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	<title>Jackelline Costa, Autor em Universo 42</title>
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	<description>Salvando sua vida do tédio moderno</description>
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		<title>Chacrinha: O Velho Guerreiro desperta memórias adormecidas e diverte o novo público</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jackelline Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Oct 2018 03:07:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes & TV]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Abelardo Barbosa Está com tudo e não está prosa Menino levado da breca Chacrinha faz chacrinha Na buzina e discoteca Ó Terezinha, ó Terezinha é um barato o cassino do Chacrinha Ó Terezinha, ó Terezinha é um barato o cassino do Chacrinha&#8221; Essa música é o primeiro contato com público que estava na cabine de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Abelardo Barbosa</em><br />
<em> Está com tudo e não está prosa</em><br />
<em> Menino levado da breca</em><br />
<em> Chacrinha faz chacrinha</em><br />
<em> Na buzina e discoteca</em></p>
<p><em>Ó Terezinha, ó Terezinha</em><br />
<em> é um barato o cassino do Chacrinha</em><br />
<em> Ó Terezinha, ó Terezinha</em><br />
<em> é um barato o cassino do Chacrinha&#8221;</em></p>
<p>Essa música é o primeiro contato com público que estava na cabine de imprensa, e logo as memórias de um tempo bom, com cheiro de infância, de menina moleca que subia em árvores e chupava manga no pé, invadem meus sentidos como uma onda, a princípio pequena, mas que aumenta de volume e força à medida que despertam minhas emoções.</p>
<p><strong>O filme “Chacrinha: O Velho Guerreiro&#8221; teve esse poder sobre mim, e acredito, pelas risadas de cada um que assistia, que foi algo unânime, principalmente para quem viveu um pouco daquela época.</strong></p>
<p><em>Para quem só conhece Chacrinha através das imitações ou só de ouvir falar, é, no mínimo, um filme curioso e divertido para se assistir.</em> Eu venho acompanhando as notícias sobre essa produção já há algum tempo. O longa foi gravado em Petrópolis, na Região Serrana do Rio e teve suas cenas rodadas no antigo Teatro Santa Cecília e no Palácio Quitandinha, que cedeu seu espaço para dar luz e brilho ao Cassino do Chacrinha.</p>
<p>O diretor Andrucha Waddington em uma entrevista revelou que a escolha da Cidade Imperial para as gravações foi devido a magnífica riqueza arquitetônica histórica. As últimas gravações foram finalizadas no Rio de Janeiro.</p>
<p>Chacrinha – O Velho Guerreiro é um filme que teve origem no musical que esteve em cartaz no teatro em 2014, dirigido pelo próprio Andrucha e protagonizado por Stepan Nercessian, que continuou emprestando seu talento ao o que talvez seja sua mais emblemática atuação, que surge na tela no momento em que a trama alcança 1957, ano em que Chacrinha migra do rádio para a TV</p>
<p>Cláudio Paiva, Julia Spadaccini e Carla Faour foram os responsáveis pelo roteiro, que a meu ver, trouxe o glamour da época, sem puritanismo, deixando os personagens bem a vontade para atuarem dentro da linguagem própria do cinema, o que foi um fator determinante para garantir os risos nas horas certas e quebrar os dramas sem, contudo, minimiza-los.</p>
<p>O roteiro foi responsável também para que o filme não se escorasse apenas nos jargões tão utilizados por Chacrinha, o que foi uma surpresa extremamente agradável.</p>
<p><em>Outro fator positivo é que a interação dos personagens vão além do Cassino, se misturando enredo a dentro, com maiores destaques para Elke Maravilha (Gianne Albertoni), Rita Cadillac (Karen Junqueira), Boni (Thelmo Fernandes), Clara Nunes (Laila Garin) e Flávio Cavalcanti (Marcelo Serrado), além de Eduardo Sterblitch que dá vida ao jovem Abelardo Barbosa (na fase da juventude quando precisou de muita coragem e cara de pau para chegar a ser comunicador na era do rádio) e Rodrigo Pandolfo, como o Jorge, um dos três filhos do protagonista.</em></p>
