Conclave é um filme lançado em 2024 nos EUA, mas sendo lançado em janeiro de 2025 no Brasil, tem a direção de Edward Berger (do ótimo Nada de Novo no Front), seu roteiro é baseado no livro de Robert Harris e escrito por Peter Straughan (do subestimado O Espião Que Sabia Demais) e acompanha o cardeal Lawrence (Ralph Fiennes, ótimo no papel), que é encarregado de liderar a seleção de escolha do novo Papa, o chamado Conclave e no meio do caminho ele se encontra no centro de um jogo de conspirações, política e que podem definir os rumos do Planeta Terra.
Desde a sua estreia, o longa vem fazendo bonito nos festivais, arrancando elogios da crítica e sendo cotado a ser um dos grandes nomes para a temporada de premiações. Fez bonito no Globo de Ouro, com um prêmio de Melhor Roteiro e deve ser presença marcante no Oscar deste ano.

Para uma geração, a palavra Conclave entrou no vocabulário em 2005, onde o então Papa João Paulo II, havia falecido após décadas de papado e a escolha do próximo líder da Igreja, no caso, o Bento 16, foi amplamente acompanhada pela mídia.
Aliás, neste período, na metade dos anos 2000, a Igreja Católica estava no centro do mundo – e do Brasil também, pois em 2003, o filme Maria – Mãe do Filho de Deus, levou mais de 1 milhão de brasileiros ao cinema e não devemos esquecer do grande sucesso de A Paixão de Cristo, lançado em 2004, dirigido por Mel Gibson e que arrecadou mais de 600 milhões do redor do mundo.
Hoje a Igreja Católica tem muita relevância, mas viu o crescimento dos Evangélicos com o passar dos anos.

E no caso de Conclave, um dos acertos está em não restringir seu público, sua linguagem e fazer uma trama inteligível para o grande público. São cerca de 2 horas em que o espectador está envolvido com a situação, os personagens e jamais cansa, mesmo se passando, basicamente, em um único ambiente.
É um thriller, um suspense, pautado nos excelentes diálogos e mesmo não sendo exatamente divertido, é um bom programa para ser apreciado.
Aliás, em um mundo cada vez mais polarizado, o longa também discute se a Igreja deveria ser liberal ou conservadora e a escolha para o próximo Papa poderia definir tudo isso e se o filme segue uma narrativa linear, seu desfecho tem um excelente plot twist que vai surpreender até mesmo o espectador mais cético.

Conclave também tem bons aspectos técnicos, mesmo sendo simples em sua essência. Há um bom uso de cores, em contraste do vermelho com o branco, dos uniformes dos cardeais às paredes do Vaticano e mesmo seu design de produção é muito competente, com detalhes que podem passar despercebidos, bem como o uso do CGI que o grande público pode não reparar, mas que fazem muito a diferença.
Ralph Fiennes é o protagonista, está em praticamente todas as cenas e faz um dos melhores papéis da carreira. Uma geração o conhece como o Lord Voldemort em Harry Potter, mas ele é um excelente ator dramático. Quem já viu A Lista de Schindler, O Jardineiro Fiel e, agora, Conclave, sabe muito bem disso. Stanley Tucci e John Lithgow também entregam ótimas performances como coadjuvantes.
Conclave é dos filmes mais interessantes dessa temporada de premiações, feito com muita competência e merece ser reconhecido pelo grande público, independentemente da religião ou não.
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