Nós gostamos de cinema e de cultura pop em geral, independentemente da idade ou ideologia, já que o mercado de filmes, séries e games trabalha com a geração atual, mas também sem tirar a atenção que cresceu nos anos 80 e 90 e que hoje em dia tem recursos para adquirir aquilo que gosta, mas não devemos ser ingênuos: a intenção é faturar, gerar receita, assim a roda gira e todos saem satisfeitos, o público e os realizadores.
Mas o cinema como arte também pode servir como trabalho humanitário e não apenas como um produto. Duvida? Então conheça o trabalho de O Que de Verdade Importa.
O filme, que é de 2017, é um projeto de Paco Arango, que dirige e escreve o filme e possui caráter beneficente e toda a renda nas bilheterias será para as instituições de caridade que trabalham contra o câncer infantil. O motivo? Paco era muito amigo do saudoso Paul Newman, que nos deixou em 2008.
Paul, além de grande ator e ícone do cinema, também trabalhava em causas sociais e uma delas era o combate ao câncer infantil e aqui neste filme, Paco não só faz homenagem ao saudoso amigo, mas também é um alerta à doença e em como tratamos a quem precisa de atenção.
O filme conta a história de Alec Bailey (Oliver Jackson-Cohen), um jovem que vive em Londres e que trabalha com consertos elétricos, mas que está financeiramente quebrado. Tudo muda quando um tio distante oferece para quitar todas suas dívidas em troca de seu sobrinho passar um ano em Nova Escócia, no Canadá.
Lá ele conhece um novo mundo, situações bizarras, cria amizade com Cecília (Camilla Luddington, de Grey’s Anatomy) e vai repensar seus conceitos sobre vida e humanidade.
O Que de Verdade Importa apresenta a questão do câncer e da religiosidade (ou falta dela) de maneira natural e sem levantar a bandeira de nada e assim como o recente A Culpa é das Estrelas ou o clássico Rain Man, pode se tornar um filme querido e merece ser visto no cinema, sobretudo por sabermos que a renda irá para instituições, mas ele tem muita cara de home vídeo ou streaming, por se tratar de um filme simples e singelo.
Ou seja, se este filme fosse lançado nos anos 80 ou 90, provavelmente viraria um “tesourinho de locadora”.
Apesar da excelente causa e de todo o esforço dos envolvidos, O Que de Verdade Importa não está isento de problemas, pois o filme tem uma montagem estranha: é acelerado demais no primeiro ato para resumir a história demais no terceiro. Além disso, o protagonista, Oliver Jackson-Cohen, não é exatamente um grande ator e parece pouco à vontade em um papel que exigia o mínimo de tal coisa do protagonista.
Mas o restante do elenco está muito bem: Camilla Luddington é sempre a voz da razão ao protagonista, Jonathan Pryce, como o tio de Alec, aparece em momentos pontuais, mas o destaque mesmo é Kaitlyn Bernard como a irresistível Abigail, que só aparece lá pela metade, mas que faz o filme soltar faíscas com sua presença em tela.
É dela os melhores momentos do longa e a atriz pode ir longe na carreira.
O Que de Verdade Importa pode não ser perfeito, mas é um grande feito cinematográfico. E o resultado é um filme agridoce e feel good para ver com a pessoa querida ao lado.
Histórias são feitas através do cinema, casais são feitos através da sétima arte e muitas pessoas mudam após ver aquele filme que consideram como o da vida e este filme tem tudo para ter esse perfil transformador na vida de muita gente.
Ah, última dica: fujam do trailer porque ele praticamente resume o filme inteiro.
Confira a nossa entrevista exclusiva com o diretor do filme, Paco Arango:
