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	<title>Daniel Nonohay, Autor em Universo 42</title>
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	<description>Salvando sua vida do tédio moderno</description>
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		<title>Leviatã Desperta: uma puta space opera!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 20:36:40 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[crítica leviatã desperta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A capa brasileira de Leviatã Desperta [Leviathan Wakes, 2011] traz em destaque uma frase de George R. R. Martin: “Uma puta Space Opera”. Martin, hoje em dia, é o que mais se assemelha a um guru do mundo da fantasia. Um Gandalf da escrita. O que ele diz vira cânone. Nós sabemos, contudo, que essas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A capa brasileira de <em>Leviatã Desperta</em> [Leviathan Wakes, 2011] traz em destaque uma frase de <strong>George R. R. Martin: “Uma puta <em>Space Opera</em>”.</strong></p>
<p>Martin, hoje em dia, é o que mais se assemelha a um guru do mundo da fantasia. Um Gandalf da escrita. O que ele diz vira cânone. Nós sabemos, contudo, que essas frases destacadas e fora do contexto são utilizadas como um mero chamariz. Um chamariz caro, pois a regra a cobrar por elas. Outras vezes, sequer representam a verdadeira opinião da fonte citada. Recortam, por exemplo, o início de uma frase, onde se dá o primeiro afago antes de se enfiar a faca da crítica, e esquecem o resto.</p>
<p><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Leviatã-desperta.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-19458 size-full" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Leviatã-desperta.jpg" alt="Leviatã desperta" width="456" height="638" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Leviatã-desperta.jpg 456w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Leviatã-desperta-214x300.jpg 214w" sizes="(max-width: 456px) 100vw, 456px" /></a>No caso de <em>Leviatã Desperta</em>, todavia, a frase corresponde exatamente ao que é o livro: uma puta <em>space opera</em>.</p>
<p>A história passa-se daqui a duzentos anos. A raça humana colonizou o sistema solar e se dividiu em três grandes “facções”: As Nações Unidas da Terra, Marte e o Cinturão, formado por um conjunto de estações que povoa os asteroides marginais do sistema solar. Estes três grandes blocos correspondem, de forma grosseira, àquilo que hoje entendemos como países. A Terra e Marte são os primos ricos, o cinturão é a periferia. Nele, estão os recursos minerais, a mão-de-obra barata e grande parte do trabalho sujo.</p>
<p>Gerações se passaram desde essa “expansão” para o espaço. Tempo suficiente para diferenciar fisiologicamente os humanos que nasceram e foram criados sob a ação da gravidade e aqueles que nasceram e cresceram no espaço.</p>
<p><strong><em>Leviatã desperta</em> possui algo essencial para a imersão nesse tipo de leitura. Uma construção de contexto que leva em conta aspectos econômicos, políticos, religiosos e sociais.</strong> Há um mundo complexo e “James S. A. Corey” o descreve bem, sem ser chato. Mergulhamos naquela realidade de forma natural, enquanto a ação acontece. O mundo multifacetado que descreve é crível e funciona sem que fiquemos nos questionando sobre a sua veracidade.</p>
<p>No livro, acompanhamos a trajetória de dois personagens principais: James &#8220;Jim&#8221; R. Holden, que vai de imediato da nave de mineração e transporte de água <em>Canterbury</em> à capitão de uma fragata de guerra marciana, depois de uma série de imprevistos e Josephus &#8220;Joe&#8221; Aloisus Miller, um detetive da estação espacial de <em>Ceres</em>, localizada no Cinturão. A história aborda toda uma série de personagens que gravitam no entorno dos dois e que não descreverei aqui para não tornar o texto cansativo e evitar <em>spoilers</em>.</p>
<p><em><strong>Há suspense, epidemias desconhecidas, brigas de grandes conglomerados econômicos, guerras, invenções tecnológicas, lutas de naves espaciais, disputas políticas, invasões de estações, suspense, romance, enfim, um pouco de tudo.</strong> </em>Mesmo sendo um livro de mais de 650 páginas, a leitura é ágil. Para quem gosta de ficção científica, um prato cheio. Para quem não gosta, uma chance de alterar a opinião.</p>
<p>O romance é o primeiro da série de <em>The Expanse</em>, que está prevista para ter um total de nove obras, dos quais sete já foram lançadas. Foi, também, “convertido” na série de televisão com o mesmo nome. Ela estreou na Amazon Prime em 2015 e está disponível na <em>Netflix</em>. Encaminha-se para a terceira temporada. Fiz o caminho inverso daquele que normalmente faço. Antes de ler <em>Leviatã Desperta</em>, assisti à primeira temporada e gostei. Percebia, contudo, que havia mais história do que o roteiro estava conseguindo passar. Assim, ao ver o livro perdido em uma estante de livraria (não sabia, sequer, que havia sido traduzido), comprei-o de impulso.</p>
<p><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/11/JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-19459 size-large aligncenter" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/11/JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi-1024x576.jpg" alt="JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi" width="838" height="471" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/11/JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi-1024x576.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/11/JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi-300x168.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/11/JameSACorey-actual-photo-Credit-Liza-Trombi.jpg 1463w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" /></a></p>
<p>O escritor “James S. A. Corey” sofre de um caso concreto de dupla personalidade. James é o pseudônimo para a união de Daniel Abraham e Ty Franck (que é amigo de George Martin, donde vem o elogio impresso na capa). Juntos, além da série <em>The Expanse</em> já escreveram outros livros, como Honra entre Ladrões [<em>Honor Among Thieves</em>], que pertence ao universo expandido (legends) de Star Wars.</p>
<p>Se você procura um livro de ficção científica divertido, bem escrito e com aquele “poder” de transportar o leitor para um lugar diferente daquele onde está, <em>Leviatã Desperta</em> é uma boa opção.</p>
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		<title>Resenha de Os Últimos Dias de Nossos Pais</title>
		<link>https://u42.com.br/resenha-de-os-ultimos-dias-de-nossos-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2018 19:25:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Joël Dicker]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Joël Dicker, um Suíço nascido em Genebra, tem uma carreira meteórica. Chamou a atenção do público pelo sucesso de A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert [La Vérité sur l’Affaire Harry Quebert]. O romance, lançado na França em 2012, ganhou o Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa. As editoras e a crítica, contudo, já [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Joël Dicker, um Suíço nascido em Genebra, tem uma carreira meteórica. Chamou a atenção do público pelo sucesso de <em>A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert</em> [<em>La Vérité sur l’Affaire Harry Quebert</em>]. O romance, lançado na França em 2012, ganhou o Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa.</p>
