Invocação do Mal 4 tem final morno para a franquia | CRÍTICA

“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” chega aos cinemas com a promessa de encerrar uma das franquias mais bem-sucedidas do terror contemporâneo. No entanto, o que deveria ser uma despedida grandiosa de Ed e Lorraine Warren acaba soando como um epílogo morno, previsível e sem o peso emocional ou estético dos filmes anteriores. Esta crítica de Invocação do Mal: O Último Ritual destaca os altos e baixos desse capítulo final que fecha a história, mas não o ciclo de impacto que a saga construiu.

Um caso sem impacto e sem medo

Na trama, os investigadores paranormais mais famosos do cinema enfrentam seu último grande desafio: banir um demônio que assombra uma família. Patrick Wilson e Vera Farmiga retornam com a mesma química, mas suas performances carecem de intensidade. O motivo? A direção apagada de Michael Chaves, que mais uma vez demonstra dificuldade em imprimir personalidade às cenas. Sem a mão firme de James Wan, tudo soa mais protocolar do que visceral.

Invocação do Mal 4

A cena inicial, um marco tradicional da franquia por estabelecer o tom e causar impacto imediato, falha completamente. Fraca, genérica e sem atmosfera, ela já antecipa o que vem pela frente: uma sucessão de jumpscares reciclados, alguns quase idênticos aos de Invocação do Mal 2, mas sem a mesma precisão de ritmo ou construção de tensão.

Destaques inesperados e uma narrativa estagnada

Curiosamente, Invocação do Mal 4 brilha mais quando se afasta de seus protagonistas. Ben Hardy e Mia Tomlinson, nos papéis de Tony Spera e Judy Warren, trazem um frescor bem-vindo, e seus personagens acabam ganhando um espaço surpreendente e mais carismático do que os próprios Ed e Lorraine. Já os jovens Orion Smith e Madison Lawlor, interpretando versões mais novas do casal, são convincentes e respeitosos à essência dos personagens, ainda que limitados pelo roteiro.

E por falar em roteiro: há pouco a se elogiar. A família central não cativa, o caso é raso e o desenvolvimento narrativo é lento, com momentos que se arrastam sem propósito. A proposta de mostrar o caso que levaria à “aposentadoria” dos Warren até soa interessante, mas falta ousadia para tornar esse adeus memorável. A sensação é de um filme que se estende 30 minutos além do necessário e que entrega pouco em troca.

Invocação do Mal 4 é um final emocional, mas tardio

Ainda assim, os minutos finais conseguem resgatar parte da emoção que sempre permeou a relação do casal Warren. É nesse epílogo silencioso, longe dos gritos e aparições demoníacas, que o longa se conecta novamente com sua essência: o amor, a fé e a luta pelo outro, temas que sempre deram alma à franquia.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual poderia ser um clímax poderoso. Em vez disso, é um encerramento tímido, que recicla fórmulas sem reinventar o terror. Um capítulo final que se despede mais por obrigação do que por vocação e que, apesar de momentos pontuais de emoção, deixa saudade do impacto que a saga já foi capaz de causar.

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Nerd: Marina Bueno

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