Crítica Tenet: muito exibicionismo e menos consistência

Tenet é dos filmes mais aguardados de 2020. Antes e durante a pandemia. Como o filme é dirigido por ninguém menos do que Christopher Nolan, a expectativa é sempre alta. Todo o material de divulgação, como trailers e fotos explicavam pouco da sinopse e os envolvidos na trama mantiveram o mistério até o fim.

Mas como 2020 foi um ano atípico em todos os sentidos, não teve como não ficar impactado com os efeitos da pandemia da Covid-19, na qual afetou a economia do mundo inteiro e as salas de cinema permaneceram fechadas.

Mas após alguns meses de isolamento, os cinemas foram aumentando gradativamente e Tenet foi justamente o filme responsável pela reabertura dos cinemas em muitos países, como EUA, China e a Europa como um todo.

Porém, o que poderia ser uma volta com tudo e com estilo foi um tiro pela culatra: Tenet não está indo bem de bilheteria mundial e a pandemia continua sendo o principal motivo, além do número reduzido de poltronas nas salas e o maior intervalo entre sessões.

O “fracasso” de Tenet acendeu o sinal de alerta nos estúdios e a grande maioria resolveu adiar seus grandes filmes para os anos seguintes e, infelizmente, o longa será marcado para a história como o filme que estreou no meio de uma pandemia.

Mas bastidores à parte, será que Tenet é um grande filme?

A resposta é: depende do seu ponto de vista.

É o Nolan sendo Nolan. E isso é positivo e negativo ao mesmo tempo.

Ele já nos agraciou com filmes engenhosos como Amnésia e A Origem e Tenet não foge à regra de provocar seu espectador. Há mais perguntas do que respostas e Nolan, que também escreveu o roteiro, evita deixar a trama mastigada, porém, não é uma história complicada, mas ficou a impressão que Nolan quis aparecer mais do que seu próprio filme em momentos que subestimam o seu público.

Não bastasse tudo isso, o espectador passa um ato inteiro em uma história na qual ele não se envolve, o que é um erro considerando uma boa ideia de uma trama engenhosa envolvendo espionagem, conspiração internacional, inversão do tempo e até feminicídio.

Isso não quer dizer que Tenet seja um filme ruim. Muito pelo contrário. Aliás, as qualidades se sobressaem perante os defeitos, mas não dá para ficar imune.

O filme está muito bonito, Nolan garante um espetáculo visual e o filme merece ser visto na melhor tela possível. Considerando um ano que mal teve lançamentos, este filme já surge como uma barbada para o Oscar de Efeitos Visuais.

E o que torna mais incrível aqui é que Nolan evita ao máximo o uso de computação gráfica e trabalha com efeitos práticos. Além de cenas mais elaboradas, o filme demora a envelhecer.

Há uma perseguição automobilística melhor do que muito filme de Velozes e Furiosos. A cena de abertura chega a ser tensa, mesmo o espectador não sabendo nada da história e todo o terceiro ato é de encher os olhos.

Mas nem tudo são flores na técnica do filme: Hans Zimmer é considerado dos melhores compositores de trilhas para o cinema, já ganhou um Oscar por O Rei Leão em 1995, tem 4 indicações por filmes do Nolan (The Dark Knight, Inception, Interestelar e Dunkirk), mas o responsável pela trilha deste filme foi Ludwig Göransson, que também é excelente e tem um Oscar recente pela trilha do Pantera Negra.

Porém, neste filme, Ludwig quis a todo momento emular o trabalho de Hans e sua trilha aqui perdeu a identidade. Não bastasse isso, a trilha incidental quer a todo custo aparecer mais do que o filme em si e quem não for ver o filme com legendas terá mais trabalho em compreender alguns diálogos.

Mas uma coisa a ser elogiada aqui é o seu maravilhoso elenco. À exceção de Kenneth Branagh, que mais parece vilão de 007 das antigas e está muito caricato, sem contar que o diretor deveria ser mais sutil e menos gráfico com a relação abusiva entre seu personagem e sua esposa Kat (Elizabeth Debicki).

Felizmente o mesmo não se pode dizer dos protagonistas John David Washington e Robert Pattinson, que têm uma grande química em tela e se assumiram como heróis de ação, além o peso dramático de suas atuações.

A palavra Tenet é um palíndromo, ou seja, pode ser lida na ordem crescente ou decrescente, o que aumenta ainda mais o mistério em relação ao roteiro.

Quanto menos souber melhor a experiência fica e uma trama onde o espectador entra no cinema é rara hoje em dia.

Tenet mostra um Nolan mais à vontade com sua forma de dirigir e quase tudo aqui foi milimetricamente calculado para entregar o melhor possível. Até houve boa vontade, mas ele poderia ter cuidado de detalhes menos megalomaníacos, como humildade por exemplo.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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