Dezembro de 2005 confirma por que o mês é sinônimo de grandes lançamentos

Sabe por que dezembro de 2005 costuma ser lembrado como um dos períodos mais fortes do cinema? Porque o mês tradicionalmente mistura blockbusters pensados para grandes bilheterias com filmes estrategicamente lançados para a temporada de premiações do ano seguinte. Dessa forma, dificilmente faltam opções para o público aproveitar o fim de ano na telona.

As Crônicas de Nárnia e a fantasia de dezembro de 2005

Após o sucesso colossal de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, diversas franquias literárias de fantasia tentaram surfar nessa onda. No entanto, poucas conseguiram furar a bolha. As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa foi uma das exceções, ao menos em seu primeiro capítulo.

Baseado na obra de C. S. Lewis, o filme levou multidões aos cinemas e arrecadou mais de 750 milhões de dólares mundialmente. A Disney investiu pesado em marketing e divulgação. Como resultado, entregou um longa bem realizado, que marcou a formação cinematográfica de toda uma geração, mesmo que suas continuações não tenham repetido o mesmo impacto.

King Kong e o peso da expectativa

Ainda embalado pelo sucesso de O Senhor dos Anéis, Peter Jackson lançou em dezembro de 2005 sua versão de King Kong. Embora não tenha sido um fracasso comercial, o filme não alcançou os números esperados pelo estúdio.

Com mais de 550 milhões de dólares arrecadados, o resultado foi sólido para a época, mas distante do fenômeno bilionário de O Retorno do Rei. Além disso, esta não se tornou a versão definitiva do personagem, já que o clássico de 1933 permanece imortalizado. Ainda assim, o filme de Jackson é competente, atualiza a história para uma nova geração, tem um bom elenco e venceu três Oscars técnicos: Efeitos Visuais, Mixagem de Som e Edição de Som.

As Loucuras de Dick e Jane e a sátira afiada

Embora seja amplamente lembrado por suas comédias, Jim Carrey tem um de seus filmes mais engraçados frequentemente ignorado. As Loucuras de Dick e Jane é uma sátira deliciosa ao American Way of Life e à meritocracia, que segue surpreendentemente atual.

O roteiro é cuidadoso ao evitar qualquer apologia à violência urbana. Além disso, a química entre Jim Carrey e Téa Leoni é imediata, sustentando o humor e tornando o filme ainda mais eficaz.

O Segredo de Brokeback Mountain e o prestígio de dezembro de 2005

Entre os lançamentos mais importantes do ano está O Segredo de Brokeback Mountain, um dos pontos altos da carreira do diretor Ang Lee. Amplamente premiado, o filme era o favorito ao Oscar de Melhor Filme no ano seguinte, mas acabou derrotado pelo controverso Crash – No Limite, decisão vista até hoje como uma das maiores injustiças da premiação.

O longa é um épico poderoso e um grito contundente contra o preconceito. O elenco é sublime, com o saudoso Heath Ledger, indicado ao Oscar, além de Jake Gyllenhaal, Michelle Williams e Anne Hathaway. O filme venceu três Oscars: Direção, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora, assinada por Gustavo Santaolalla.

Memórias de uma Gueixa e o requinte técnico

Memórias de uma Gueixa é um bom filme, embora não tenha alcançado o sucesso financeiro esperado. Dirigido por Rob Marshall, o longa apresenta problemas narrativos, mas compensa com um impressionante cuidado técnico.

Não à toa, venceu três Oscars: Figurino, Design de Produção e Fotografia. O elenco de peso inclui Michelle Yeoh, Ken Watanabe e a protagonista Zhang Ziyi, que muitos consideram merecedora de uma indicação ao Oscar.

No conjunto, dezembro de 2005 foi uma safra extremamente positiva para o cinema. As estreias do mês apenas reforçam como aquele período conseguiu equilibrar filmes pensados para grandes bilheterias e obras voltadas ao prestígio crítico. Seja para premiações ou puro entretenimento, o espectador dificilmente saiu frustrado de uma sessão há 20 anos.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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