Nosferatu de Robert Eggers é Tragicamente Belo

Cartaz internacional de Nosferatu

Nosferatu, lançado em 1922, foi um marco para o cinema alemão e para o terror. A adaptação não autorizada de Drácula, de Bram Stoker, influenciou o gênero e se tornou um ícone da cultura pop. Mais de cem anos depois da primeira versão, Conde Orlok finalmente retorna em um remake dirigido por Robert Eggers. O longa chega aos cinemas brasileiros dia 02 de janeiro, com elenco de peso e uma visão renovada da estética gótica.

Uma História de Obsessão e Terror

A trama conta a história de Ellen Hutter, uma jovem assombrada por sonhos perturbadores que se torna alvo da obsessão do demoníaco Conde Orlok, um homem que vive sozinho em um castelo. Thomas Hutter, noivo de Ellen, viaja até a propriedade isolada para auxiliar o Conde na busca de seu novo lar. No entanto, ao chegar lá, percebe sinais de que forças sobrenaturais agem no local.

Sua chegada à cidade, onde Thomas e Ellen vivem, traz consigo uma terrível praga e uma onda de terror e acontecimentos inimagináveis que se alastram rapidamente. Porém, as intenções nefastas de Orlok envolvem muito mais do que estar em uma nova vizinhança. A paixão distorcida que nutre por Ellen é o que o move.

Beleza Gótica e Expressionismo Revitalizado

Nosferatu faz parte daquela classe de obras que seduz seu público a partir das sombras e do trágico. A roupagem gótica é responsável pelo sopro melancólico que permeia todo o longa. Além de ter essa estética bem explorada, as características do expressionismo alemão foram revitalizadas e exaltadas na versão de Eggers. É, de fato, um deleite visual tragicamente belo.

A diferença mais significativa quanto às duas versões está na ausência de luz ao mostrar a figura de Orlok, que está sempre envolto em uma penumbra e nunca se revela por completo. Eggers parece ter dado ouvidos a uma das maiores críticas quanto ao filme original: o excesso de luz sobre Nosferatu.

Elenco em Perfeita Sintonia

E por falar no personagem que dá título ao filme, Bill Skarsgard (It – A Coisa), que vem colecionando vilões no currículo, está incrível e irreconhecível no papel. Com próteses, maquiagem, figurino e ainda um trabalho de voz formidável, ele passará despercebido para olhos desavisados. Seu Nosferatu exala decadência e podridão. Skarsgard é hipnotizante e perturbador. Ele evoca uma energia predatória, o que o desperta a inquietação do espectador.

Nicholas Holt (The Great) traz um contraste bem-vindo. Seu Thomas Hutter é ingênuo e vulnerável e Holt demonstra perfeitamente seu desespero crescente, que transita da curiosidade intrínseca do ser humano para o total pavor causado pela insanidade. Não que curiosidade por si só justifique entrar em uma carruagem vazia e sinistra no meio da noite, mas é crível o suficiente para você se conectar ao personagem e ficar apreensivo por ele.

Lily-Rose Depp (The Idol), como Ellen, inicia destoando do restante do elenco ao demonstrar uma atuação mais etérea. A princípio essa escolha me causou estranheza, mas, ao longo do filme, essa delicadeza é justamente o contraponto necessário para dar à trama um equilíbrio quanto ao seu tom opressor. Principalmente quando levamos em conta que em uma narrativa gótica, a figura inocente e vulnerável às forças malignas é seu ponto central.

Aaron Taylor-Johnson (Trem-Bala) e Emma Corrin (Assassinato no Fim do Mundo), como o casal Friedrich e Anna Harding, também capturam bem os horrores que se espalham pela cidade com a chegada de Nosferatu. Willem Dafoe (O Farol), como o cientista ocultista Albin Eberhart Von Franz e Ralph Ineson (A Bruxa), como o Dr. Sievers, completam o núcleo principal de coadjuvantes. Ambos, que já trabalharam com Eggers em outras produções, estão excelentes e conseguem extrair muito de seus papéis.

Nosferatu: Um Renascimento para um Ícone do Terror

Desde sua estreia em 2015 com A Bruxa, Robert Eggers vem se provando, a cada longa, um excelente cineasta, capaz de imprimir em suas obras uma assinatura inconfundível. Por essa razão, quando Nosferatu foi anunciado sob seus cuidados, não foi apenas um alívio, foi uma constatação de que o projeto não poderia estar em melhores mãos. Na verdade, não consigo pensar em ninguém melhor para ele.

No fim, Nosferatu é a revitalização merecida para um ícone do terror que marcou tanto o gênero quanto a cultura pop. É visualmente deslumbrante e impactante, além de respeitar suas raízes. Com um elenco em perfeita sintonia e uma direção cuidadosa, o longa transita entre fascínio e assombro e convida o espectador a mergulhar em suas sombras. Vale cada centavo do ingresso.

Nosferatu estreia dia 02 de janeiro, somente nos cinemas.

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Nerd: Tamyris Farias

Designer e produtora de conteúdo apaixonada por cinema e cultura pop. Amante de terror e ficção científica, seja em jogos, séries ou filmes. Mas também não recuso um dorama bem meloso.

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