<p>As editoras e a crítica, contudo, já conheciam Joël pelo seu primeiro romance &#8211; <em>Os Últimos Dias De Nossos Pais</em> [<em>Les Derniers Jours de Nos Pères]</em>, que havia ganho o Prêmio dos Escritores de Genebra de 2010, quando o escritor tinha apenas 25 anos.</p>
<p><em><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Os-últimos-Dias-de-Nossos-Pais-Capa.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-16905 size-full" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Os-últimos-Dias-de-Nossos-Pais-Capa.jpg" alt="Os últimos Dias de Nossos Pais - Capa" width="430" height="619" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Os-últimos-Dias-de-Nossos-Pais-Capa.jpg 430w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Os-últimos-Dias-de-Nossos-Pais-Capa-208x300.jpg 208w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Os-últimos-Dias-de-Nossos-Pais-Capa-300x431.jpg 300w" sizes="(max-width: 430px) 100vw, 430px" /></a>Os</em> <em>Últimos Dias</em> é um romance histórico, ambientado na segunda guerra mundial, e tem como protagonista Paul-Émile, um jovem francês que decide se unir à resistência contra a ocupação alemã. Paul acaba sendo recrutado, treinado e devolvido à França como um agente infiltrado do serviço secreto britânico.</p>
<p>O protagonista possui uma estreita ligação sentimental com o seu pai, um viúvo de idade avançada, preso à uma rotina massacrante de desesperançada de pequeno burocrata. O filho é o centro da sua vida. <strong>A culpa de Paul por abandonar o pai ao se unir ao esforço de guerra terá um papel decisivo no desenrolar da trama.</strong></p>
<p>A SOE tinha sido idealizada pelo próprio primeiro-ministro Churchill no dia seguinte à derrota inglesa em Dunquerque. Consciente de que não poderia enfrentar os alemães com um exército regular, decidira inspirar-se nos movimentos de guerrilha para combater no interior das linhas inimigas. [&#8230;] a Executiva recrutava [&#8230;] estrangeiros na Europa ocupada, treinava-os e formava-os na Grã-Bretanha, despois os enviava a seus países de origem, onde eles passavam despercebidos em meio à população local, para executar operações secretas [&#8230;].</p>
<p>Durante o seu treinamento, Paul-Émile será companheiro de um grupo de postulantes a agentes, em sua maioria expatriados, que se tornarão uma segunda família. Stanislas, Aimé, Gordo, Key, Faron e Claude, entre outros, compõem uma diversidade de personagens que dá riqueza à narrativa. Em meio a eles, está Laura, por quem Paul-Émile se apaixonará, assim como os seus colegas.</p>
<p>A trama acompanha todo este período de treinamento, as primeiras missões e estende-se até a queda de Berlim.</p>
<p>É muito difícil analisar <em>Os últimos dias</em> sem traçar uma comparação com <em>A verdade</em>. O segundo livro é um suspense divertido, com bons <em>plot twists</em> (viradas na trama). Esta é a principal característica de Joël – ser um escritor imaginativo. Ele tem, ainda, algumas outras características que o ajudaram a alcançar o sucesso. Sua narrativa é fluída. As histórias que conta se desenvolvem de forma rápida, ao gosto dos novos leitores.</p>
<p>Nem tudo, entretanto, são flores.</p>
<p>Mesmo que uma narrativa fluída seja elogiável, <em>Os Últimos Dias </em><em>d</em><em>e Nossos Pais</em> possui história demais para páginas de menos. Há muitos personagens, muito pano de fundo, muitos cenários e um período de desenvolvimento da trama longo demais para as suas cerca de trezentas páginas. O livro contém boas ideias, em especial as que envolvem um dos personagens, o diretor do serviço secreto alemão em Paris, Kunszer. Estas ideias, todavia, não são bem aproveitadas na superficialidade que Joël imprimiu à narrativa.</p>
<p>Traçando um paralelo, <em>A verdade A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert</em> retrata um universo mais enxuto e contemporâneo, onde não há necessidade de longas ambientações do leitor, um número menor de personagens e uma história quase integralmente focada no personagem principal. O livro possui cerca de seiscentas páginas. Ou seja, fica claro que Joël Dicker, em <em>A Verdade</em>,compactou a história, provavelmente por ser o seu romance de estreia. Se atingisse as quinhentas páginas que deveria, ao menos, ter, sua publicação seria dificultada.</p>
<p>Joël tem, ainda, um problema com diálogos. Mesmo os seus personagens mais complexos possuem falas que resvalam para a infantilidade. Isso á algo que incomoda bastante durante a leitura.</p>
<p>Ao final, <em>Os Últimos Dias de Nossos Pais</em> fica indicado para quem quer conhecer um pouco mais sobre a Segunda Guerra Mundial, em especial a resistência à ocupação alemã da França. A leitura é rápida e agradável, deixando na boca do leitor, todavia, o gosto de que o livro poderia ter sido melhor.</p>
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		<title>Drácula: um clássico que nunca morre!</title>
		<link>https://u42.com.br/dracula-um-classico-que-nunca-morre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jan 2018 01:09:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais rápido e, ironicamente, onde temos cada vez menos tempo, a primeira pergunta que devemos fazer é: ainda vale à pena ler Drácula? No correr da sua vida, você leu, ouviu e assistiu centenas de releituras, filmes e séries, entre outras mídias e manifestações artísticas, sobre Drácula. Você acredita que conhece [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais rápido e, ironicamente, onde temos cada vez menos tempo, a primeira pergunta que devemos fazer é: <strong>ainda vale à pena ler Drácula?</strong></p>
<p>No correr da sua vida, você leu, ouviu e assistiu centenas de releituras, filmes e séries, entre outras mídias e manifestações artísticas, sobre Drácula. Você acredita que conhece a história. Sabe todos os poderes e fraquezas do Conde, além de outros detalhes. Então, <em><strong>por que retornaria ao livro que o dublinense Abraham Stoker (Bram Stoker), um escritor, matemático e diretor de teatro, escreveu há mais de 120 anos?</strong></em></p>
<p>Eu respondo.</p>
<p><strong><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Dracula-primeira-edição.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-16523 size-full" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Dracula-primeira-edição.jpg" alt="Dracula primeira edição" width="400" height="580" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Dracula-primeira-edição.jpg 400w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Dracula-primeira-edição-206x300.jpg 206w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Dracula-primeira-edição-300x435.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>Primeiro, o fundamental. Porque o livro é bom.</strong> Mesmo hoje, permanece interessante e inventivo. Seus quatro primeiros capítulos são excelentes. Neles, há uma escalada gradual e segura do mistério e do suspense, que são uma aula de escrita e prendem qualquer leitor. O livro retrata de forma vívida a rotina da elite inglesa do final do século XIX. Há descrição desde curiosidades do dia a dia, como as formas de comunicação, até questões mais profundas, como as crenças e preconceitos de uma sociedade em mutação. Seus personagens são estereotipados, bons ou maus, vilões ou heróis, bem ao gosto da tradição romântica. Apesar disso, não são superficiais. <em>Bram Stoker lhes dá um histórico, motivações e descreve de forma hábil o contexto que tornam críveis suas ações e que permitem ao leitor se identificar com os protagonistas.</em></p>
