A Única Sobrevivente traz para as telas a história do trágico fim do voo An-24, que deixou dezenas de mortos, exceto Larisa, a única sobrevivente. Ofertando drama, adrenalina e provocando ansiedade através de um filtro quase sépia, a produção russa convida o espectador a retornar ao ano de 1981.

Mergulhar em uma obra cinematográfica que não seja americana é sempre uma experiência singular. A Única Sobrevivente nos puxa para além do entretenimento. Ainda que não propositalmente, o filme oferece fragmentos de cultura e contexto histórico, e isso apenas em um primeiro olhar.
A obra se desdobra em múltiplas camadas. Vai muito além do clichê do romance interrompido por uma tragédia. Com uma narrativa bem amarrada e uma construção de enredo eficaz, o filme aborda a influência e o peso do poder governamental, revelando os mecanismos internos de um sistema que ultrapassa os limites do respeito e da dignidade humana. Não se trata de mais uma história sobre a Guerra Fria ou jogos de poder, mas sim de uma análise do comportamento do governo local diante de seus cidadãos.
Ainda que não possua os efeitos visuais grandiosos que o cinema hollywoodiano costuma oferecer, A Única Sobrevivente entrega tensão, emoção e agonia. Tudo muda quando o espectador se dá conta de que se trata de um relato baseado em fatos reais. Partindo do pressuposto de que a narrativa é contada sob a perspectiva da própria sobrevivente, Larisa, o filme deixa de ser apenas assistido para ser vivido.
Apesar de não ser uma obra que se propõe a levantar bandeiras ideológicas, é difícil não gerar opiniões sobre a atuação do governo russo no caso. A trama gira em torno do acidente, da resistência e da força de Larisa para sobreviver no meio da floresta, enfrentando condições climáticas extremas e ferimentos graves.
The One (título internacional) flerta com o drama de sobrevivência, mas evita a armadilha da romantização. O filme oferece breves momentos de leveza, mas nunca de conforto. Tudo é incômodo, real e cru.
Se você é fã de filmes com pegada realista e documental, assistir A Única Sobrevivente é uma parada obrigatória.
Posts Relacionados:
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda – A continuação que supera o original | CRÍTICA
Drácula: Uma História de Amor Eterno mostra amor eterno em carne, sangue e saudade | CRÍTICA
A Melhor Mãe do Mundo entrega mais uma obra nacional forte e comovente | CRÍTICA
Não esquece de seguir o Universo 42 nas redes sociais:
