguiu seu caminho. Noel formou os High Flying Birds (cujo show de abertura para o U2 em 2017 foi memorável), enquanto Liam criou o Beady Eye e depois embarcou numa carreira solo. As farpas públicas nunca cessaram. Por isso mesmo, achava improvável — quase impossível — que eles voltassem. E que bom que eu estava errada.

Mas por que essa volta agora? As especulações são muitas. Um dos sinais mais explícitos veio em janeiro de 2023, quando Liam revelou no Twitter ter recebido uma ligação de Noel “implorando por perdão” e pedindo um encontro. Na mesma postagem, Liam perguntou aos fãs se deveria aceitar ou “mandá-lo à m$rd@”. Foi um tweet que incendiou os rumores — e talvez tenha sido mesmo o início da reconstrução da ponte entre eles.

Há quem diga que a paixão em comum pelo Manchester City foi um elo simbólico para a reaproximação. Outros apontam para os 30 anos do álbum (What’s the Story) Morning Glory?, verdadeiro marco da música britânica, como motivo da reunião. E, claro, tem quem diga que o verdadeiro catalisador é o de sempre: dinheiro. Mas se esse fosse o único fator, as propostas milionárias do passado já teriam surtido efeito. A verdade é que, qualquer que seja o motivo, o Oasis está de volta e isso é o que importa.

O show em Cardiff foi avassalador. Uma celebração catártica, carregada de nostalgia e reverência. E não poderia começar de outra forma senão com Hello, quase um aceno irônico ao passado. O setlist foi um passeio emocional: Cigarettes & Alcohol, Supersonic, Don’t Look Back in Anger, Wonderwall e Champagne Supernova encerrando o espetáculo. Teve cumplicidade no dueto de Acquiesce“Because we need each other! We believe in one another!” — e até uma rápida, mas simbólica troca de abraço entre os irmãos.

O palco, minimalista, reforçou a essência crua da banda. Nada de carros ou cabines telefônicas como nos velhos tempos. O foco estava nas performances intensas, no som impecável, nas guitarras estrondosas e no painel de LED gigante que servia de pano de fundo para o que realmente importa: a música. Essa escolha estética evidenciou aquilo que sempre diferenciou o Oasis — autenticidade e atitude.

Não poderia ser diferente para uma das bandas mais influentes das décadas de 1990 e 2000, com oito álbuns que alcançaram o topo das paradas britânicas e uma base de fãs que jamais perdeu a esperança. O que se viu em Cardiff foi mais do que um show: foi um reencontro histórico, necessário, quase mítico. Um momento que justificou cada rumor, cada espera, cada tweet críptico. Agora, é só contar os dias para novembro. E sim, darei meu máximo para estar lá. Porque há coisas na vida que simplesmente não se pode perder. E o retorno do Oasis é uma delas.

PS: RKID é uma gíria britânica, comum no norte da Inglaterra, que significa “our kid”, uma forma carinhosa de se referir ao irmão mais novo. No tweet de Liam, ele usou a expressão para se referir ao próprio Noel, mesmo sendo o mais velho.

PS 2: Apesar da devoção dos Gallagher ao Manchester City, o show também teve espaço para homenagem: foi feita uma menção ao jogador Diogo Jota, do Liverpool, que faleceu num trágico acidente de carro um dia antes do evento.

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Nerd: Verônica "Vevê" Cysneiros

🎬📺🎸 Cinéfila de carteirinha (vejo tantos filmes que às vezes esqueço como funciona a vida real), maratonista de séries (minha lista de “vou assistir depois” já tem títulos suficientes para outra vida.), apaixonada por animações (aguardando minha carta de admissão para algum universo mágico) e movida a rock n' roll (rockeira na alma, mas sem talento musical, só no air guitar), compartilho tudo o que faz meu coração geek bater mais forte. Pega a pipoca e vem comigo meus Preferidos!

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