<p>Segundo, <em><strong>porque Drácula é a “origem”</strong></em>. Embora não tenha sido o primeiro livro onde se tratou da figura do vampiro, foi o primeiro que desenvolveu a mitologia e fez sucesso (mesmo que tardio). Boa parte da cultura “pop” e, depois, da cultura “Nerd” vem desse livro. <em>Se você gosta de vampiros que brilham à luz do dia, vampiros sensíveis, vampiros veganos ou, de um modo geral, de mortos-vivos, é interessante saber a “raiz”.</em> Na obra, há uma tensão entre ciência e religião. Os personagens discutem a existência dos fenômenos sobrenaturais, tentando lhes dar algum sentido racional. O retrato de um mundo no qual a análise objetiva passava a se confrontar com as respostas prontas das superstições há muito estabelecidas.</p>
<p>O livro é escrito de forma indireta. Ele se propõe a ser o resultado de diários pessoais, diários de bordo, notícias publicadas em jornais, relatórios e telegramas, ordenados cronologicamente, que contam o desenrolar da trama. É uma forma que concede agilidade à narrativa.</p>
<p><strong>Não espere, é claro, um romance de ação no ritmo do twitter. Você está lendo um romance escrito em 1897.</strong></p>
<p><a href="http://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/01/bram-stoker.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-16524" src="https://novonerd.com.br/wp-content/uploads/2018/01/bram-stoker-300x187.jpg" alt="bram stoker" width="600" height="375" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/01/bram-stoker-300x187.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2018/01/bram-stoker-1024x640.jpg 1024w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></a></p>
<p>A figura de Drácula sempre é abordada a partir do ponto de vista de outras pessoas. Não sabemos sua história ou seus reais interesses, embora eles sejam sugeridos pelos demais personagens. Se correspondem à verdade, cabe ao leitor (você) julgar.</p>
<p><em>Sobre a história, creio que não há necessidade de a descrever. Apenas advirto que você se surpreenderá. <strong>Poucos conhecem a narração original</strong>. Não vou estragar, portanto, esta surpresa, embora entenda ser difícil dar spoiler sobre um texto, de domínio público, com mais de cem anos.</em></p>
<p>Por fim, uma curiosidade: este foi o primeiro livro que acompanhei, em grande parte, na sua versão audiobook. Quando estava em meus deslocamentos, ouvia-o. Em casa, lia a versão impressa ou a digital. O resultado foi uma aceleração surpreendente da velocidade da leitura. A experiência com o audiobook foi prazerosa. Há dramatização da narrativa e, até mesmo, trilha sonora para dar o “clima” das passagens.</p>
<p>Recomendo este método, que adotarei para ler outros clássicos.</p>
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		<title>Trilogia “O Último Policial” &#124; Resenha</title>
		<link>https://u42.com.br/trilogia-o-ultimo-policial-resenha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2017 14:25:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ben H. Winter]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade dos Últimos Dias]]></category>
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		<category><![CDATA[Mundo nas Horas Finais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ideia da trilogia d’O Último Policial é ótima. Henry Palace é detetive da Unidade de Crimes Adultos da Divisão de Investigações Criminais da cidade Concord, New Hampshire. Recém promovido ao cargo, investiga a ocorrência de homicídio em um caso em que todos acreditam ter ocorrido um suicídio. Até aqui, nada de novo. Acontece que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A ideia da trilogia d’<em>O Último Policial</em> é ótima.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-O-Mundo-nas-Horas-Finais.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-16039 size-full" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-O-Mundo-nas-Horas-Finais.jpg" alt="O Último Policial - O Mundo nas Horas Finais" width="350" height="525" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-O-Mundo-nas-Horas-Finais.jpg 350w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-O-Mundo-nas-Horas-Finais-200x300.jpg 200w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-O-Mundo-nas-Horas-Finais-300x450.jpg 300w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a><em><strong>Henry Palace é detetive da Unidade de Crimes Adultos da Divisão de Investigações Criminais da cidade Concord, New Hampshire</strong></em>. Recém promovido ao cargo, investiga a ocorrência de homicídio em um caso em que todos acreditam ter ocorrido um suicídio. Até aqui, nada de novo. Acontece que os suicídios estão ocorrendo em uma escala cada vez maior, pois o mundo está condenado ao desaparecimento. Foi descoberto um asteroide, com mais de seis quilômetros de extensão, que se chocará com a Terra dentro de seis meses e, provavelmente, extinguirá a vida humana.</p>
<p>Tendo sido colocado na agenda o encontro da humanidade com a morte, qual o sentido de perseverarmos em nossas atividades cotidianas? O que as pessoas fariam? Qual a função de um investigador de homicídios?</p>
<p><em>A simpatia com Henry Palace se estabelece nas primeiras páginas do livro.</em> Ele possui um ar quixotesco em seu comportamento metódico, obstinado e na sua teimosia em fazer o que acha correto, mesmo com o mundo literalmente desfazendo-se ao seu redor. Ao contrário do cavaleiro da triste figura, contudo, não há um humor cáustico, mas sim um fatalismo que se agrega à biografia de todos os personagens.</p>
<p><em><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-feat.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-16036 size-medium" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-feat-300x217.jpg" alt="O-Último-Policial-feat" width="300" height="217" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-feat-300x217.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-feat-287x208.jpg 287w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-feat.jpg 578w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Ben H. Winter</em>, o autor, consegue transmitir verossimilhança na sua construção de um mundo pré-apocalíptico. O leitor acaba envolvido por aquela nota de suspense presente em toda a obra – a espera da chegada de <em>Maia</em>, como é chamado o asteroide. Não há saídas mágicas ou tecnológicas. A cada dia, o fim está mais próximo. Na verdade, ele vem a uma velocidade de quarenta e oito quilômetros por segundo. E os personagens neste contexto sufocante são críveis, tanto em sua loucura quando em sua lucidez.</p>
<p><strong>A trilogia é composta por livros irregulares.</strong> O primeiro, <em>O Último Policial </em>[The Last Policeman, de 2012], que dá nome à série, é muito bom. Há um contraste entre a banalidade do crime investigado e a urgência e importância do que está para acontecer com o mundo. O detetive se agarra a coisas simples da sua rotina, tentando dar algum significado a um mundo que se tornou caótico.</p>