<p><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/10/chacrinha-o-velho-guerreiro-head.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-19177 aligncenter" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/10/chacrinha-o-velho-guerreiro-head.jpg" alt="chacrinha-o-velho-guerreiro-head" width="800" height="450" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/10/chacrinha-o-velho-guerreiro-head.jpg 1280w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/10/chacrinha-o-velho-guerreiro-head-300x168.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/10/chacrinha-o-velho-guerreiro-head-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<p>O filme revela de forma simples (porém verdadeira) o temperamento teimoso e por vezes intransigente de Chacrinha, que se deixava se levar pela mágoa que sentia da mãe por ter se desquitado do pai, e as diversas brigas que ele teve ao longo de sua vida unicamente por conta de seu gênio forte.</p>
<p><strong><em>Acompanhamos o preço que o velho guerreiro pagou pela fama e o dinheiro conquistados: o afastamento de sua mulher e dos três filhos.</em></strong></p>
<p>Sua rotina extremamente forçada e cansativa, a briga  por audiência primeiramente nas rádios e depois pelo ibope nos programas televisivos também é retratada pela produção, além de seu trabalho junto às caravanas, com as quais o comunicador percorria as periferias do Brasil, reproduzindo precariamente o programa da TV.</p>
<p>Chacrinha – O Velho Guerreiro também revela a forma como ele protegia suas dançarinas, (mesmo que isso significasse pôr seu próprio bem-estar em jogo), incluindo o carinho paternal que ele tinha por Elke, chegando a dar até um apartamento para ela.</p>
<p>O suposto caso com Clara Nunes, que sempre foi negado firmemente por eles em vida, não foi esquecido pela produção e foi sutilmente introduzido na trama, deixando claramente o que realmente aconteceu.</p>
<p>Chacrinha enfrentou problemas com a censura por conta do tamanho das roupas usadas pelas dançarinas do programa e chegou a ser conduzido para a sede da Polícia Federal onde passou cinco horas prestando depoimento.</p>
<p><strong><em>Além disso tudo, o espectador é agraciado com as performances de vários artistas, alguns famosos até hoje e que tiveram seu início de carreira dentro do Cassino do Chacrinha, dentre os quais Roberto Carlos (Quando, de 1967)e Sidney Magal (Meu sangue ferve por você, 1976). Daúde empodera a cantora africana Miriam Makeba (1932 – 2008) no hit Pata (1967), Luan Santana interpreta Belchior em 1976, na performance de Apenas um rapaz latino americano e Criolo canta Vou tirar você desse lugar (1972), do cantor e compositor Odair José.</em></strong></p>
<p>Essas atrações foram um show a parte e merecem aplausos a todos os que fizeram parte.</p>
<p>Eu senti falta do sorriso contagiante e aberto da Elke (apesar de sua longa presença em tela), das rabugices do Pedro de Lara e da forma lúdica com que Aracy de Almeida julgava, personagens estes que só apareceram para enfeitar, não tendo um só dialogo que seja, mas nada que diminua minha admiração por essa bela produção.</p>
<p>O pernambucano José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha completaria 100 anos no dia 30 de setembro de 2018. Ele morreu no Rio de Janeiro no dia 30 de junho de 1988</p>
<p>O filme encerra como começou, ao som de Gilberto Gil:</p>
<p><em>&#8220;O Rio de Janeiro continua lindo</em><br />
<em> O Rio de Janeiro continua sendo</em><br />
<em> O Rio de Janeiro, fevereiro e março</em><br />
<em> Alô, alô, Realengo &#8211; aquele abraço!</em><br />
<em> Alô, torcida do Flamengo &#8211; aquele abraço!</em><br />
<em> Chacrinha continua balançando a pança</em><br />
<em> E buzinando a moça e comandando a massa</em><br />
<em> E continua dando as ordens no terreiro</em><br />
