Por que ninguém teve essa ideia fantástica antes? Bom Menino (Good Boy) é o primeiro longa-metragem de Ben Leonberg, que co-escreveu o roteiro com Alex Cannon. A grande sacada do filme: ele é contado inteiramente da perspectiva de um cão. O filme segue Indy (o cachorro do diretor na vida real) junto com seu dono, que se mudam para uma casa isolada da família na floresta, onde forças sobrenaturais parecem habitar. E Indy percebe coisas que obviamente o pai do pet não percebe.
Quando estreou e quando chega ao Brasil
Sua estreia aconteceu no South by Southwest – SXSW deste ano, um dos festivais mais badalados dos Estados Unidos. Ele justamente revela produções independentes ousadas e cheias de personalidade.
Lá, tanto público e crítica receberam o filme com entusiasmo. Consideraram visualmente cativante, uma experiência fresca que gerou um bom burburinho pós-festival, o que colocou o nome de Ben Leonberg no mapa.

Agora, Bom Menino chega aos cinemas brasileiros nesta semana, no dia 30 de outubro, pronto para conquistar também o público por aqui.
O suspense na perspectiva do mais fiel amigo
O grande diferencial desta produção está na forma como ele mergulha o espectador na mente e no olhar de seu protagonista canino. A câmera adota enquadramentos baixos, sempre à altura de Indy, e capta o mundo como ele o percebe: cheiros, ruídos e movimentos ganham nova dimensão. Cada cena do filme traz o bichinho em quadro ou adota seu ponto de vista, o que faz desta produção um desafio técnico e narrativo admirável.

Como Bom Menino foi feito
O diretor dispensou qualquer tipo de CGI: é “atuação” em tempo integral, reagindo a cada situação com uma autenticidade impressionante. Indy, além de carismático, é incrivelmente expressivo, percebe-se curiosidade, preocupação e até medo em seus olhos.
As filmagens de Bom Menino levaram quatrocentos dias ao longo de três anos. Ou seja, bastante tempo para um filme bem curto, 73 minutos (praticamente um média-metragem na verdade). Ainda assim, cada esforço valeu a pena pelo resultado final. Foram meses e meses não apenas treinando o cachorro, como também ajustando a câmera para capturar o ponto de vista dele.
E, para deixar tudo mais natural, grande parte das gravações aconteceu na própria casa para onde Ben se mudou. Isso permitiu que Indy se sentisse confortável e reagisse de maneira autêntica a cada cena.

Alguns pontos fracos
A produção apresenta poucos personagens humanos e, na maior parte do tempo, quase nunca vemos seus rostos, o que deixa Indy ainda mais protagonista. A câmera adota ângulos baixos e expressivos, alguns lembrando até aqueles de Muppet Babies, onde apenas vemos os troncos e pernas das pessoas.
Para quem gosta de cachorros, a imersão acontece logo nos primeiros minutos. Desta forma, a preocupação com Indy gera uma tensão constante ao longo de todo o filme e, nesse sentido, agradecemos que a produção não seja muito longa. Por outro lado, quem não é tão fã de cães talvez não se conecte tanto com Bom Menino, já que a força da produção está, claramente, no bichinho.

Ainda não espere muitas explicações sobre os fenômenos sobrenaturais que acontecem na casa ou sobre o histórico da família. Afinal, como o filme é contado do ponto de vista animal, Indy não teria como assimilar esses tipos de informações mais complexas. Além disso, alguns acontecimentos da história se tornem um pouco repetitivos, o que, com o tempo, pode cansar algumas espectadores ao longo da projeção.
No final das contas, Bom Menino vale ou não vale a pipoca?
No fim das contas, Bom Menino é uma experiência única e bastante imersiva para quem gosta de filmes de terror e, claro, de cães. A tensão é constante: desde os primeiros minutos, sentimos que algo está errado naquela casa, e a perspectiva de Indy só intensifica esse clima de desconforto e expectativa.
Mesmo com algumas repetições na narrativa e ausência de explicações detalhadas sobre os eventos sobrenaturais, o filme conquista pelo seu conceito original, pela expressividade do doguinho e pela capacidade de nos fazer mergulhar de cabeça em seu olhar. É uma produção independente que prova que criatividade e coragem podem se sobrepor a grandes efeitos especiais, com um resultado final que vale cada minuto.

Algumas curiosidades
PS: Após o lançamento do primeiro trailer, as buscas online por O cachorro morre em Bom Menino (2025)? dispararam. O público já se preocupava com o destino de Indy antes mesmo da estreia.
Outro PS: Indy é um Duck Tolling Retriever da Nova Escócia, o menor entre as raças de busca com uma bela pelagem avermelhada. Segundo o American Kennel Club, o Duck Tolling Retriever da Nova Escócia é inteligente, afetuoso e ávido por agradar. Um querido.
Mais um PS: Muitas pessoas compararam o filme a uma versão live-action da animação Coragem, o Cão Covarde. Já o criador do filme disse que não havia feito essa conexão até ver postagens na Internet sobre o assunto após o lançamento.

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