Duna: Parte 2 é espetáculo para ver na maior tela possível

Duna: Parte 2 finalmente chega aos cinemas com um espetáculo de proporções colossais. E não falo apenas das longas 2h46m de duração, e sim do filme como um todo, já que Denis Villeneuve abraçou a grandiosidade do projeto de forma literal. Já o havia feito no antecessor, porém, o caráter épico da obra foi elevado à enésima potência aqui, restando ao espectador apenas relaxar e apreciar tamanha imponência.

Capa Duna Parte 2

E sejamos honestos, assim como o primeiro longa, Duna: Parte 2 é opulento. E o é sem o menor pudor ou arrependimentos. Assume sua aura de pedantismo de forma honesta sem sequer tentar esconder sua pompa atrás de falsa modéstia. Para alguns, a arrogância de um diretor que já chegou a declarar que “odeia diálogos” e que o poder do cinema é “imagem e som puros”, pode criar uma certa resistência na imersão.

E realmente, ninguém se lembrará de Duna, Parte 1 ou 2, pelos seus diálogos. Se lembrará pela suntuosidade, pelos vermes de areia e pelas naves gigantescas. Dito isso, o contraste entre o vazio minimalista e a opulência de amplos cenários pode tornar tudo tão contraditório ao ponto de deixá-lo insípido, não relacionável. Resultando em uma experiência monótona e superficial. Para mim, trouxe apenas equilíbrio.

Paul Atreides Busca por Vingança em Duna: Parte 2

Em Duna: Parte 2, após os eventos que culminaram na queda da família Atreides em Arrakis, Paul encontra refúgio entre os Fremen. Nessa nova realidade a qual terá que se adaptar, ele se conecta profundamente com Chani, uma Fremen que é figura presente em suas visões. Nesse cenário, Paul inicia uma jornada em busca de vingança contra os conspiradores que orquestraram a ruína de sua família.

A vingança de Paul Atreides

Contudo, à medida que Paul se aprofunda em sua missão de justiça, ele se depara com uma difícil escolha: seguir seu desejo de vingança ou abraçar seu destino profético como o Lisan al Gaib. Isso resulta, então, em uma batalha interna entre suas emoções mais profundas e a responsabilidade de moldar o curso da história. Em meio a uma trama repleta de intriga, conspiração e perigo iminente, ele se vê como o único capaz de vislumbrar o futuro terrível que se aproxima. Paul se torna, então, um elemento crucial na luta pelo controle de Arrakis e da especiaria.

A Evolução da Construção do Enredo em Duna: Parte 2

Uma das queixas de alguns em relação ao filme anterior foi a dificuldade em se conectar com os personagens e se importar com eles. Sendo a demora em seu desenvolvimento e a complexidade da narrativa alguns dos principais fatores. De fato, Duna: Parte 1 é um grande prólogo. Uma preparação de mais de 2h para um clímax que só chega em seus minutos finais. Um problema apenas para quem não gosta de narrativas mais lentas. O que não foi o meu caso.

Apesar de não achar que fosse uma questão, Duna: Parte 2 apresenta uma construção um pouco mais objetiva. Embora que em seu primeiro ato os acontecimentos ainda se prendam a uma contemplação e tomem o devido tempo, a execução é visivelmente mais ágil. Para além disso, com os personagens já pré-estabelecidos, ficou mais fácil para o público se conectar aos seus anseios.

Atuações Notáveis em um Universo Épico

Paul Muad'Dib

Reprisando seu papel como Paul Atreides, Timothée Chalamet está bem mais à vontade com seu personagem. Soube dosar perfeitamente as nuances de seu dilema, transmitindo de forma eficaz a complexidade das decisões que precisava tomar. Graças a ele, a evolução de Paul é perceptível. Desde seu perfil vulnerável e repleto de dúvidas até o implacável e decidido Muad’Dib.

Rebecca Ferguson mantém a maestria em sua performance como Lady Jessica, a mãe de Paul e membro da ordem das Bene Gesserit. A determinação e a força interior de Jessica, são perfeitamente retratadas por Ferguson. Assim como suas lutas internas e dilemas éticos. Já Zendaya, que teve uma participação pequena no primeiro longa, retorna na Parte 2 com uma performance sólida como Chani, aliada e interesse amoroso de Paul.