<em> Alô, alô, seu Chacrinha &#8211; velho guerreiro</em><br />
<em> Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro</em><br />
<em> Alô, alô, seu Chacrinha &#8211; velho palhaço</em><br />
<em> Alô, alô, Terezinha &#8211; aquele abraço!&#8221;</em></p>
<p><em><strong>Quando o programa acabava, ele sempre dizia com ar sério: “Graças a Deus o programa acabou”.</strong></em></p>
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		<title>Unicórnio: um drama familiar que vai da doçura à psicose</title>
		<link>https://u42.com.br/unicornio-um-drama-familiar-que-vai-da-docura-a-psicose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jackelline Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Aug 2018 22:22:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes & TV]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Hilda Hist]]></category>
		<category><![CDATA[patrício pillar]]></category>
		<category><![CDATA[unicórnio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado na adaptação de dois contos de Hilda Hilst, O Unicórnio, que foi a primeira ficção da autora e Matamoros, o diretor Eduardo Nunes (Sudoeste), deu vida de uma forma única ao roteiro desse filme. Com diálogos simples, porém carregados de sentidos, nos envolve em um drama familiar que vai da doçura à psicose, bem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado na adaptação de dois contos de <em>Hilda Hilst</em>, <em>O Unicórnio</em>, que foi a primeira ficção da autora e <em>Matamoros</em>, o diretor <em>Eduardo Nunes (Sudoeste</em>), deu vida de uma forma única ao roteiro desse filme. <em><strong>Com diálogos simples, porém carregados de sentidos, nos envolve em um drama familiar que vai da doçura à psicose, bem ao estilo de Hilda Hist.</strong></em></p>
<p>A estreia mundial foi na Première Brasil no Festival do Rio de 2017 e exibido na Mostra Generation do Festival de Berlim deste ano, com direito a uma exibição especial e gratuita na 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde <em>Hilda Hist</em> que foi a grande homenageada.</p>
<p><strong>Sinopse</strong></p>
<p>Maria aguarda ao lado da Mãe o retorno de seu Pai, que aparentemente abandonou a família. Na casa rustica onde moram, longe de qualquer contato com outras pessoas, elas vivem só e isso faz com que a chegada de um cuidador de cabras mude a relação das duas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-18392" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda.jpg" alt="unicornio_credito_zeca_miranda" width="500" height="331" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda.jpg 640w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda-300x198.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda-321x214.jpg 321w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda-207x136.jpg 207w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/08/unicornio_credito_zeca_miranda-140x94.jpg 140w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a>Unicórnio</em></strong> é uma fábula onde os animais (nesse caso um unicórnio), apresentam características humanas, e contém uma parte narrativa com uma breve conclusão. Como toda fábula que se preze, não tem o intuito de trazer a quem lê ou assiste o conceito de certo ou errado, deixando que o espectador decida por si.</p>
<p>O filme começa sendo narrado pela protagonista Maria interpretada por <em>Bárbara Luz</em>, em uma brilhante estreia nas telas do cinema nacional. Na cena, o Pai, vivido por <em>Zé Carlos Machado</em>, conversa com a filha e sobre a sua da infância. Essa conversa se dá em um manicômio ou alguma instituição psiquiatra, ao menos é isso que o espectador é levado a pensar, já que não existem elementos que ajudem a esclarecer o cenário. O que temos é uma sala de paredes brancas e já manchadas pelo tempo, sem qualquer mobília, salvo um banco onde Maria se senta com seu Pai.</p>
