Há muito tempo eu não ficava apreensivo com um filme e esta é a maior qualidade de Ameaça Profunda. E acredito que grande parte disso é devido a imersão proporcionada pela sala de cinema, onde a imagem e som são superiores a qualquer equipamento que tenhamos casa (tirando claro, aquelas pessoas que tem kits de Home Theater “profissionais, praticamente emulando uma sala de cinema). Não sei dizer se o diretor Willian Eubank pensou nisso, mas é algo que funcionou e muito para que eu saísse da cabine com uma impressão muito boa do filme (que, infelizmente, foi diminuindo conforme fui analisando a história como um todo).
Se o diretor não pensou nisso propositalmente, com certeza o responsável pelos efeitos sonoros e trilha sonora se preocupou em dar o impacto que uma aventura subaquática merecer, deixando tudo muito ipactante e imersivo, afinal os mares e oceanos são tão desconhecidos por nós quanto o próprio espaço sideral.
O filme também funciona muito bem em criar um ar claustrofóbico, sempre apoiado na trilha sonora, mas também muito devido aos muitos closes, planos detalhes (que intensificam a sensação de aperto) e o terror pouco a pouco toma conta do filme de uma maneira competente, contando com a ajuda de detalhes como os trajes pesados, a preocupação com a falta oxigênio e o perigo de morte sempre iminente.
Mas apesar destas qualidades, o filme peca em alguns quesitos que poderiam fazer com que ele se tornasse algo memorável ao estilo Alien, filme que inclusive parece ter sido de grande inspiração para Ameaça Profunda, seja por colocar uma protagonista mulher “badass”, seja por explorar o desconhecido (como citei no começo do texto).

Infelizmente é difícil se conectar e se importar com os personagens, com exceção de Nora (Kristen Stewart), a protagonista. Aliás, devo dizer que se um dia critiquei Kristen, a cada trabalho ela vem calando a minha boca e neste filme em específico, ela praticamente carrega a trama nas costas. Se nem mesmo Nora, que vive na estação com eles, parece não ter uma conexão muito grande, quem dirá o público que tem meros 10 minutos pra tentar criar alguma empatia. Inclusive o personagem de T.J. Miller, que deveria funcionar como alívio cômico, se torna cada vez mais irritante, fazendo com que você torça para que ele seja morto logo.
Ameaça Profunca: A Criatura
Tentar aumentar cada vez mais o tamanho (literal) do perigo que os personagens se encontram, é algo que acabou diminuindo o impacto do clímax final, na verdade acaba funcionando com um anticlímax. Se a história tivesse se mantido apenas no que foi apresentado como ameaça e focado talvez na quantidade e não na grandiosidade de tal ameaça, não ficaria a impressão de que o filme tem uma boa ideia com um bom uso de fotografia e de som, mas que peca em seus diálogos e na construção de seus personagens.

Curiosidade: adoro filmes com aquele estilo de introdução, com recortes de notícias e/ou informações sobre a história, que “jogam” informações na nossa cara.
