Muita coisa evoluiu no mundo da cultura pop: as adaptações de quadrinhos estão respeitadas, é o que ditam a moda em Hollywood e agora qualquer franquia de Hollywood quer um universo para chamar de seu.
As HQs também evoluíram, sobretudo com o interesse do público em saber o material de origem do que foi visto em tela e embora alguns mais conservadores teimem em achar que quadrinhos é coisa de criança, muitas HQs e filmes mais violentos e considerados para adultos conquistaram seu espaço e são tão bons (ou melhores) do que os filmes de super-heróis “para crianças”.
Deadpool, V de Vingança, Estrada para Perdição, Sin City, Dredd, entre outros, geraram grandes filmes, respeitados e elogiados por público e crítica. E Watchmen também entra facilmente nesta lista.
O filme é adaptado da HQ clássica de Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. É considerada por muitos como o melhor quadrinho da história e adaptá-lo para o cinema seria uma grande responsabilidade.
Desde os anos 90 já tentaram adaptar Watchmen para o cinema, mas só nos anos 2000 o projeto saiu do papel e ganhou vida. Até que em 2009, Watchmen – O Filme, chegava aos cinemas, carregado de expectativa e no meio do explosivo verão americano.
Para tentar vender para o grande público, o filme foi vendido como um filme de ação e uma história de heróis tradicional, coisa que ele não é. Estamos falando de uma obra densa, pesada, reflexiva e adulta. Tem até cena de sexo e nudez. O resultado foi um filme mais para os fãs do que para o grande público e Watchmen foi considerado um fracasso comercial, mas que logo foi ganhando uma legião de fãs e hoje recebeu o status de cult.
Se a HQ é considerada como das melhores de todos os tempos, tem muitos motivos para isso: é uma realidade alternativa, mas com pano de fundo a Guerra Fria, o governo Reagan e o interesse do Estado em banir os super-heróis (coisa que até Os Incríveis se inspiraram), sem contar os dramas pessoais de cada um e as histórias de conspiração, lembrando muitas tramas noir como Chinatown e Los Angeles – Cidade Proibida.
O diretor Zack Snyder captou bem esse espírito e nos apresentou a um grande espetáculo visual, desde a ótima direção de arte, a cinematografia com grandes planos e a ambientação da época.
Muitos torcem o nariz para Snyder hoje, sobretudo com a não-aceitação de muitos com Batman vs Superman e Liga da Justiça, mas não dá para negar seu legado em filmes como 300, o também cultuado Madrugada dos Mortos e até mesmo Sucker Punch.
E o elenco mais do que afiado: a maioria dos atores está fazendo sucesso até hoje, com a carreira consolidada e até ganhando prêmios: Jackie Earle Haley como Rorschach, Patrick Wilson como Coruja, Jeffrey Dean Morgan como o Comediante, Billy Crudup como o Dr. Manhattan, Malin Akerman como a Espectral (e seu visual jamais seria aprovado hoje em dia).
Foi difícil adaptar Watchmen para os cinemas, estamos falando de uma obra muito específica e com uma legião de fãs, mas Zack Snyder conseguiu unir as duas mídias, apresentando o filme mais fiel possível ao material original.
Gostar ou não de Watchmen é uma coisa, mas deve-se respeitar o legado e importância da obra, além do respeito aos seus criadores: tanto Alan Moore quanto Snyder.



