Os irmãos Coen sempre foram amados e cultuados no mundo do cinema. Suas obras saem do senso comum e seus filmes não necessariamente têm começo, meio e fim, embora eles entendam como poucos a linguagem do cinema, tanto que seus filmes são ovacionados pela crítica, amados e discutidos pelos fãs do cinema mais cult, mas nunca tiveram o devido reconhecimento entre o grande público.
E quando decidem “jogar com a galera”, realizam filmes como O Amor Custa Caro e Matadores de Velhinha, que não são ruins, mas são muito “normais”.
Mesmo filmes reconhecidos pela Academia, como os excepcionais Fargo e Onde Os Fracos Não Têm Vez, fogem do padrão comum onde nada é o que parece ser.
Neste cenário, não é exagero dizer que o filme mais “fora da caixa” da dupla é O Grande Lebowski, que após o sucesso de crítica e de premiações de Fargo em 1996, o filme passou quase que despercebido na época, mas que hoje em dia é cultuado, muitos jovens cineastas se inspiram nele e hoje em dia é quase que obrigatório para fãs de cinema e de bons roteiros.
E assim como os igualmente brilhantes roteiros de Spike Jonze e David Lynch, não vá esperando grandes reflexões ou um filme que vá mudar a sua vida: é uma história sobre o nada, assim como a série Seinfeld.

Na história, Jeffrey Lebowski, ou The Dude, como ele mesmo gosta de ser chamado, está desemprego e sem perspectivas na vida, mas, basicamente, faz três coisas: usa drogas, ouve muito rock e joga boliche com seus amigos, Walter e Donny.
Certa vez ele é confundido com outro Jeffrey Lebowski: seu apartamento é invadido por dois sujeitos que cobram dinheiro por sua suposta esposa, Bunny. Dude tenta se explicar, mas um deles urina em seu tapete e ele quer vingança (sim, ele amava o tapete!)
Dude vai atrás do outro Lebowski, que é um milionário e, para reparar o dano pelo tapete, rouba um deles da mansão, mas o milionário pede para que Dude ajude a entregar a quantia pedida pelo resgate de Bunny. É quando Walter elabora um plano para desmascarar os sequestradores e ainda ficar com o dinheiro.
Em certo ponto do filme, a história é o que menos importa, o que vale mesmo é se deliciar pelas viagens dos irmãos Coen e as milhares de referências pop, sobretudo nos diálogos do trio, Dude, Walter e Donny no boliche.
A química entre Jeff Bridges, John Goodman e Steve Buscemi é incrível e aqui em O Grande Lebowski, temos o melhor papel de cada um, o que não foi fácil de chegar a essa conclusão, considerando suas carreiras.
Mas engana-se quem acha que o filme se resume ao trio, todo o elenco está maravilhoso: logo no começo temos a narração de Sam Elliott e já indica ao espectador que não se trata de um filme comum. Reparem também na presença sempre iluminada de Julianne Moore e do saudoso Philip Seymour Hoffman.

O Grande Lebowski também é muito bom tecnicamente: a montagem, assim como na maioria dos filmes dos Coen é rápida, dinâmica e trabalha em favor da história. Reparem também na cinematografia e na esfuziante paleta de cores, que altera, dependendo do cenário e do humor dos atores em tela.
Nada que o mestre Roger Deakins não esteja acostumado: há tempos ele era injustiçado no Oscar até que veio este ano com a fotografia de Blade Runner 2049.
É um dos grandes da categoria.
O Grande Lebowski é um dos melhores filmes dos irmãos Coen. Em uma vasta biografia com clássicos como Fargo, Onde Os Fracos Não Têm Vez, Bravura Indômita, Arizona Nunca Mais, entre muito outros, escolher o melhor filme da dupla se torna mais emocional do que racional.
E que este filme não seja esquecido, que ainda continue sendo amado e referenciado. O cinema, carente de autores, agradece!
CHAMADA: O Grande Lebowski é dos melhores e mais originais filmes dos irmãos Coen, é amado e cultuado por fãs de cinema, além de ser referência para muita coisa, mas jamais é superado!
