Crítica: Dolitlle ainda não aprendeu a falar com o cinema

Robert Downey Jr. é atualmente um dos nomes queridos de Hollywood (e o mais bem pago da Marvel/Disney) e isso faz com que qualquer produção que ele se envolva, automaticamente, chame a atenção. Juntando seu nome a uma obra que já foi adaptada para o cinema (todas aquém do original) é uma receita quase certa de sucesso, não?

A Universal criou um belo material de divulgação para o filme, que funcionou muito bem visualmente e junto da trilha sonora escolhida, causou um grande impacto. Porém, nem mesmo isso foi capaz de deixar algumas desconfianças de lado, principalmente se o filme seria capaz de prender a atenção com um enredo envolvente e se o personagem de Downey Jr. não seria apenas uma “versão” de Tony Stark com um ar de Sherlock Holmes.

A dúvida sobre o personagem se mostrou desnecessária, já que Dolitlle é realmente diferente do investigador criado por Arthur Conan Doyle e muito mais ainda do gênio, playboy, bilionário e filantropo da Marvel. E mais que isso, ele é diferente da versão vista no cinema feita por Eddie Murphy (que ainda continua melhor do que esta nova). Downey Jr. conseguiu achar o lugar certo para o personagem se tornar o seu próprio Dolittle, mas ainda longe para torná-lo memorável, não graças ao ator, mas sim ao enredo que sofreu momentos conturbados durante produção.

Infelizmente a produção não se decide em mostrar qual é o foco que será contado, começando por, obviamente, Dolittle e depois flertando com Tommy Stubbins (Harry Collett), mas que é descartado rapidamente e sendo trazido de volta vez ou outra de maneiras abruptas. Tudo acaba acontecendo de uma forma “perfeita”, sem gerar dúvidas na audiência e má aproveitada, como por exemplo mostrando que Stubbins deseja ser o pupilo de Dolittle, mas se mostra perfeitamente capaz de aprender os “truques”do Doutor sozinho, para mais a frente isso não ser explorado de uma maneira satisfatória.

Visualmente não há do que reclamar, o CGI dos animais está realmente perfeito e explica o encantamento mostrado nos trailers. O que ao mesmo tempo deixa um certo descontentamento por não aproveitarem o brilhante elenco que colocaram para a dublagem: Emma Thompson, Rami Malek, John Cena, Kumail Nanjiani, Octavia Spencer, Tom Holland, Craig Robinson, Ralph Fiennes, Selena Gomez, Marion Cotillard, Jason Mantzoukas, Frances de la Tour e Nick A. Fisher.

Apesar disso tudo, é um filme que diverte e confesso que os pontos que coloquei acima não serão percebidos pela grande maioria do público-alvo (crianças) e obviamente a produção visa unir a família – seja no cinema ou na sala da casa – e gerar um encantamento visual. Logo, o questionamento inicial sobre prender a atenção, acaba funcionando, mas pode ser que não seja o suficiente para um segundo filme (caso seja os planos da produtora).

Nerd: Carlos Carvalho

Apaixonado por Criatividade, Inovação e Criação de Conteúdo. Desde pequeno, eu já fazia listas dos filmes que assistia, criava teorias, jogava RPG e opinava sobre tudo. Em 2012, criei a GOTBR, uma fan page sobre Game of Thrones que acabou abrindo portas para o nascimento do Universo 42, um ano depois, com um grupo de malucos que acreditou nas minhas ideias. Foram mais de cinco anos como Líder de Estratégias Criativas na SKY, e depois assumi o cargo de Gerente de Marketing Global na CMON, uma das maiores empresas de jogos de tabuleiro do mundo. Hoje sigo envolvido em projetos que unem tudo o que mais amo: criatividade, narrativas, cultura pop e estratégia de conteúdo.

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