<p>Tendo ficado órfão quando estava entrando na adolescência, Henry e sua irmã, Nico, foram criados pelo avô, com quem tinham uma relação difícil. Afora ela, com quem o detetive possui uma relação de proteção que o conduzirá através de toda a trama, ele não possui outras ligações sentimentais. Isso, é claro, sem falar em seu cão Houdini, mas não estou aqui para dar <em>spoilers</em>.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-Cidade-dos-últimos-dias.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-16038 size-full" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-Cidade-dos-últimos-dias.jpg" alt="O Último Policial - Cidade dos últimos dias" width="300" height="473" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-Cidade-dos-últimos-dias.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/11/O-Último-Policial-Cidade-dos-últimos-dias-190x300.jpg 190w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>O segundo livro da trilogia, <em>Cidade dos Últimos Dias </em>[<em>Contdown City</em>, de 2013], <strong>venceu o prêmio Philip K. Dick Award no ano da sua publicação.</strong> Curiosamente, é o mais fraco dos três, na minha opinião.</p>
<p>Nele, a sociedade já está em estado avançado de desintegração. Henry perde o emprego. Os serviços públicos de água luz e telefone começam a falhar. Ainda assim, o detetive se mantém firme em completar uma missão: encontrar o marido desaparecido de uma babá que o conheceu na infância. Além disso, também lida com sua irmã e o envolvimento dela com um grupo que vê uma grande conspiração governamental nas notícias que envolvem o asteroide e que tenta salvar o planeta.</p>
<p>Muito embora a leitura não deixe de ser prazerosa, <em>Cidade dos Últimos Dias</em> passa a ideia de ser um livro escrito apenas para “esticar” a trama, a fim de que fosse atingida a trilogia. A história, cortando suas gorduras, daria dois excelentes livros.</p>
<p>O último livro, o <em>Mundo nas Horas Finais </em>[<em>World of Trouble</em>, de 2014], fecha a história com ação, mistério e sensibilidade. O leitor fica sempre em dúvida do que acontecerá com o personagem principal, pelo qual é difícil não ser cativado. O desfecho&#8230; bem, o desfecho faz jus à obra, cuja leitura eu recomendo a todos os que gostam de um bom <em>policial</em>&#8211;<em>noir-pré-apocalítptico-quixotesco</em>.</p>
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		<title>Crítica sobre Sono de Haruki Murakami</title>
		<link>https://u42.com.br/critica-sobre-sono-de-haruki-murakami/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2017 20:28:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sono está situado naquela zona cinza entre o conto longo e a noveleta. Muito embora abarque um período de mais de dezessete dias da vida da protagonista, tem menos de cem páginas, descontadas as suas ilustrações. É uma leitura rápida e uma excelente “porta de entrada” para quem nunca teve contato com a prosa limpa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa.jpg" target="_blank"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-15435" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa-682x1024.jpg" alt="sono capa" width="350" height="525" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa-682x1024.jpg 682w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa-200x300.jpg 200w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa-300x449.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/sono-capa.jpg 1067w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a>Sono está situado naquela zona cinza entre o conto longo e a noveleta.</strong> Muito embora abarque um período de mais de dezessete dias da vida da protagonista, tem menos de cem páginas, descontadas as suas ilustrações. <em><strong>É uma leitura rápida e uma excelente “porta de entrada” para quem nunca teve contato com a prosa limpa de Murakami.</strong></em></p>
<p>Não sabemos o nome da protagonista, embora ela mesmo nos narre o que ocorreu a partir do momento no qual perdeu a capacidade de dormir. Certa noite, acorda de um pesadelo sentindo uma presença no quarto. Um velho magro de agasalho preto, segurando algo em sua mão.</p>
<p>Era um regador. O velho ao pé da cama segurava um regador. Um regador antigo de cerâmica. Um tempo depois, ele o ergueu e começou a jogar água nos meus pés. Mas eles não sentiam a água. Eu a via caindo sobre os meus pés. Escutava seu barulho. Mas os pés não sentiam nada. (página 35)</p>
<p>Assustada, desce para a sala, acha uma garrafa de Rémy Martin e serve-se de um copo – inaugurando um hábito que não possuía – e começa a ler Anna Karenina , de Liev Tolstói. A partir daquela noite, não volta a dormir.</p>
<p>Sua vida adquire toda uma nova dimensão. Esposa e mãe, passa a viver uma vida de segredos assim que o marido e o filho adormecem. No início, alarma-se com a ausência de sono, mas depois de alguns dias acostuma-se à sua nova condição. Enquanto permanece em vigília, seu marido dorme de forma profunda e imperturbável. O contraste acaba levando-a a questionar as diferenças entre os dois e o sentido da sua própria vida, que se resume a cuidar da casa e do filho, sem outras ocupações intelectuais ou profissionais. Muito embora esteja com apenas trinta anos, passa a sofrer de uma crise de meia-idade, encarando o vazio da sua rotina.</p>
<p>Eu escrevia um diário, mas se eu esquecesse de escrevê-lo dois ou três dias já não sabia mais diferenciar um dia o outro. Se trocasse o ontem pelo anteontem, não fazia diferença alguma. (página 28)</p>
<p><strong>Sono é uma história de indefinições e sutilezas. Não sabemos o motivo pelo qual deixou de dormir.</strong> Ou porque isso não a afeta fisicamente. Pequenos gestos, corriqueiros na aparência, têm grandes significados. <em>Há um ar de ameaça subentendido no texto</em>, mas que não conseguimos, efetivamente, definir. A certa altura, o próprio leitor parece estar sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo com aquela história. Um pesadelo do qual não consegue acordar ou parar ler.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sono-ilustração-1.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-15436" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sono-ilustração-1.jpg" alt="Sono ilustração 1" width="300" height="422" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sono-ilustração-1.jpg 564w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sono-ilustração-1-213x300.jpg 213w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sono-ilustração-1-300x422.jpg 300w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p><em><strong>É interessante como a escrita objetiva de Murakami contrasta com a simbologia e o misticismo da sua obra.</strong></em> Não há explicações únicas ou fáceis e, mesmo o final, que obviamente não revelarei, apresenta-se como um desafio para o leitor.</p>
