Todo ano é a mesma coisa: existe a expectativa para os blockbusters mais esperados do ano, mas sempre tem aquele filme que te surpreende.
Embora 2018 esteja bem servido de filmes arrasa-quarteirão como Missão Impossível 6, Pantera Negra e Vingadores – Guerra infinita, vai chegando a temporada de final de ano e já começam a surgir os prováveis filmes para o Oscar.
E é aí que Colette está: é um grande filme, um grande roteiro, grande história e já surge como provável filme ao Oscar.
Ainda é cedo para dizer se vai ou não, sobretudo nas categorias principais, mas ele esteja muito forte nas categorias técnicas, como Design de Produção e, principalmente, Figurino, que é impecável.
Mas, afinal, do que se trata Colette?
O filme conta a história da escritora Gabrielle Colette, vivida por Keira Knightley (excelente no papel!) escritora francesa que, no início de sua carreira, lançava seus livros com o nome do então marido, Willy (Dominic West, também ótimo!)
A escritora Colette viveu entre os anos de 1873 e 1954, mas o filme foca no final do século XIX e início do século XX. Na ocasião, Paris, assim como toda a Europa, vivia o período chamado pelos historiadores de Belle Époque, época em que não haviam guerras e que o progresso era a palavra de ordem com tecnologias como luz elétrica, telégrafo, entre muitas outras.
O filme coloca o espectador neste contexto histórico, mas foca aqui na história da Colette e em sua luta para ter seu nome, lugar e não ficar à sombra do marido.
Se até para J. K. Rowling, nos anos 90, já foi difícil se apresentar como escritora feminina, imagina no começo do século XX?
Gabrielle Colette era, portanto, uma mulher muito à frente de seu tempo e mesmo que o espectador não conheça sua história, não há problema, aliás, quanto menos souber, melhor a experiência com o filme fica.
Narrativamente, o filme conta sua história de maneira fluida e evolui conforme os anos vão passando e acertou muito em mostrar o lado mais humano da protagonista, mostrando como ela era (segundo a História), ou seja, uma mulher inteligente, que amava escrever e ler, infeliz no seu casamento e que não se curvava aos padrões da época, mas sem esconder sua sexualidade.
Tecnicamente, Colette é perfeito, desde sua fotografia fazendo o bom uso de cores e de câmera, como os já citados Figurinos e Design de Produção.
Mas o filme não seria nada sem seu maravilhoso elenco: Dominic West (da série The Affair) faz o típico homem que é muito comum nos dias de hoje: quer amar sua esposa e as mulheres à sua volta, mas que não sabe o que fazer e é resistente às mudanças.
O embate entre ele e a esposa é o que leva o filme, mas sem maniqueísmos.
Mas é Keira Knightley quem faz o filme. Aqui ela faz um de seus melhores papéis e embora ela também se encaixe bem em blockbusters como a franquia Piratas do Caribe, é nos filmes mais históricos que reside suas melhores personagens como em Orgulho e Preconceito ou O Jogo da Imitação.
Não há de duvidar indicações para as premiações.
Superior a Para Sempre Alice, de 2014, trabalho anterior do diretor Wash Westmoreland para o cinema, Colette vai além de um filme com começo, meio e fim e mostra uma história que merece ser descoberta pelas gerações atuais.
E que venham outras grandes escritoras. Tanto para o cinema quanto para a TV.
