Dreamgirls transforma uma história de girlband em arma cultural absoluta

Dreamgirls não é apenas um musical, é um manifesto. Um espetáculo que prova que uma girlband pode ser uma força contra o racismo e a apropriação branca de espaços que sempre foram da cultura negra.

Effie White, Deena Jones e Lorrell Robinson moram em Chicago e formam um grupo musical, as Dreamettes. Graças ao empresário manipulador Curtis Taylor Jr., elas conseguem acompanhar um famoso cantor de soul e entram no estrelato. Mas os conflitos surgem quando Curtis decide transformar as Dreamettes nas Dreams, substituindo Effie por Deena como vocalista principal, revelando seus interesses pessoais e abalando a amizade entre as integrantes.

Da Broadway ao Brasil: uma história de resistência

Desde sua estreia em 1981, Dreamgirls marcou a história do teatro, vencendo 4 Tonys, incluindo Melhor Atriz para Jennifer Holliday. Em 2006, ganhou uma adaptação para o cinema com Jennifer Hudson, Beyoncé e Anika Noni Rose, rendendo a Hudson um Oscar. Recentemente, brilhou em Londres e, agora, chega ao Brasil com a mesma força e relevância cultural.

No dia 31 de julho, o musical estreou no Teatro Santander, ocupando o espaço deixado por Meninas Malvadas. Mas Dreamgirls não apenas ocupa, ela impõe sua presença com potência avassaladora.

Dreamgirls tem um elenco que é pura força

Na sessão em que estive presente, Suzanna Santana assumiu o papel de Effie (substituindo a incrível Letícia Soares) e entregou uma atuação monstruosa. Suzanna traduz todas as camadas da personagem: força, vulnerabilidade, raiva e dor. Cada canção dela é um impacto emocional, principalmente no icônico “And I Am Telling You I’m Not Going”, que faz você querer se levantar e aplaudir de pé antes mesmo de acabar.

Laura Castro, como Deena Jones, impressiona pela maturidade artística. Sua evolução no palco é clara, e no dueto “Listen” com Suzanna, temos um dos momentos mais intensos da peça, uma aula de força, empoderamento e perdão.

Samantha Schmutz e Reynaldo Machado equilibram a tensão com momentos de humor, oferecendo respiros cômicos que funcionam sem tirar o peso dramático da história.

Curtis Taylor Jr.: a serpente do poder

Toni Garrido está em uma das melhores performances da carreira. Curtis é um predador silencioso, uma cobra à espreita, sempre pronto para manipular. Garrido entrega essa tensão com naturalidade, tanto nas falas quanto no canto. Suas cenas com Marty (Eduardo Silva) são um duelo de titãs, um verdadeiro balé de poder e impacto.

Direção e coreografia de nível internacional

A direção de Gustavo Barchilon é milimétrica: cada gesto, cada intenção, cada transição de cena tem propósito. Já as coreografias de Rafa L são um espetáculo à parte: dinâmicas, precisas e vibrantes, no nível da Broadway e do West End. É um trabalho que honra a essência do musical sem perder a originalidade brasileira.

Dreamgirls Brasil é imersivo, grandioso e brutalmente poderoso. Um espetáculo que coloca o teatro musical brasileiro em outro patamar, mostrando que a força da representatividade negra é vital e urgente no palco.

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Nerd: Marina Bueno

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