Chega aos cinemas nacionais o aguardado filme Lobisomem (Wolf Man), dirigido por Leigh Whannell e distribuído pela Universal Pictures. Como o título sugere, trata-se de uma história em que uma família se vê perseguida por um lobisomem. No entanto, o filme vai além da abordagem tradicional da criatura, trazendo uma perspectiva única, inspirada em clássicos do gênero, especialmente o icônico A Mosca de 1986, que foca no drama da transformação.
Lobisomem segue a história de Blake, um homem que, ao se ver diante da transformação em lobisomem, luta para manter sua sanidade. O filme se destaca por focar no processo doloroso da transformação, ao invés de apenas nas cenas de ação ou efeitos visuais. A trama se desenrola em três fases: começa com o passado de Blake, passa para o presente, onde ele vive com sua mulher e filha, e culmina na luta pela sobrevivência enquanto a transformação o consome. A maior parte do filme ocorre em uma área remota e selvagem dos Estados Unidos, criando um cenário isolado e tenso.

O filme segue a fórmula clássica, dividindo a narrativa entre o passado, o presente e a luta pela sobrevivência. A introdução do passado de Blake e o foco no momento atual, em que ele e sua família lidam com os desafios da vida cotidiana, prepararam o terreno para a parte mais importante do filme: a transformação e o surgimento do lobisomem. Esse processo de transformação, um dos maiores atrativos do filme, é mostrado de maneira única, retratando a gradual perda de controle de Blake, suas mudanças psicológicas e físicas.
O Novo Lobisomem
Lobisomem se destaca pela forma em que explora a tragédia da transformação. Embora a premissa – uma família isolada sendo perseguida por uma criatura mortal – seja comum e tenha sido explorada em várias outras produções de terror, o foco do diretor Leigh Whannell no processo psicológico da mudança torna o filme diferente. Inspirado por A Mosca (1986), Whannell dedica-se a mostrar o impacto físico e emocional de uma transformação, o que oferece uma abordagem mais sombria e introspectiva sobre o mito do lobisomem.
Apesar de ter um enredo relativamente simples e previsível, o filme surpreende ao concentrar-se no aspecto psicológico do personagem principal. A tensão crescente e o sofrimento de Blake são explorados com profundidade, oferecendo uma perspectiva rara sobre a experiência de se tornar um monstro, o que ajuda a distinguir o filme de outros títulos da mesma temática.

Um dos pontos fortes do filme é a forma como ele aborda a transformação de Blake. A maneira como ele passa a enxergar o mundo de forma distorcida, incapaz de entender ou se comunicar com os outros, adiciona um toque genuíno de desespero à trama. A comunicação quebrada entre ele e os outros personagens cria um distanciamento emocional e psicológico, amplificando o drama de sua luta interna.

Em termos de atuações, o elenco entrega performances razoáveis, mas algumas falhas podem ser notadas, principalmente nos personagens secundários, que parecem um tanto apáticos no começo. No entanto, a situação melhora conforme o filme avança, com os personagens começando a se envolver de forma mais convincente à medida que o conflito se intensifica. A interpretação de Blake é especialmente cativante, refletindo a intensidade da luta interna e externa pela sobrevivência.
O filme não se apóia em efeitos visuais deslumbrantes; ao contrário, opta por um enfoque mais minimalista, preferindo explorar o horror psicológico da situação. Isso cria um ambiente mais tenso e imersivo, onde a verdadeira ameaça é a transformação de Blake e não necessariamente o lobisomem em si, que aparece em poucas cenas ao longo da narrativa.

Um ponto negativo significativo é o tratamento do conceito de lobisomens no filme. Embora essa lenda seja amplamente conhecida e difundida no imaginário coletivo, Lobisomem (2025) parece ignorar a existência de tal folclore. Mesmo ambientado na atualidade, os personagens agem como se nunca tivessem ouvido falar sobre lobisomens, vampiros, fantasmas ou zumbis, o que cria uma sensação de absurdo no contexto do mundo em que vivemos. Isso transmite a impressão de que o autor forçou essa escolha para fazer o filme funcionar da maneira desejada, sem considerar como esse tipo de lenda já é uma parte do nosso cotidiano cultural. Afinal, quem nunca ouviu falar sobre lobisomens?
No geral, Lobisomem é satisfatório na maioria dos aspectos e proporciona uma experiência positiva no cinema. Seja pela nostalgia que evoca ou pela proposta de trazer um toque mais realista e humano para o clássico conto de lobisomem. No entanto, o filme peca justamente ao não reconhecer o amplo conhecimento que o público tem sobre o tema, o que poderia enriquecer a trama.
Portanto, Lobisomem entretêm, mas não é revolucionário ou excepcional. Contudo, surpreende pela ênfase no drama e desespero causado pelo processo da transformação, o que torna a experiência única dentro do gênero.

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