Marvin é Urgente e Realista!

Anda decepcionado com os blockbusters? Os filmes de super-heróis já não te saciam mais? Então que tal ver um filme estrangeiro e alternativo?

Passado o explosivo verão americano, começam a aparecer os possíveis “filmes de Oscar”. E um que já surge como forte candidato é Marvin, filme francês muito relevante, competente e no cenário atual, onde todos podem e devem ter voz, inclusive quem é LGBT, este é o filme certo na hora certa.
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Na história, o Marvin do título é vivido pelo ótimo ator Finnegan Oldfield, um garoto no subúrbio de Paris que é reprimido por sua opção sexual pela família, mas principalmente pelos colegas de escola. Bullying é pouco, o que se vê em tela é quase caso de polícia, com direito a humilhação pública, abuso e até estupro.

Mas ele vê no teatro a chance de carreira e libertação, sobretudo na presença de um mestre que se torna amigo e da atriz Isabelle Huppert, interpretando ela mesma.

Quem dirige o filme é a cineasta Anne Fontaine, também diretora de Coco Antes de Chanel, que traz uma direção autoral, mordaz, mas sem sensacionalismos. É um filme que coloca a razão em cima da emoção, embora ele possa comover muito.

A sexualidade do protagonista é mostrada de forma humana, sensível e verdadeira. Marvin é um grito pela liberdade e não apenas se você é LGBT: se você já sofreu bullying ou já foi subtraído pelas suas escolhas ou personalidade, irá se identificar com o protagonista e com o filme.

Ou quem já viu na arte uma forma de liberdade ou de mudança de vida?
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Sem contar que, estruturalmente, o filme é uma grande aula de como montar um filme de 3 atos bem definidos: primeiro conhecemos o protagonista, o bullying na escola e sua família, depois vemos suas relações e talentos, até que vemos a ascensão de Marvin de fato.

Mas o filme não se resume ao protagonista: a família de Marvin é muito bem explorada, sobretudo seus pais, já que seu pai é bêbado e machista (também com a esposa) e sua mãe é alheia ao que acontece com seu filho na escola. Infelizmente esta é uma realidade em muitos lugares.

Vai ser difícil segurar as lágrimas e sair do filme da mesma forma que entrou. Assim como Entre os Muros da Escola (2008), Marvin mostra a realidade da educação mundial (mas com o foco na França) de forma cruel e realista. Sem enfeitar, mas sem chocar seu público.

Ainda é cedo para falar em Oscar e premiações, mas quem precisa de Oscar quando se tem uma enorme discussão e você pode exibir este filme em escolas e faculdades e ainda promover debates.

Se divertir no cinema é bom, mas vocês já tentaram ver algo diferente?

5 Vidas

 

 

 

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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