Kayara A Princesa Inca – Uma decepção do início ao fim!

Kayara A Princesa Inca, nova animação da Paris Filmes, dirigida por Dirk Hampel e César Zelada, estreou em 20 de fevereiro e empolgou os espectadores por propor uma animação que falasse dos povos nativos da América Pré-Colombiana. O filme aposta em representatividade e aventura para cativar todas as idades.

Kayara é uma jovem de 16 anos que sonha em ser Chasqui, uma mensageira real do Império Inca. Para alcançar seu objetivo, Kayara precisa quebrar a tradição de que só homens poderiam ser mensageiros reais e, assim, se tornar a primeira mulher entre os lendários Chasquis. Em sua jornada, ela enfrenta desafios, desbrava terras perigosas e protege a misteriosa Cidade Dourada de ameaças inesperadas.

Kayara novo filme da Paris Filmes

Uma experiência decepcionante

Apesar do título em português ser, Kayara: A Princesa Guerreira, a animação não sustenta essa ideia e contradiz um de seus poucos acertos. Kayara, filha de um Chasqui, sonha em seguir os passos do pai, mas enfrenta a proibição imposta ao seu gênero. Os Chasqui, embora respeitados, não pertencem à nobreza, mas sim ao grupo de funcionários reais. Kayara, portanto, é uma jovem do povo que desafia as tradições de sua sociedade, sem qualquer vínculo com a elite inca.

A estória se passa em Paititi a lendária Cidade Dourada, um reino perdido situado nos lados inexplorados das florestas peruanas , na região abrangida pelas densas Selvas Amazônicas. Povos nativos da Amazônia aparecem na narrativa, o que é empolgante no primeiro momento, afinal, não é sempre que temos a oportunidade de ver nossos nativos em narrativas antes da colonização europeia. Mas então, começam os estereótipos que levam a indignação.

Não querendo ser chata, mas um filme que se propõe a representar os povos pré-colombianos desperdiçou a chance de manter o nome original de um dos animais domésticos mais populares da época. A domesticação dos hoje chamados “porquinhos-da-índia” aconteceu muito antes da chegada dos europeus ao continente americano. Talvez a dublagem tenha adaptado o nome para se conectar melhor com o público, mas, como historiadora, gostaria de ver Kayara chamando seu animal de estimação de quwi ou cuy, termos ainda usados em países como Peru, Bolívia e Equador.

Dai pra frente, é só pra trás. A narrativa conta com três arcos e nenhum deles é bem trabalho, fica a sensação de que tudo é corrido, nada é explicado, são vários cortes secos que te joga de uma aventura pra outra sem conexões orgânicas. Isso, sem falar do final repentino que te deixa com a sensação de “acabou?”.

Assistiria Kaiara a Princesa Inca novamente?

Apesar dos deslizes, é uma das poucas animações sobre povos pré-colombianos com uma protagonista feminina. Kayara tem seus próprios sonhos e é reconhecida pelas habilidades que levou anos para desenvolver. Isso é o que nossas meninas precisam ver.

Dois elementos me chamaram positivamente a atenção. O primeiro é a inserção dos quipus, o sistema de escrita dos incas. O segundo é a cosmologia. Os céus guiavam os antigos e são uma presença forte no filme. Todas as cenas sobre a visão inca do cosmos prendeu minha atenção.

Mesmo sendo ao meu ver uma mistura desengonçada de El Dourado, Mulan e A Nova Onda do Imperador. Assistiria novamente com meus sobrinhos, o longa pode ser usado como um passo para provocar a curiosidade dos pequenos em conhecer mais da cultura do nosso continente. Agora, sozinha? Ai eu passo a bola…rsrsrs

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Nerd: Lais

Queria ser uma digiescolhida, mas sou apenas uma historiadora apaixonada por Star War, livros e tudo que há de bom.

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