Nunca o gênero terror esteve tão em alta, e com uma grande estratégia financeira: em tempos de arrasa-quarteirões milionários, os filmes de suspense e terror fazem muito com pouco. Em 2018 mesmo já fomos surpreendidos com Um Lugar Silencioso e Hereditário, ainda teremos A Freira e muitos outros exemplares do gênero, e quem ganha com tudo isso é o público.
Mas, para quem é fã d
o gênero – e para quem não é também – pode e deve apreciar os clássicos, não apenas pela importância histórica, mas para estudarmos o passado e entender o presente. Clássicos como O Exorcista, O Iluminado e O Bebê de Rosemary não devem ficar apenas na memória e,por isso, aqui falaremos de outro exemplar do gênero que também merece ser descoberto por todos: A Noite dos Mortos Vivos, do mestre George A. Romero, que se tornou um clássico do terror, fazendo muito com pouco.
A produção é de baixíssima qualidade, custou a bagatela de 114 mil dólares (que hoje em dia mal paga o cachê de um ator médio), mas se tornou cultuado, referenciado e até mesmo teve um reboot, mas hoje é obrigatório para jovens cineastas que querem começar no cinema com pouco dinheiro.
Gostou de Atividade Paranormal? Corra!? Hereditário? Agradeça a este filme aqui, que além te inspirar filmes como esse ainda popularizou os zumbis na cultura
pop, apesar de no filme nunca citarem a palavra “zumbi” – a franquia de filmes e games Resident Evil e a série The Walking Dead também são muito gratos a George Romero.
A fotografia em preto e branco e a câmera na mão dão mais vivacidade ao longa, criando uma atmosfera claustrofóbica e quase documental. O público mais jovem, acostumado com a montagem mais frenética atual pode estranhar o ritmo do filme, mas toda a atmosfera noir que o longa tem assusta – e muito.
O filme começa com um casal de irmãos que vai visitar o túmulo dos pais, mas logo são atacados por uma criatura. Não demora muito para eles – e o público – perceberem que se trata de um morto-vivo. A moça consegue sobreviver e encontrar uma casa aparentemente abandonada, mas que tem um homem no porão. Os dois abrigam mais cinco pessoas e traçam estratégias para sobrevivência, mas também precisam lidar com seus próprios egos.
George Romero não fez apenas o terror pelo terror. Apesar de termos aqui os inimigos declarados, os verdadeiros vilões somos nós, afinal, o filme faz uma crítica ácida e
sutil ao comportamento humano: há alegoria aqui para o trabalho em equipe, diferenças sociais, seleção natural e até para o racismo. Tudo com uma ironia que o atual Corra! também fez com muito sucesso.
A Noite dos Mortos Vivos não é apenas um clássico do terror, é um clássico do cinema como um todo. Não importa se um filme teve orçamento milionário ou se é de baixo orçamento, o que vale é sua qualidade. A produção pode ficar afetada e até datada (o que não é o caso deste aqui), mas um bom roteiro e personagens independem de valores financeiros.
As boas ideias estão aí e agora, com meios e mídias sociais, está menos difícil de propagar um trabalho onde novos e melhores talentos podem surgir.
Quem disse que o mundo está ficando chato?
