Se a primeira impressão é a que fica, a minha de Blades of Fire poderia ser resumida em: “Que jogo genérico!”. No entanto, após algumas dezenas de horas, posso afirmar com tranquilidade: O que ele tem de genérico, tem também de potencial.
Dito isso, o currículo por trás do título não é qualquer um. Desenvolvido pela MercurySteam, estúdio que está na ativa desde 2004, Blades of Fire vem de quem já entregou três grandes destaques: Castlevania: Lords of Shadow (2010), Metroid: Samus Returns (2017) e o aclamado Metroid Dread (2021).
Além disso, o jogo foi publicado pela 505 Games e se apresenta como um título de ação em terceira pessoa, ambientado em um mundo medieval no estilo low fantasy, um subgênero que ganhou força nos últimos anos com obras como Game of Thrones, The Witcher e tantos outros universos parecidos.
Blades of Fire
Aqui, o jogador assume o papel de Aran de Lira, um dos últimos com o poder da Forja, a habilidade de moldar o aço, concedida a ele por um martelo mágico. No universo de Blades of Fire, uma magia transformou todos os metais em pedra, e só os guardas da rainha ainda carregam armas de aço. Logo no início da jornada, Aran segue até uma Forja, onde aprende a criar sua primeira arma.
A narrativa se desenvolve a partir da relação entre Aran, um protagonista estoico, durão, de poucas palavras, e um jovem companheiro de viagem, que registra os acontecimentos e serve como ponte para a humanidade do herói. Sim, eu também pensei em God of War.
E as semelhanças não param por aí. A jogabilidade, inspirada em jogos de ação modernos, é cadenciada e punitiva, com forte influência da série Souls. Durante boa parte do tempo, a sensação transmitida é de estar jogando uma versão “caseira” de God of War.
Uma Forja de Ideias
Apesar das semelhanças, não podemos reduzir Blades of Fire a uma mera cópia. Há uma ideia central que se destaca: a mecânica de Forja. E aqui, parece que houve carinho e intenção real no desenvolvimento.
O minigame de alinhar barrinhas, a personalização das armas, os diferentes materiais — tudo colabora para um sistema de crafting robusto e satisfatório. Alterar o material da lâmina afeta não só o dano causado, mas também o consumo de energia por ataque. Deixar a lâmina mais fina aumenta o dano perfurante, mas reduz sua durabilidade, exigindo reforja frequente.
Cada decisão tomada na forja impacta diretamente a estratégia do jogador, o que incentiva a criação de diferentes armas para diferentes tipos de oponentes. Nesse aspecto, Blades of Fire brilha com uma profundidade inesperada.

A Lâmina em Combate
Já o sistema de combate se apoia em boas ideias, mas encontra limitações. A escolha de armas entre leves e pesadas, influencia o ritmo dos confrontos. Armas leves permitem sequências ágeis, enquanto as mais pesadas consomem muita energia, mas são capazes de finalizar lutas com poucos acertos.
Os golpes são direcionais e utilizam os face buttons para cima, baixo e laterais o que gera animações diferentes, de decapitações a membros arrancados. No entanto, apesar do esforço visual, o jogo não recompensa quem busca variedade nas direções dos golpes. Com o tempo, a repetição se torna evidente.
O gerenciamento de energia exige atenção constante, e o posicionamento nos cenários pode significar vida ou morte. As lutas ocorrem em áreas semiabertas, como vilarejos em ruínas, florestas e cavernas, onde é fácil ser cercado. A variedade de inimigos, ainda que razoável, traz alguma diversidade de desafios: guerreiros blindados exigem ataques contundentes; esqueletos vêm em grupos; e há inimigos invisíveis que só se revelam quando já é tarde demais.
Todo metal precisa de polimento
Visualmente, o jogo é bonito. Mas a sensação transmitida é a de um título de duas gerações atrás, refeito com técnicas modernas. Se alguém dissesse que Blades of Fire saiu originalmente para o Xbox 360, eu acreditaria sem problemas.
O ponto mais fraco está na história. A estrutura da jornada é funcional, ir de um ponto a outro, resolvendo problemas, mas os personagens carecem do carisma necessário para sustentar as dezenas de horas exigidas. No final, saí com um gosto amargo, o jogo apresentou boas ideias, mas não conseguiu alcançar todo o seu potencial.
Ainda assim, acredito nesse universo e torço para que a MercurySteam não o deixe de lado. Há espaço para que a MercurySteam expanda esse sistema de crafting e amadureça a proposta. Blades of Fire não é um jogão, mas também não é ruim. É um jogo nota 6, e isso não deveria ser um problema. Precisamos de mais jogos medianos. O problema está no preço: não é justo que um título mediano seja vendido a valor de Triple A.

Pessoalmente, sacrificaria um pouco do visual para receber uma jogabilidade mais refinada, com uma história e personagens que de fato deixassem sua marca.
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