Dizer que Luca é o melhor trabalho da Pixar pode até parecer forçado, devido aos grandes filmes que a empresa já criou. Há poucos meses vimos o trabalho incrível em Soul, que eu fiquei encantado. Sem falar de Viva – A Vida É uma Festa, Divertida Mente e Os Incríveis!
Se a Pixar fosse uma banda, os críticos provavelmente diriam que seria os Beatles durante seus anos de estúdio. Eles se superam a cada lançamento, então podemos dizer que Luca é o melhor até o momento (até a próxima produção supera-lo).

Simplicidade que cativa
Você consegue sentir a forma como o filme captura o olhar inocente que uma criança tem sobre o mundo, a nostalgia invocada por um cenário de verão e o conflito de ter que vencer seus medos. Há intensidade na simplicidade e o filme leva isso a sério.
Tem coisa mais ingênua e simples do que acreditar que uma Vespa é a invenção mais bonita já feita pelo homem?
Pois é nisso que Luca (Jacob Tremblay), um jovem monstro marinho que passa seus dias pastoreando peixes e Alberto (Jack Dylan Grazer) acreditam.
O encontro dos dois praticamente força Luca a sair de sua zona de conforto enquanto eles participam de travessuras em uma ilha remota. E isso não agrada a mãe de Luca.
Luca e Alberto vivem seus dias aprendendo as regras do mundo da superfície, enquanto mantêm seu lado monstruoso em segredo. Lá, eles encontram uma amiga em Giulia, que os ajuda a realizar seu sonho de ter uma Vespa inscrevendo-se no triatlo local.
Isso tudo pode não parecer empolgante em comparação com os filmes da Pixar, que têm aventuras extensas em mundos fantásticos, mas são nesses pequenos detalhes reservados e sem adornos da vida que bate grande parte do coração do filme.
O coração de Luca
Eu pensei em Conta Comigo várias vezes enquanto assistia a Luca. Obviamente não porque tinha um monte de crianças xingando e fumando enquanto caminhavam para ver um cadáver, mas por como ele consegue captar o tipo de amizade que muitas pessoas tiveram durante a juventude.

A amizade deles parece tênue às vezes, tensa pela superfície do mundo em que sonham viver, mas, apesar disso, há uma verdadeira corrente subterrânea de amor. E como no clássico de Rob Reiner, os personagens são inevitavelmente confrontados com a difícil escolha de dar os primeiros passos para a maturidade.
“Silenzio, Bruno” se torna um mantra sobre como vencer seus medos e transforma o final em algo absolutamente lindo que fez meus olhos lacrimejarem.
Sobre os personagens de Luca
Tremblay e Grazer parecem sentir como as contrapartes da vida real de seus personagens. Este foi um filme totalmente produzido durante COVID, o que significa que as estrelas não foram capazes de gravar na mesma sala, como é normalmente. Mesmo assim, suas performances parecem tão autênticas e verdadeiras. Não sei se Grazer e Tremblay são bons amigos na vida real, mas este filme convence você que sim.
Grazer é fantástico e realmente carrega aquela vulnerabilidade descarada que torna Alberto um personagem tão ressonante. Você não pode suportá-lo em um momento, mas depois derrama lágrimas por ele.
Tremblay é simplesmente encantador dando vida ao personagem título. É possível sentir a ingenuidade do personagem apenas pelo seu tom de voz.

Os personagens de apoio são todos muito divertidos de assistir também. Giulia é encantadora com seu jeito destemido e com uma pitada de sarcasmo. Maya Rudolph e Jim Gaffigan dublam os pais monstros marinhos malucos de Luca. Embora eles obviamente desempenhem um papel emocional crítico na jornada de Luca, trazem ótimas as risadas para boa parte do filme.
Massimo, o gato Maquiavel, e até mesmo o vilão / valentão Ercole, também são divertidos de assistir.
Continua sendo Pixar
Sem falar dos visuais lindos criados pela equipe da Pixar. Sua versão da Riviera italiana é de tirar o fôlego, embora exagerada para parecer mais uma pintura impressionista. O filme é um puro deleite para os olhos e ouvidos com suas vistas vibrantes e a trilha sonora italiana de inspiração vintage.
Com sua grande energia do Studio Ghibli e um conto antiquado sobre amizade e superação de medos, Luca é um novo tipo de filme da Pixar por si só. Pode não ter a ambição existencial de Soul nem a diversão de super-heróis oferecida pelos Incríveis, mas tem um coração diferente de qualquer outro e isso torna o filme perfeito para se sentir bem para assistir nos dias de hoje.
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