<p>Não posso deixar de fazer uma menção à primorosa edição da Alfaguara, que tem tradução direta do japonês por Lica Hadshimoto. A capa dura, o título e ilustração em relevo, marcados por tinta prata metalizada e reflexiva, as belas e psicodélicas ilustrações de Kat Menschik, a gramatura do papel e a fonte utilizados transformam o livro em um objeto de arte. Exatamente por edições com esse cuidado e beleza, creio que livro impresso nunca será extinto pelo livro digital, mesmo considerando as praticidades do último.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><em>Murakami é mais do que uma indicação. É uma leitura necessária para quem pretende ter um panorama ampla da literatura contemporânea.</em></span></p>
<p>Divirtam-se.</p>
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		<title>A nona configuração &#124; Crítica</title>
		<link>https://u42.com.br/a-nona-configuracao-critica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jul 2017 01:31:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eu tinha cerca de doze anos e morávamos em Porto Alegre quando meu pai me levou em uma viagem para o interior de São Paulo. Ele viajava a trabalho e eu o acompanhei. De quebra, voei pela primeira vez. Na ida, comprei O exorcista, de William Peter Blatty, em uma banca. Uma edição barata, capa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="NormalPJe">Eu tinha cerca de doze anos e morávamos em Porto Alegre quando meu pai me levou em uma viagem para o interior de São Paulo. Ele viajava a trabalho e eu o acompanhei. De quebra, voei pela primeira vez. Na ida, <strong>comprei <i>O</i> <i>exorcista</i>, de<i> </i>William Peter Blatty,</strong> em uma banca. Uma edição barata, capa mole com uma foto do filme e o interior em papel jornal. Virei aquela noite no hotel lendo, apavorado. Tenho o livro até hoje.</p>
<p class="NormalPJe"><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-14757" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1.jpg" alt="A Nona Configuração 1" width="412" height="600" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1.jpg 1099w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1-206x300.jpg 206w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1-703x1024.jpg 703w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/07/A-Nona-Configuração-1-300x436.jpg 300w" sizes="(max-width: 412px) 100vw, 412px" /></a>Quando <strong>vi na livraria a edição em português de <i>A nona configuração</i>, lançado pela Editora Agir,</strong> foi compreensível que minha memória afetiva fosse despertada. Comprei o livro ele acabou passando na frente de todos os outros na minha (longa) lista de leitura.</p>
<p class="NormalPJe">William escreveu e publicou a ideia da trama, pela primeira vez, em 1966, sob o título de <i>Twinkle, Twinkle, &#8220;Killer&#8221; Kane!</i>.<b><i> </i></b>Como explica em uma nota no início de <i>A nona configuração</i>:</p>
<blockquote>
<p class="CitaoPJe"><em>O conceito básico foi, certamente, o melhor que já criei; mas o publicado, sem dúvida, não foi mais do que as anotações para um romance: alguns esboços, sem forma, sem acabamento, que careciam até de uma trama.</em></p>
</blockquote>
<p class="NormalPJe">Assim, não satisfeito, retornou à história e relançou-a em 1978, com o novo título [em inglês:<i>The ninth configuration</i>]. Curiosamente, em 1999 revelou no livro <i>The exorcist: Out of the shadows</i>, de Bob McCabe, que, embora a prosa da segunda versão tivesse sido mais “finamente trabalhada” (“finely crafted”), preferia a primeira versão, mais “engrada e selvagem” (“funnier and wilder”).</p>
<p class="NormalPJe"><em><strong>O cenário é um clássico. Uma mansão gótica, localizada em meio a uma floresta no estado de Washington, chamada de “Centro Dezoito”. Nela, a Marinha dos Estados Unidos internou um conjunto de militares, subitamente acometido por alguma misteriosa síndrome de loucura.</strong></em> O centro fazia parte do “Projeto Freud”, uma rede de retiros criados para o estudo e tratamento de militares acometidos do mesmo problema. Os centros serviam, também, para retirar os pacientes dos olhos da opinião pública, sensível a qualquer fato envolvendo o exército durante o conturbado período da Guerra do Vietnã.</p>
<p class="NormalPJe">Cada um dos vinte e sete pacientes possui o seu próprio conjunto de sintomas e comportamentos. Todos são “funcionais”, ou seja, agem e interagem, embora apresentem certas manifestações que misturam fobias, psicoses, esquizofrenias e assim por diante.</p>
<p class="NormalPJe"><strong>A figura central do livro é o Coronel Kane</strong>, que chega ao Centro Dezoito no início do livro, como o novo psiquiatra encarregado de diagnosticar e tratar o peculiar grupo de pacientes. O psiquiatra possui uma estranha linha de ação, que conquista, aos poucos, a confiança dos dementes. Entre eles, o capitão Billy Thomas Cutshaw, um ex-astronauta que manifestou os sintomas durante a contagem do seu lançamento em direção à lua. O coronel Richard Fell, que atua como médico do Centro Dezoito, completa o trio que dá o suporte principal à narrativa.</p>
<p class="NormalPJe"><span lang="X-NONE">Grande parte da história se desenrola nas (inspiradas) conversas entre Cutshaw, que exerce uma espécie de liderança entre os demais pacientes, e</span> o<span lang="X-NONE"> Coronel Kane </span>acerca de questões existenciais e matafísicas, como a existência de Deus. Paralelamente, há a <span lang="X-NONE">descoberta dos segredos do personagem principal.</span></p>
<p class="NormalPJe"><strong>O principal problema de <i>A nona configuração</i> não é o livro em si, mas a expectativa criada no leitor pela forma como a sua história é anunciada e vendida</strong>. Embora nada seja dito de forma explícita, sua capa, contracapa, sinopse e orelha, além do <i>background</i> do autor levam a crer que o livro narra uma história de horror, terror ou suspense. É contudo, um drama, que apenas tangencia o suspense. No correr da leitura, que é rápida (apenas 115 páginas), senti uma pequena frustração não pelo texto, mas por pensar que fui sutilmente sugestionado quando o comprei.</p>
<p class="NormalPJe">A história foi levada as telas em 1980 pelo próprio William Peter Blatty, que escreveu, dirigiu e produziu o filme, depois de o roteiro ser recusado pelos grandes estúdios. Embora o filme não tenha sido um sucesso comercial, ganhou a indicação de melhor filme para o Globo De Ouro do ano de 1981.</p>
<p class="NormalPJe"><i>A nona configuração</i>, em conclusão, é um bom drama sobre os efeitos da guerra, escrito quando as feridas do conflito no Vietnã ainda estavam abertas e expostas. Possui ótimos personagens, uma história imaginativa e grandes diálogos, que conduzem o leitor por um caminho que flerta com a filosofia até o surpreendente final.</p>
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		<title>Marcas da Guerra: A literatura e o universo de Star Wars</title>
		<link>https://u42.com.br/marcas-da-guerra-a-literatura-e-o-universo-de-star-wars/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jun 2017 02:38:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando o primeiro filme de Star Wars foi lançado, em 1977, eu tinha três anos de idade. Vivíamos em um mundo diferente. Não existia a Internet. Computadores pessoais acessíveis à população eram ficção científica. A ditadura mandava e Chico cantava “apesar de você”. Desde esse mundo remoto, que se afunda no passado, eu me recordo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o primeiro filme de <em>Star Wars</em> foi lançado, em 1977, eu tinha três anos de idade. Vivíamos em um mundo diferente. Não existia a Internet. Computadores pessoais acessíveis à população eram ficção científica. A ditadura mandava e Chico cantava “apesar de você”.</p>
