No Brasil ele é mais conhecido por uma piada em Chaves, outros o conhecem pela música do Black Sabbath, mas a verdade é que o Perry Mason é um personagem folclórico e importantíssimo na história da TV americana: ele é um advogado fictício, criado por Erle Stanley Gardner e já defendeu mais de 80 clientes acusados injustamente por crimes que não cometeram.
E vendo todo esse histórico, a HBO não perdeu tempo e já encomendou uma série desse personagem histórico.
Criada por Ron Fitzgerald, Rolin Jones e tendo o astro Robert Downey Jr. junto com sua esposa, Susan na produção, a ideia era fazer uma minissérie, mas com tantas ideias na cabeça e tamanho sucesso comercial, a HBO não hesitou em confirmar a segunda temporada da série.
E isso é uma ótima notícia por vários motivos: além do óbvio de manter a série no ar e aquecer o coração dos fãs, a série pode ter mais presença na temporada de premiações, e por se tratar de um produto da HBO, que precisa manter seu catálogo cheio após o fenômeno de Game of Thrones, o sucesso da série pode fazer com que seu serviço de streaming ganhe mais assinantes.
Além disso, um acerto de Perry Mason está em focar não apenas na história do protagonista e seus dramas pessoais, mas em algum caso de seus clientes, o que pode garantir mais temporadas (afinal, são mais de 80 clientes) e dissertar sobre diversos outros temas.
Esta primeira temporada, que acontece durante o ano de 1932, é focada em Emily Dodson, uma mãe que viu seu filho morrer e no velório do seu filho, foi acusada, injustamente, de matá-lo.
Perry (vivido pelo sempre ótimo Matthew Rhys) aceita o caso e além de ter que lidar com a promotoria e seus argumentos, ele ainda precisa lidar com o ódio da população e com a sua cliente sendo hostilizada, tanto pelo povo, tanto pela imprensa.
E quanto mais os episódios avançam, mais segredos descobrimos: nem sempre aquilo que parece ser a verdade absoluta e óbvia são os fatos reais. A série tem a inteligência e elegância de atiçar o espectador em querer descobrir mais e junto com a série, evoluindo a cada episódio até seu desfecho extraordinário, embora o espectador não fique envolvido com a série logo de cara (o primeiro episódio é confuso e arrastado).
A série ainda conta com a presença da sempre ótima Tatiana Maslany (vencedora do Emmy por Orphan Black), que interpreta a irmã Alice, uma líder religiosa que fica dividida entre a sua fé, a hostilização pública contra sua amiga Emily e seu “segredo” da ressurreição.
Quem dirige a maioria dos episódios é Tim Van Patten, que já trabalhou na HBO em episódios de Game of Thrones (incluindo o primeiro episódio da série), além de Hang The DJ, considerado por muitos um dos melhores episódios de Black Mirror.
Não é apenas na história e nos personagens que Perry Mason acerta, mas em sua produção também, que está muito caprichada e nota-se o esmero dos envolvidos, sobretudo em seu figurino e o excelente design de produção e reconstituição de época de um EUA ainda com os efeitos da Grande Depressão e a lei seca imperando.
Perry Mason é mais um acerto da HBO, com uma grande história, personagens e produção. A série é um sucesso, estreou na faixa nobre da emissora (domingo 22h) e embora o canal não tenha encontrado um fenômeno global como Game Of Thrones, tem méritos e competência para muitas temporadas e prêmios.




