A Disney segue levando multidões aos cinemas com seus live actions e novas versões de suas animações clássicas. Embora a história da maioria desses filmes seja idêntica à do material original, o público gosta, se identifica e sempre cai na nostalgia de um filme marcante na vida e infância do espectador, como O Rei Leão, A Bela e a Fera, Aladdin, entre outros.
E já que a Disney pode, porque os outros estúdios não podem? E porque não dar um ponto de vista diferente de uma história conhecida?
Pois é justamente isso que Branca como a Neve faz com a clássica história da Branca de Neve.
Branca como a Neve é um filme francês, da diretora Anne Fontaine e que conta a história de Claire (Lou de Laâge, ótima no papel e uma atriz promissora), uma jovem que trabalha no hotel de seu falecido pai, que agora é administrado por sua madrasta, Maud (Isabelle Ruppert), que tem ciúmes de sua enteada, sobretudo quando descobre a paixão que seu amante tem pela jovem.
A madrasta prepara uma cilada para Claire, que consegue fugir, constrói uma vida pacata em um local mais afastado e sua presença agita o lugar, principalmente aos 7 homens (ou 7 anões?) que a rodeiam por lá.
A base da história já é conhecida, mas para quem for assistir a Branca Como a Neve é preciso saber de antemão que este não é um filme para a família e muito menos para crianças. Ao contrário, é uma jornada de uma jovem que perdeu praticamente tudo e está se descobrindo, tanto afetivamente quanto sexualmente.
Há muitas cenas de sexo e nudez, o que faz todo o sentido para a jornada da protagonista e o sentimento e libertação, não apenas de Claire, mas dos homens em volta. E foi importante uma mão feminina para conduzir a trajetória da história e deixar o filme o mais empático possível para todos os gêneros.
Qualquer homem mal-intencionado na direção poderia dar um tom erótico em uma história que não é. Aqui, Anne transmite o sentimento de liberdade, euforia e até da perda da repressão a cada descoberta e quando descobre que não precisa de muito para ser feliz.
Mas uma coisa que está vendendo muito o filme é a presença de Isabelle Ruppert como a madrasta má. Ela é uma grande atriz, de talento comprovado e já com uma indicação ao Oscar (e é difícil uma atriz de língua não-inglesa conseguir isso).
Pode parecer estranho, mas os problemas do filme caem justamente em sua personagem: tudo o que acontece de ruim em sua vida ela coloca a culpa em sua enteada e não em seu amante, mas os problemas não param por aí: ao longo dos 112 minutos de projeção, não há como ter empatia pela personagem porque ela não tem motivações para seus atos. Ela é má por ser má e não apenas por ter “roubado” seu amante.
E mesmo quando ela descobre que Claire não quer voltar para o hotel e, portanto, não vai mais causar perigo para sua vida, ela continua com seu plano.
Isso é menos culpa da atriz e mais do roteiro, com a necessidade de querer amarrar essa história contemporânea com a clássica, mas que não faz sentido aqui, sobretudo na segunda metade do filme.
Porém, isso não quer dizer que Branca Como a Neve seja um filme descartável, muito pelo contrário: é um drama sensível sobre uma jovem tendo que lidar com seus fantasmas do passado para retomar sua vida e que não vai ser difícil para que a plateia se identifique, mesmo a masculina.
Sem contar que este pode ser o trampolim para que a diretora Anne Fontaine e a atriz Lou de Laâge tenham uma carreira consolidada no cinema ou na TV e com uma madrinha (sem trocadilhos) como a Isabelle Ruppert.





