Akira é uma animação que mudou paradigmas e a visão que o mundo ocidental tinha das animações japonesas, além de ser referência até hoje.
Sem Akira, provavelmente, não teríamos a febre dos Animes e Mangás por aqui. Foi ovacionado por público e crítica, e ainda nos dias atuais é amado e cultuado na medida certa.
Tudo bem que não foi o primeiro anime a surgir e, muito meno,s o primeiro a se tornar popular – Astro Boy já existia desde os anos 50 –, mas toda a cultura nipônica deve muito à Akira, assim como a cultura pop, de forma geral.
O mangá começou a ser escrito em 1982 por Katsuhiro Otomo e o mesmo Otomo dirigiu a animação.
A história se passa em um futuro pós-apocalíptico (o que para nós, seria quase o presente!), em 2019, com o mundo já devastado pela Terceira Guerra Mundial e às vésperas das Olimpíadas de 2020 em Tóquio (essa eles acertaram em cheio!)
As gangues tomaram as ruas, há manifestações populares contra o governo e, neste cenário, conhecemos Kaneda e seu amigo, Tetsuo, dois motoqueiros que vivem em rixa com uma gangue rival. Mas no meio dessas brigas, Tetsuo encontra um garoto envolvido em experiências científicas e um mito energético chamado Akira, cuja força foi responsável pela explosão de Tóquio e início da 3ª Guerra Mundial e é levado por agentes do governo junto com o garoto, e submetido a diversas experiências científicas. Tetsuo acaba escapando, mas seu então amigo, Kaneda, vê que não será fácil pará-lo…
Revendo Akira, é fácil saber porque a obra é tão cultuada e amada: a animação está tecnicamente perfeita, não envelheceu quase nada, ditou o que seria o mundo cyberpunk de Matrix e Ghost in the Shell, por exemplo, e mexeu em dois assuntos que estão em alta nas redes sociais: amizade (ou a falta dela) e intolerância.
Tetsuo e Kaneda eram amigos até a manipulação mental em cima de Tetsuo e, de forma indireta, a animação critica como as corporações influenciam nossas amizades e escolhas, sem contar que, em um ambiente de incertezas, a tolerância está quase zero e o Estado usa sua força para controlar a população.
Ok, Akira, felizmente, errou em uma coisa e não tivemos uma Terceira Guerra Mundial declarada até o momento, mas se tornou uma obra quase que obrigatória para fãs da cultura pop como um todo, tendo até o uniforme dos motoqueiros virado referência.
Quem não conhece o mangá pode ver o filme tranquilamente, pois o autor alterou alguns pontos. Não há obra melhor ou pior, as duas se completam e todos saem ganhando, sem briga, para definir qual o melhor. O importante é se deixar levar por esta obra-prima da animação e do cinema.
Mesmo que você jamais tenha lido ou visto Akira, não tem problema. Sempre há tempo para apreciar esta obra atemporal pela qual muitos já foram impactados de forma direta ou indireta. Poucas obras influenciaram tanto quanto Akira. O cinema atual das franquias deveria aprender.
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