<p>Desde esse mundo remoto, que se afunda no passado, eu me recordo de ver em brinquedos e algumas revistas, o logotipo <em>Star Wars</em>. E ele sempre me fascinou. Mesmo antes de eu sequer imaginar como era o primeiro filme.</p>
<p>De certa forma, eu cresci junto com esse fenômeno da cultura <em>pop</em> e, em nenhuma fase da minha vida, mesmo agora em que estou (um pouco) mais velho e (muito mais) amargo, a franquia deixou de me atrair.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Star_Wars_Darth_vader_3.jpg" target="_blank"><img decoding="async" class="wp-image-433 aligncenter" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Star_Wars_Darth_vader_3.jpg" alt="Star_Wars_Darth_vader_3" width="700" height="525" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Star_Wars_Darth_vader_3.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Star_Wars_Darth_vader_3-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></p>
<p>Apesar de todo o meu interesse, com exceção de algumas poucas revistas, nunca me despertou a atenção a extensa literatura que se produziu no universo criado por George Lucas. Em primeiro lugar, porque duvidava da qualidade do que era produzido, embora alguns livros fossem bem recomendados. Em segundo, porque não havia um controle sobre a coerência e unidade dessa produção. Basicamente, cada autor dava a sua visão para os personagens e criava linhas narrativas e de tempo isoladas e independentes. Assim, por exemplo, se um livro lhe contasse o casamento de Princesa Diana com o Han Solo depois do <em>Retorno de Jedi</em>, o próximo poderia descrever que o contrabandista era, em verdade, apaixonado pelo Chewbacca.</p>
<p>As coisas mudaram com a compra dos direitos pela <em>Walt Disney Company</em>, em 2012. Com a perspectiva da produção em série de nova histórias, foi necessário ocorrer uma centralização no desenvolvimento daquilo que se costumou chamar de “universo expandido” – ou seja, de todas as mídias, desde jogos até desenhos animados, que contam alguma coisa sobre <em>Star Wars</em>.</p>
<p>E o que fazer com tudo aquilo que havia sido produzido anteriormente?</p>
<p>Criaram-se duas categorias: o “cânone” e a “<em>legends</em>”. O cânone é a história oficial. O que “realmente aconteceu” em <em>Star Wars</em>. Todo o mais é <em>legends</em>, ou seja, lendas que foram sussurradas ao redor das fogueiras holográficas por todas as galáxias.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo.jpg" target="_blank"><img decoding="async" class="wp-image-6717 aligncenter" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo.jpg" alt="Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo" width="700" height="182" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo.jpg 1920w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo-300x78.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Star-Wars-7-The-Force-Awakens-Sith-Lightsaber-Photo-1024x266.jpg 1024w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></p>
<p>Arrumada a casa, ouvi a “força” e resolvi dar uma chance para a literatura de <em>Star Wars</em>. O escolhido foi <em>Marcas da Guerra</em>, que atingiu o quarto lugar na lista dos mais vendidos do <em>The New York Times</em> e foi escrito por Chuck Wendig, que tem diversos livros e contos publicados no universo da ficção científica, além produzir RPGs e roteiros.</p>
<p>A primeira coisa que você deve ter em mente quando decide ler essa espécie de livro é exatamente saber que está prestes a ler essa espécie de livro. Confuso? Redundante? Não. <em>Star Wars</em> não é um livro de ficção científica. É um livro de fantasia, que usa elementos de ficção científica. O foco não está na ciência ou na tecnologia. O foco está na história do herói, na sua jornada mítica e nos símbolos que ali são utilizados.</p>
<p>Assim, você deve preparar o seu espírito e suspender a sua descrença. Nada de se importar com o som de explosão no vácuo ou com o fato de todos os planetas terem oxigênio abundante e a mesma força da gravidade. São apenas cenários. Você poderia transportar <em>Star Wars </em>para a idade média, para Terra Média ou para <em>Westeros</em> que, com poucas adaptações, ela permaneceria íntegra.</p>
<p><em><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2015/11/marcas_capa.png" target="_blank"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-9294" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2015/11/marcas_capa.png" alt="marcas_capa" width="348" height="500" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2015/11/marcas_capa.png 529w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2015/11/marcas_capa-208x300.png 208w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2015/11/marcas_capa-300x431.png 300w" sizes="(max-width: 348px) 100vw, 348px" /></a>Marcas da Guerra</em> [em inglês, <em>Star Wars: Aftermath</em>] está situado logo após a destruição segunda Estrela da Morte, ou seja, entre <em>O Retorno de Jedi</em> e <em>O Despertar da Força</em>,e tem como foco personagens laterais à trama principal da família Skywalker. Algo semelhante ao que vimos no filme <em>Rogue One: uma história Star Wars</em>.</p>
<p>No livro, temos a piloto Norra, que participou do ataque à Estrela da Morte, retornando ao seu planeta natal, Akiva, para buscar o filho, Temmim, agora com 16 anos, deixado para trás quando ela se juntou aos rebeldes. O planeta, localizado na orla exterior, a periferia da galáxia, é palco naquele momento de uma reunião secreta com algumas das forças imperiais remanescentes, que tentam se reorganizar depois da derrota e da perda do Imperador Palpatine e de Darth Vader.</p>
<p>Os caminhos de Norra e Temmim se cruzarão com os de Wedge Antilles, o líder vermelho dos esquadrões de x-wing visto em <em>O Retorno de Jedi</em>; de Jas Emari, uma talentosa caçadora de recompensas; de Sinjir Rath Velus, um ex-agente de lealdade do império em crise de identidade (primeiro personagem gay a ser introduzido neste universo); e de Rae Sloane, a almirante do último superdestróier imperial – o Dilacerador –, que pretende liderar as forças restantes do Império.</p>
<p>O ritmo da escrita faz jus às melhores aventuras de <em>Stars Wars</em>. Os eventos se sucedem rapidamente, em capítulos curtos, não deixando o leitor descansar nas 400 páginas do romance. Chuck Wendig revela-se um autor imaginativo ao construir as dezenas de miniaventuras que envolvem os nossos heróis e outros personagens secundários. Algumas das soluções forçam os limites da descrença, mas isso ocorre, também, nos filmes.</p>
<p>Há preocupação em agradar os fãs, distribuindo no texto elementos conhecidos e comuns às histórias anteriores, como <em>stormtroopers </em>burros e frágeis e um robô engraçadinho, o <em>droid</em> de batalha Mister Bones, (re)construído por Temmim e que o protege. Há participações de Mon Mothma, agora como chanceler da Nova República, do almirante Akbar, de Han Solo e Chewbacca, além de <em>flashes</em> do que está ocorrendo em outros mundos, como Tatooine.</p>
