Epidemia: 25 anos depois

Epidemia foi um filme de muito sucesso na ocasião do seu lançamento. Custou 13 milhões e faturou 189 nas bilheterias mundiais, mas não se tornou exatamente um clássico. Pelo contrário, foi sendo esquecido com o passar dos anos, quase se tornando cult, mas ainda com muitos fãs e sempre citado quando o assunto era vírus.

Mas tudo mudou com a pandemia global da COVID-19, ou simplesmente o Coronavírus. A população mundial começou a ficar em quarentena, cada um em sua devida casa, todos os grandes eventos foram cancelados ou adiados e a cultura caseira, como filmes, séries e livros se tornou o entretenimento de muitos.

E um vírus de proporções mundiais gera diversos sentimentos, como pânico e desespero, mas também curiosidade. Quem não é estudioso na área quer saber mais e entender como uma nova ameaça funciona é uma das chaves para evitá-la.

Neste cenário, alguns filmes se tornaram mais assistidos como Contágio (se tornando mais conhecido agora do que no seu lançamento, em 2011), Os 12 Macacos, Extermínio e Epidemia, além de muitos outros.

Epidemia é dirigido por Wolfgang Petersen (Mar em Fúria, Poseidon) e conta a história de um vírus letal que dizimou uma população do Zaire, na África (em uma clara referência ao vírus Ebola). Um macaco que foi trazido de forma clandestina está infectado pelo vírus e aos poucos começa a contaminar a espécie humana com uma velocidade assustadora, deixando a população em quarentena.

O Dr. Sam Daniels (Dustin Hoffman) e sua ex-esposa, Robby Keough (Rene Russo) lutam contra o tempo para descobrirem a cura, mas são afastados do projeto por pressão dos poderosos.

Quem conheceu o filme por conta dos acontecimentos da COVID-19 tem um ponto de vista do filme: o de como o mundo reage a uma pandemia e o comportamento de todos, se tornando assustadoramente atual.

Hoje em dia é “fácil” ver sob essa ótica, mas era difícil vender o filme com um assunto então fora da realidade para muitos, por isso, há outras formas de enxergar o filme, como um thriller de ação e suspense, história de conspiração governamental ou ainda uma desesperada corrida pela verdade.

A ação é feita com competência e embora seja um blockbuster com o intuito de entreter o povo (quem o enxerga como documentário está errado), é um filme de gente grande, com poucos alívios cômicos e com uma temática mais pesada para as audiências mais novas.

E um dos acertos do filme está na denúncia das entrelinhas do roteiro: um governo que quer esconder uma praga e lucrar com ela, sobretudo na figura do Donald Sutherland. E também no jogo de interesses (ou falta de interesse) da morte de pessoas esquecidas pelo sistema: basta ver o tratamento da mídia com um vírus como o Ebola, que se propagou na África ou no Coronavírus, que começou seu pico na China, 2ª economia mundial.

Sem contar as boas atuações de Dustin Hoffman, Rene Russo e Morgan Freeman, além de um Kevin Spacey em início de carreira e o jovem promissor Cuba Gooding Jr.

Epidemia é um filme que entretém seu público, sobretudo pela ação e suspense, mas se tornou fundamental em uma sociedade tomada por um vírus que alterou a forma de como nos relacionamos, consumimos ou cuidamos da saúde.

Quem disse que a arte não pode imitar a vida?

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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