<p>A cada explicação desses diálogos nós somos transportados para o local onde Maria mora com sua Mãe, que é interpretada por <em>Patrícia Pilar</em>, uma mulher solitária que vê a sua vida mudar quando um homem (Lee Taylor),  vem morar perto delas para cuidar de cabras.</p>
<p>A exceção de Maria, os demais personagens não possuem nomes, mas ao meu ver, deixaram de ser  identificados propositalmente, uma forma generosa de dar o destaque merecido, diga-se de passagem, a Maria. Como se eles fossem a lua que depende do sol para brilhar.</p>
<p>Aliás <strong>o filme todo só apresenta sete personagens, sendo dois que aparecem apenas em uma única cena distinta, para acrescentar contexto ao enredo.</strong></p>
<p>A ausência de figurantes me causou certa estranheza, ainda mais em um filme de duas horas e dois minutos de duração. Apenas sete atores, sustentam o longa com uma categoria absurdamente talentosa, mantendo assim o sentimento de solidão que absorvemos ao assistir o filme; <strong>é quase como que, se houvessem mais figurantes aquele lugar tão calmo seria maculado, abalando sua quietude.</strong> Ah, claro, além dos sete personagens, temos também um rato, formigas, cabras e o tal unicórnio.</p>
<p>O Parque dos Três Picos, em Teresópolis deu vida ao cenário simples, porém, arrebatador onde se passa tudo aquilo que Maria conta ao seu Pai na estranha sala branca.</p>
<p>Maria nos passa, em um primeiro momento um quê de pureza, de inocência ao mesmo tempo em que nos instiga a pensar que nada é o que parece ser. Eu cheguei a pensar, em um dado momento, que haviam duas realidades no mesmo cenário, pois no inicio do filme, os únicos diálogos e interações eram entre Maria e o Pai.</p>
<p>Em um dos diálogos o Pai conta a história de um ratinho, que nos é apresentada em forma de animação, a visão e expectativa do pai, que nos revela toda a desesperança e certeza de finitude que ele sente.</p>
<p><strong>É um filme bem atípico, por apresentar somente dois cenários distintos em dois tempos narrativos:</strong> <em>o manicômio e a casa no campo, onde temos quatro ambientes: a casa, o poço, a arvore e onde o Homem se abriga com as cabras.</em></p>
<p>O final pode até não ser tão surpreendente assim, afinal o mistério da trama é revelado aos poucos, à cada dialogo e cena. Entretanto não desmerece em nada a produção, que vale a pena ser assistida até o fim, para se ter certeza acerca da verdade daquilo Maria relata ao  longo da história.</p>
<p>Destaque para Mauro Pinheiro JR., responsável pela fotografia, que nos presenteia com um verdadeiro espetáculo de belas imagens em cores vivas e que nos estimulam a vivenciar uma experiencia quase ilustrativa, como se estivéssemos dentro de uma história no País das Maravilhas, o que, diga-se de passagem, é um alivio porque nos transmite também uma sensação de liberdade após passarmos um tempo junto com Maria e o Pai naquela sala fechada e sem janela.</p>
<p>Entretanto, o uso do recurso de desfoque pode dificultar pessoas que sofrem de algum tipo de problema de vista (miopia, no meu caso), a acompanhar as mudanças de câmera e enquadramento.</p>
<p>O filme apresenta em seu enredo temas (alguns polêmicos), como assassinatos, automutilação, ciúmes, descoberta de desejos sexuais e loucura, algo bem comum para quem já esteja familiarizado com o universo literário de <em>Hilda Hist</em> e as suas concepções sobre a vida, a morte e até sobre Deus. Nos escritos de <em>Hilda</em> a presença da figura paterna é algo bem latente, e eu vi um pouco dela nas questões que a Maria levantou.</p>
<p>Eu assisti <strong>Unicórnio</strong> na cabine de imprensa realizada no Espaço Itaú, em Botafogo &#8211; RJ, e não poderia finalizar esse texto sem deixar de parabenizar o local pelo devido asseio nos toaletes, o espaço da livraria e pelo excelente café.</p>
<p><strong><em>Unicórnio</em></strong> estreou nos cinemas no dia 16 de agosto.</p>
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