<p>Assim como em <em>Rogue One</em>, pretende-se inserir na trama alguma zona cinza, ao invés do bem delineado embate do bem contra o mal existente na filmografia. As motivações dos personagens, tanto os rebeldes quanto os imperiais, são bem construídas e geram a empatia necessária para fazer o leitor torcer pela sobrevivência dos heróis e pela punição dos seus opositores.</p>
<p>Embora possa ser lido como um livro isolado, <em>Marcas da Guerra </em>é o primeiro de uma trilogia, cuja continuidade é dada por <em>Aftermath: Life Debt</em> epor <em>Aftermath: Empire&#8217;s End</em>, ambos ainda sem tradução para o português.</p>
<p>A sensação final é a de diversão, exatamente o que se espera desse tipo de obra. Os fãs da série não se decepcionarão. Vejo, inclusive, a possibilidade de pessoas que tenham predileção por ação e aventura e que não conheçam <em>Star Wars</em> gostarem da leitura.</p>
<p>Pensando bem, não existe quem goste de ação e de aventura e não conheça <em>Star Wars</em>.</p>
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		<title>O problema dos três corpos &#124; Resenha de Livro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2017 23:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O problema dos três corpos atraiu minha atenção por dois motivos. Era escrito por um chinês, Cixin Liu, o que imediatamente o alçava à condição de raridade entre as obras vertidas para a língua de Camões, e foi o ganhador do Prêmio Hugo de 2015. Para quem não conhecesse, o Hugo talvez seja um dos mais plurais e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-3-CIXIN-LIU.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-14263 size-full" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-3-CIXIN-LIU.jpg" alt="O problema dos três corpos 3 - CIXIN LIU" width="500" height="344" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-3-CIXIN-LIU.jpg 500w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-3-CIXIN-LIU-300x206.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a>O problema dos três corpos </em>atraiu minha atenção por dois motivos. Era <em><strong>escrito por um chinês, Cixin Liu, o que imediatamente o alçava à condição de raridade entre as obras vertidas para a língua de Camões, e foi o ganhador do Prêmio Hugo de 2015.</strong></em></p>
<p>Para quem não conhecesse, o Hugo talvez seja <strong>um dos mais plurais e prestigiados prêmios concedidos para obras literárias de ficção científica e fantasia do mundo</strong>. É um selo de qualidade autêntico e que – ainda? – não se deixou dominar pelas exigências de mercado. Dificilmente um romance que o ganhou será ruim. <em>O problema dos três corpos</em> não foi exceção.</p>
<p>O livro abre no ano de 1967, em plena revolução cultural. Ye Wenjie, uma astrofísica, tem a sua vida familiar dilacerada pelos grandes movimentos sociais de Mao Tsé-Tung. <em>Uma sucessão de eventos acaba por levá-la ao confinamento na base da Costa Vermelha, um projeto secreto da China que tentava estabelecer contato com culturas extraterrestres.</em></p>
<p>Depois de um salto de quarenta anos, a história prossegue com Wang Miao, um especialista em nanotecnologia que vive na China contemporânea, chamado para auxiliar um grupo interdisciplinar coordenado pelo exército. Entre outros objetivos, que são gradativamente revelados no correr da trama, procuram desvendar o motivo dos suicídios de três cientistas renomados que aconteceram num período de dois meses. Todos estavam vinculados a<em><strong> um grupo denominado “Fronteiras da Ciência”</strong></em>, no qual Wang se infiltra como um informante.</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-14264" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos.jpg" alt="O problema dos três corpos" width="400" height="574" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos.jpg 1785w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-209x300.jpg 209w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-714x1024.jpg 714w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-300x430.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><strong>A narrativa é rápida</strong>. Wang descobre que o suicídio da última pesquisadora decorreu de puro desespero intelectual. Ela concluiu, com base nos resultados de três aceleradores de partícula recentemente colocados em operação, que todos os modelos teóricos conhecidos em física quântica estariam equivocados. O mundo seria regido pelo caos.</p>
<p>Abalado com as informações que obteve, Wang tenta se descontrair com o seu <em>hobby</em>, a fotografia. Ao revelar suas fotos, entretanto, ele descobre estranhos números em todos os negativos. Faz experimentos com máquinas e filmes diversos, mas eles continuam lá. Nada que Wang conheça sugere uma explicação racional. Os números acabam por se revelar como sendo uma contagem regressiva desesperadora, que migra para sua própria visão. E, nesse ponto, você já está completamente preso ao livro.</p>
<p><em>&#8220;Ao abrir os olhos, viu o teto pouco nítido. Do lado de fora, as luzes da idade lançam um brilho fraco nas cortinas. Porém, teve companhia ao voltar à realidade: a contagem regressiva. Ela ainda pairava diante dos seus olhos. Os números eram finos, mas brilhavam muito, com uma luminosidade intensa. 1180:05:00, 1180:04:59, 1180:04:58, 1180:04:57.&#8221;</em> (Página 291)</p>
<p>A trama continua a se desenrolar de forma rápida, ora com Wang ora com Wenjie, que convergem em suas respectivas linhas cronológicas para o ponto no qual se cruzam.</p>
<p><strong><em>O problema dos três corpos</em> transporta o leitor por meio do contato entre civilizações, da astrofísica, da matemática teórica, da física de partículas, dos jogos de computador, da história da China, de questões políticas e ecológicas &#8230; E tudo isso com a roupagem de um suspense policial.</strong></p>
<p>O sistema solar de Trisolaris, um planeta que desempenha importante papel na história, e seus três astros em movimentos aleatórios, por exemplo, exige alguma capacidade de abstração do leitor para ser compreendido. Outro detalhe interessante é o fato de a história do planeta ser contada por meio da participação de Wang em um <em>game</em> de imersão, com o uso de um traje sensorial, lembrando (na verdade, antecipando) <strong>algumas concepções que Ernest Cline trabalhou no livro <em>Jogador n°1</em></strong>.</p>
<p>&#8220;<em>O projeto Sófon, basicamente, [&#8230;] visa transformar um próton em um computador superinteligente [&#8230;] Eu sei que os físicos já são capazes de manipular nove das onze dimensões da escala micro, mas ainda não fazemos ideia de como seria possível enfiar pinças em um próton e construir circuitos integrados de larga escala. — É claro que isso é impossível. [&#8230;] Por isso, precisamos abrir um próton em duas dimensões. — [&#8230;] De que tamanho vai ser essa área? — Muito grande, como vocês verão.</em>&#8221; [Página 291]</p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-2.jpg" target="_blank"><img decoding="async" class="wp-image-14265 aligncenter" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-2.jpg" alt="O problema dos três corpos 2" width="650" height="366" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-2.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/06/O-problema-dos-três-corpos-2-300x168.jpg 300w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></a></p>
