O Rei da Feira chega aos cinemas com a promessa de humor, mistério e brasilidade, mas o que entrega é um vazio tão profundo quanto um pastel mal feito. A premissa até tem potencial: um feirante assassinado que volta para resolver seu próprio caso. No entanto, esse ponto de partida é desperdiçado por um roteiro sem foco, atuações desanimadas e piadas que não funcionam.
Leandro Hassum, que deveria carregar o filme, parece atuar no modo automático. Sem energia, sem timing cômico e sem conexão com a narrativa, ele entrega mais uma performance genérica em uma longa lista de comédias esquecíveis. O roteiro segue o mesmo caminho: não constrói mistério, não desenvolve personagens e não estabelece nenhum tipo de ritmo.
Pastel de feira: a verdadeira estrela
O que deveria ser um elogio à cultura popular acaba se tornando um lembrete do que a obra não é: saborosa, autêntica ou divertida. Ao sair da sessão, o pensamento que fica é mais sobre o pastel que você não comeu do que sobre o filme que acabou de ver. E isso diz muito.
Pedro Wagner, como Bode, é o único que escapa da monotonia geral. Seu carisma e entrega trazem um leve respiro para o que é, em sua maioria, um desfile de atuações sem alma. O restante do elenco não tem tempo ou material para brilhar: personagens rasos, sem motivação e sem função clara na trama.

O humor que não veio
O Rei da Feira é mais uma tentativa frustrada de transformar o carisma de Hassum em comédia de qualidade. A falta de cuidado com o roteiro é gritante: ideias soltas, cenas desconexas e uma sensação constante de improviso mal amarrado. O que deveria ser um filme divertido se torna um teste de paciência.
No final, sobra a vontade de rir — mas de desespero. O cinema nacional merece mais do que esse tipo de produção preguiçosa, que trata o público como consumidor passivo de qualquer coisa com “cara de comédia”.
O Rei da Feira é um lembrete cruel: não adianta ter a casca, se falta o recheio.
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