Stellan Skarsgård também retorna como o Barão Vladimir Harkonnen, que, com poucos movimentos, consegue transmitir uma aura ameaçadora. Cruel e malicioso, o Barão de Skarsgård é um vilão memorável e repulsivo. Das novas adições ao elenco, Florence Pugh e Austin Butler trouxeram atuações emblemáticas com suas personagens. Seja a confiante Irulan ou o sociopata herdeiro Harkonnen, Feyd-Rautha.

A Magnificência Visual de Duna: Parte 2

Denis Villeneuve possui um talento único para criar mundos e isso é inquestionável. Com uma sensibilidade visual perspicaz, ele faz de Duna: Parte 2 um épico com doses equilibradas de batalhas estonteantes e momentos intimistas. A contemplação indescritível ficou com o primeiro filme. Aqui, a ação foi valorizada e favorecida, mas sem nunca esquecer dos detalhes e do minimalismo característicos da obra.

Duna, de Frank Herbert, é uma história difícil de adaptar. Que, apesar de seguir a cartilha da jornada do herói à risca, possui uma mitologia cheia de alegorias e toca em temas importantes e sensíveis, como política, sustentabilidade, religião e conflitos culturais. Traduzir isso em tela para um público leigo é uma tarefa difícil, e creio que Villeneuve foi extremamente bem-sucedido. Infelizmente, sua grandiosidade pode soar arrogante e afastar muitos que o medem com ares de charlatanice.

Visualmente falando, Duna: Parte 2 é um espetáculo de grandes proporções, que merece ser visto na maior, e melhor, tela disponível. Uma experiência de puro som e imagem, exatamente como Villeneuve gosta de descrever sua ideia de cinema. Desde a paleta de cores aos detalhes minuciosamente trabalhados, tudo grita “épico” no longa. É justamente esse cuidado que consegue envolver e transportar o espectador para esse mundo arenoso e belo, ou afastá-lo.

Ajudando a Construir um Épico

E o que dizer da trilha sonora e do primoroso design de som de Duna: Parte 2? É possível dizer que uma grande parte da magnitude do filme é creditado a Hans Zimmer e sua composição. A utilização de elementos étnicos dá textura às melodias suaves e cria uma coesão musical que se funde perfeitamente ao que está sendo mostrado em tela. Há quem diga que é barulhento demais, monumental demais. Para mim, ajudou a me conectar ainda mais ao que estava vendo. O uso da percussão em melodias mais serenas causa impacto, além de contribuir para o senso de mistério e contraste das partes em conflito. A utilização de sintetizadores contribui para a atmosfera futurística da obra. Impecável, eu diria.

Duna: Parte 2 é Cinema de Tirar o Fôlego

Duna: Parte 2 emerge como um épico cinematográfico de proporções monumentais, onde Denis Villeneuve leva os espectadores a uma jornada envolvente e visualmente deslumbrante pelo universo de Duna. Com uma narrativa mais ágil e uma construção aprimorada de personagens, o filme cativa tanto os fãs do material de origem quanto os espectadores novos. Embora possa soar imponente para alguns, a grandiosidade do filme é um testemunho da visão audaciosa de Villeneuve e seu talento incomparável para criar mundos cinematográficos ricos e imersivos. Em suma, Duna: Parte 2 é uma obra-prima que merece ficar gravada na memória dos amantes de ficção científica por muito tempo. Para ver e rever.

Duna: Parte 2 está disponível somente nos cinemas.

Posts Relacionados:

Plano de Aposentadoria é farofa e não deve ser levado a sério

Ferrari é um “filme de marca” feito com inteligência

O Jogo da Morte tinha algo a dizer, mas desistiu no meio do caminho

Não esquece de seguir o Universo 42 nas redes sociais:

Instagram YouTube Facebook

Nerd: Tamyris Farias

Designer e produtora de conteúdo apaixonada por cinema e cultura pop. Amante de terror e ficção científica, seja em jogos, séries ou filmes. Mas também não recuso um dorama bem meloso.

Share This Post On