Está chegando ao fim a temporada de Meninas Malvadas – O Musical, montagem brasileira da peça da Broadway lançada em 2018 (encerrada nos EUA em 2020 por causa da pandemia). Mas será que essa versão nacional está à altura da original? A resposta, felizmente, é um grande sim.
A novata Cady Heron é acolhida no topo da cadeia alimentar social por um grupo de elite de garotas populares chamado Plásticas, comandado pela rainha conivente Regina George. No entanto, quando Cady comete o erro grave de se apaixonar pelo ex-namorado de Regina, ela logo se vê presa na mira do grupo.
O filme Meninas Malvadas, lançado em 2004 com roteiro de Tina Fey e estrelado por Lindsay Lohan e Rachel McAdams, tornou-se um fenômeno cultural. Baseado no livro Queen Bees and Wannabes, o longa ganhou uma adaptação para os palcos em 2018 que rendeu 12 indicações ao Tony Awards — incluindo Melhor Musical.
A montagem brasileira finalmente chegou ao Teatro Santander, produzida pela Motsuki Public e dirigida por Mariano Detry. O elenco, que mistura nomes conhecidos e novos talentos, traz um frescor muito bem-vindo ao teatro musical nacional.
E o mais impressionante: Meninas Malvadas – O Musical brilha ao escalar um elenco diverso, com uma Regina George asiática, uma Cady e uma Karen negras — não apenas pela representatividade, mas por serem, de fato, atrizes incríveis.

Cady, Regina e o poder das Plásticas
Laura Castro encanta como Cady Heron. Ela transita bem entre a ingenuidade da garota nova na escola e a frieza da futura “abelha rainha”. Embora demore um pouco para convencer no segundo ato, especialmente na fase mais “popular”, sua química com André Torquato (Aaron) é envolvente. Aaron, aliás, é melhor desenvolvido aqui do que no filme.
Anna Akisue é simplesmente hipnótica como Regina George. Sexy, fria e com carisma de sobra, ela domina o palco. Sua Regina lembra a versão de Reneé Rapp, mas tem força própria. Os solos Someone Gets Hurt e World Burn são destaques absolutos — dignos de indicação ao Prêmio Bibi Ferreira.
Aline Serra, como Karen Smith, é um show à parte. Seu timing cômico é perfeito, e ela entrega exatamente o que o público espera: a “burra adorável” que arranca gargalhadas em cada cena. Sua performance em Sexy é hilária e cativante.
Gigi Debei, como Gretchen Wieners, dá à personagem uma camada emocional rara. Mesmo com o solo menos impactante (What’s Wrong With Me?), ela expressa ansiedade, insegurança e desejo de validação com honestidade comovente. É impossível não se apegar.
O trio da vingança e os coadjuvantes que brilham
Do outro lado, temos Janis e Damian, interpretados por Lara Suleiman e Arthur Berges. A química dos dois com Cady é contagiante. Desde A Cautionary Tale até Revenge Party e Where Do You Belong?, o trio domina o palco com energia caótica e inteligente. Arthur, em especial, capta bem o caos e a leveza do ensino médio.
Mas o grande momento vem com I’d Rather Be Me. Lara Suleiman transforma a canção em um manifesto. Força, carisma e autenticidade tomam conta do palco, fazendo o público vibrar.
O elenco de apoio também é destaque. Isaac Belforte e Danielle Witniss multiplicam personagens com graça e eficiência, sendo Danielle particularmente divertida como a excêntrica Sra. George.
Até mesmo as stand-bys brilham. Giovanna Moreira, que assumiu Cady e Regina em diferentes sessões, entrega interpretações próprias, com autenticidade e presença cênica marcante.
Meninas Malvadas – O Musical e seus tropeços
O único ponto fraco está em Gabriel Bresser como Kevin Gnapoor. Sua atuação soa forçada e a dicção compromete o número Whose House Is This?. O carisma necessário para o papel não se sustenta, e a cena perde força.
Por outro lado, o ensemble é um dos mais afiados da temporada. Sempre em sintonia, com coreografias vibrantes de Julia Sanchis, o grupo sustenta o ritmo do musical com energia e entrega — literalmente fazendo a peça acontecer nos detalhes.
Meninas Malvadas – O Musical vai deixar saudade. Mais do que uma adaptação fiel, é uma reinvenção local com força, estilo e personalidade. Com elenco apaixonado, coreografias marcantes, uma direção segura e grandes interpretações, a produção não só respeita a obra original, como em muitos momentos a supera.
Que venha o Bibi Ferreira. E que venham mais produções como essa.
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