<p>Pesquisando sobre a história do livro, fiquei impressionado com o fato de ele ter sido <strong>originalmente publicado, na China, em 2006</strong>. Ganhou diversos prêmios no mercado asiático, mas foi traduzido para o inglês quase dez anos depois. Ainda assim, a solidez, originalidade e complexidade das suas ideais e temas garantem não só que permaneça como um livro atual, mas, também, em vários sentidos, um livro que se coloca à frente dos seus congêneres. Está sendo, inclusive, adaptado para as telas, devendo o filme ser lançado no correr deste ano.</p>
<p>Nem tudo, no entanto, são elogios.</p>
<p><strong>Falta alguma profundidade aos personagens</strong>. Com exceção de Wenjie, eles se revelam estereotipados, sem espontaneidade ou camadas.</p>
<p>A narrativa, em alguns pontos, é truncada ou apressada demais. Talvez, parte deste problema decorra da tradução primeiro para o inglês (por Ken Liu, também um autor de ficção) e, depois, para o português, processo que certamente não ocorre sem cicatrizes no texto.</p>
<p>A profusão de temas deveria ter sido desenvolvida com mais vagar. As 316 páginas da minha edição revelam-se apertadas para o conteúdo. Parece, contudo, que Cixin Liu não tem escassez de criatividade. <em>O problema dos três corpos</em> faz parte de uma trilogia: “Remembrance of Earth’s Past” [Lembranças do passado da Terra], em tradução livre. Os livros dois e três, <em>The Dark Forest</em> e <em>Death’s End</em>, ainda não foram lançados no Brasil.</p>
<p><strong>A leitura, finalizo, é um deleite para quem gosta de inventividade e solidez em ficção científica.</strong> Inclui-se no grupo? Então anote na sua lista.</p>
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		<title>Caixa de Pássaros: a ignorância é uma benção? &#124; Crítica do livro</title>
		<link>https://u42.com.br/caixa-de-passaros-a-ignorancia-e-uma-bencao-critica-do-livro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Nonohay]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2017 00:27:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma epidemia mundial de insanidade. Cenas de uma violência enlouquecida, cometida por pessoas normais e sem razão aparente, alastram-se pelos noticiários e pelas redes sociais. Desconhecidos cometem homicídios sangrentos, agem como canibais e se suicidam. Mães assassinam filhos. Amigos matam amigos. Teorias são criadas. Formam-se grupos, de acordo com as crenças, sobre o que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Há uma epidemia mundial de insanidade.</strong> Cenas de uma violência enlouquecida, cometida por pessoas normais e sem razão aparente, alastram-se pelos noticiários e pelas redes sociais. Desconhecidos cometem homicídios sangrentos, agem como canibais e se suicidam. Mães assassinam filhos. Amigos matam amigos. Teorias são criadas. Formam-se grupos, de acordo com as crenças, sobre o que está acontecendo. Muitos negam a existência do problema e o atribuem à uma histeria coletiva, decorrente de uma imaginária ligação entre histórias desconexas de violência. <em><strong>O mundo que conhecemos começa a se desintegrar.</strong></em></p>
<p><a href="http://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Caixa-de-Pássaros-1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-13803" src="https://novonerd.xpg.uol.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Caixa-de-Pássaros-1.jpg" alt="Caixa de Pássaros 1" width="346" height="500" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Caixa-de-Pássaros-1.jpg 692w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Caixa-de-Pássaros-1-207x300.jpg 207w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Caixa-de-Pássaros-1-300x433.jpg 300w" sizes="(max-width: 346px) 100vw, 346px" /></a>Esse é o cenário caótico que <strong>Josh Malerman</strong> cria em seu livro de estreia. Com uma prosa seca, curta e direta, narrada em terceira pessoa, <em>acompanhamos Malorie, a personagem principal, na qual quase todas as cenas do livro são centradas.</em> Ela descobre uma gravidez inesperada quando as notícias sobre os incidentes ainda eram incipientes e confusas. Mora com a irmã, Shannon, que a mantém informada sobre todas as notícias e teorias que correm pela Internet.</p>
<p>Em determinado momento, essas teorias convergem para um ponto: seja o que for que provoca a loucura sanguinária, age por meio da visão. Assim, se você mantiver os olhos fechados, estará a salvo. <strong>Há ecos d’A alegoria da caverna, de Platão. A ignorância é a sua proteção.</strong></p>
<p>Existe uma teoria bem disseminada segundo a qual, seja lá qual for “<em>O Problema</em>”, ele sem dúvida começa quando uma pessoa vê alguma coisa.</p>
<p>Essa é a grande ideia do livro. Ele <strong>trabalha com o nosso medo do escuro.</strong> Um terror instintivo, eco da nossa mente primordial. Algo que nos acompanha desde as reuniões ao redor da fogueira, quando caçávamos piolhos dos outros membros do nosso bando. Os personagens não sabem o que os ronda. Não sabem a sua cor, o seu tamanho ou a sua aparência. <em><strong>Apenas sabem que esse algo (maligno?) está lá e que vai enlouquecê-los, se não resistirem a dar uma simples olhadela.</strong></em></p>
<p>“O Problema” toma conta do país e Malorie, ainda grávida, depois de adversidades que omitirei para evitar spoilers, acaba por encontrar abrigo em uma casa com cinco pessoas. Quatro homens e uma mulher desconhecidos entre si, afastados das suas famílias e que passam a conviver em um ambiente totalmente claustrofóbico, onde apenas um olhar para a rua pode significar a morte de todos.</p>
<p>Os capítulos avançam e retornam na cronologia sem que a narrativa fique confusa. <strong>Josh Malerman, que também é vocalista da banda de rock The High Strung, não perde tempo com explicações que não interessam à trama.</strong> O texto não tem gorduras. A leitura flui rápida e prazerosa. <strong>A descrição crua das cenas concede mais impacto aos relatos.</strong></p>
<p>A porta lateral está trancada. Ao encontrar uma única janela, Jules a quebra. Diz a Tom que está protegida. Papelão. É pequena, mas um deles deve conseguir entrar. Jules diz que entrará.</p>
<p>Em uma sociedade desintegrada, outras pessoas buscam refúgio na casa, o que acaba por tornar instável o delicado equilíbrio de convivência e conduz a história para o seu final.</p>
<p>É aqui <strong>o maior pecado do livro. Josh confunde a dinâmica que desejou (e conseguiu) dar ao texto com a dinâmica da história em si.</strong> O curso da narrativa acaba por ser abreviado, o que impede um desenlace satisfatório das questões que propôs no correr do livro e de personagens que foram importantes para a trama, deixando uma sensação de incompletude no leitor. O destino da personagem principal&#8230; não falarei, obviamente, mas não está à altura do restante do livro.</p>
<p>Consideradas as suas qualidades e defeitos, Caixa de Pássaros é um livro que <strong>indico para quem gosta de leituras ágeis, de suspense, terror e luta pela sobrevivência em mundos apocalípticos.</strong></p>
<p><iframe loading="lazy" width="838" height="471" src="https://www.youtube.com/embed/EcQRVG7LcvQ?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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