Mulher-Maravilha 1984 é maior e melhor

Mulher-Maravilha 1984 é dos filmes mais esperados de 2020 independentemente de pandemia. Após o sucesso de público e crítica do filme de 2017, a Warner Bros não perdeu tempo e já encomendou uma sequência.

E no que diz à pandemia, o filme foi adiado diversas vezes, havia uma expectativa se ele de fato estrearia no final de 2020 ou se seria adiado para 2021, como a grande maioria dos filmes, mas o estúdio fez uma estratégia nova: lançar o filme simultaneamente nos cinemas e em seu serviço de streaming, o HBO Max. E não apenas este filme, mas todos os grandes lançamentos da Warner.

A notícia veio como um choque, sobretudo para as redes de cinema, que já consideravam 2020 como um ano perdido e pode perder uma fonte importante de renda.

Um dos argumentos do estúdio foi proporcionar diversão ao seu público e em um ano difícil para a grande maioria das pessoas, ao menos ter um final digno.

E ao assistir a Mulher-Maravilha 1984 entendemos realmente a decisão e intenção dos executivos.

Mulher-Maravilha 1984 é maior porque…

Não só maior, mas é mais colorido e mais bonito do que o primeiro filme. Embora ainda exista o problema do CGI mal renderizado em algumas cenas importantes, não dá para negar que este filme é mais atraente e vibrante.

E o mais importante para o contexto de 2020: o filme apresenta uma mensagem muito bonita, envolvente e de esperança. É tudo o que as pessoas precisam após um ano em que fomos bombardeados por notícias trágicas.

Tudo isso graças à mão da diretora, roteirista e produtora, Patty Jenkins, que desde o primeiro filme entendeu a ideologia da personagem como uma heroína de coração puro e esse caráter abriu espaço para metáforas como a maldade e jogo de interesses da humanidade, poder dissertar sobre política, feminismo e até ao amor, sobretudo na química entre a Diana e Steve Trevor.

E por falar nele, havia muita expectativa em como o personagem retornaria após seu fim trágico no primeiro filme, que já havia sido divulgada nos trailers e materiais promocionais, mas descobrir junto com o filme o porquê é algo muito bacana.

Aliás, na conjuntura atual do cinema e da cultura pop é difícil escapar dos spoilers com a divulgação em massa das informações, ainda mais em um blockbuster. Mas assim como o maior filme da concorrência, Vingadores – Ultimato, quanto menos souber, melhor a experiência fica. Até mesmo quem não souber da história das HQs pode ser surpreendido com o que se vê em tela.

E os vilões?

E a surpresa pode vir principalmente na figura dos vilões, que são personagens novos para o grande público.

Pedro Pascal é Max Lord, é um homem de negócios ambicioso, frio e calculista. Para conceber o personagem e tornar um vilão empático ao grande público, Patty Jenkins não pensou duas vezes na característica do personagem: ele é um coach. E não é só isso: sua aparência imponente e de um homem de sucesso esconde sua relação complexa com as finanças a seu filho (que não parece, mas é muito importante ao filme).

No final das contas, ele acaba sendo o vilão principal, já que as consequências da trama ocorrem por causa da sua arrogância e megalomania.

Kristen Wiig é Barbara Minerva/Mulher Leopardo foi vendida como a vilã principal do filme e mesmo após a exibição dele quem achar isso não está errado, mas a construção da personagem é fascinante: de cientista tímida e carente, então amiga de Diana Prince, ela se torna mais corrompida pelas circunstâncias do mundo e não será difícil quem se simpatize com ela.

Aliás, descobrir porque Diana e Barbara vão de melhores amigas a inimigas e entender o motivo é uma boa sacada de roteiro.

Esqueceram de Mim: 30 anos depois

E a Gal Gadot nasceu para a personagem de Diana Prince/Mulher Maravilha. Neste filme ela também trabalha como produtora, seu cachê aumentou de forma exponencial – de 300 mil para 10 milhões – e ela está muito mais à vontade no papel, sem a ingenuidade do primeiro filme, mas mantendo a doçura e pureza, fazendo com que muitos se identifiquem e mantenham o coração aquecido nesses tempos sombrios.

Aliás, muitos a criticam como atriz dramática, mas é inegável que ela tenha evoluído em relação ao início de carreira e não há de duvidar dela querer papéis que a desafiem até para uma temporada de premiações no futuro.

Se o primeiro filme apresentou cenas memoráveis como a abertura com as amazonas e a inesquecível cena das trincheiras, Mulher-Maravilha 1984 tem uma cena de abertura igualmente excelente, um final muito bem amarrado que promete comover seu público e a cena do jato faz qualquer um ir às lágrimas.

Ainda é cedo para falar em um terceiro filme. Vai depender do sucesso comercial deste e da estratégia da Warner do lançamento “híbrido” entre cinema e streaming. Mas se não houver mais filmes com Gal e Patty tudo bem: este aqui é um filme-evento feito com o coração que mistura ação, feminismo, guerra política e relações humanas que tem tudo e mais um pouco para se tornar um jovem clássico.

Pena que o CGI seja tão problemático porque era muito merecedor de uma nota máxima.

Quem sabe em um 3º filme?

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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