A Rede Social: 10 anos depois

“Você não é um babaca Mark, mas se esforça para ser”

“Na internet não se escreve a lápis, mas a tinta”. Um grande roteiro é constituído por diversas camadas como construção de personagens, grandes diálogos e uma grande história.

A Rede Social é tudo isso e muito mais: a história sobre a criação do Facebook, lançada nos cinemas em 2010, parecia algo específico daquela época e que ficaria datado logo e por se tratar de um filme com um elenco majoritariamente jovem, muitos torceram o nariz e classificaram este como “mais um filme adolescente”.

Felizmente todos estavam errados: A Rede Social é um filme maduro, com diálogos rápidos, inteligentes e imparcial, o que não é fácil considerando esta pessoa tão polêmica chamada Mark Zuckerberg e uma discussão que temos até hoje sobre ele ter passado a perna nos seus amigos para chegar onde chegou ou não.

E jamais podemos chamar o filme de datado, muito pelo contrário, é dos filmes que mais envelheceram bem no cinema recente e se na época o conceito de redes sociais estava engatinhando, hoje são elas que ditam as modas e costumes do mundo, podendo até definir o resultado de uma eleição, por exemplo.

Sem contar que este é dos melhores filmes de David Fincher em uma carreira gloriosa com obras primas como Seven e Clube da Luta, ousado e incrivelmente bem feito, este filme compôs a excelente safra de 2010 para o Oscar 2011, com obras que até hoje são aclamadas como A Origem, Toy Story 3 ou Cisne Negro, mas que o Oscar resolveu seguir a “cartilha” e premiou o apenas correto O Discurso do Rei.

Mas premiações a parte, A Rede Social é baseado no livro Bilionários Por Acaso e conta a história da criação do Facebook no início dos anos 2000, mostrando tudo que levou o jovem Mark Zuckerberg, então estudante de Harvard, a criar uma das empresas mais rentáveis do mundo.

O filme já começa com tudo: logo na cena de abertura, Mark (vivido aqui por Jesse Eisenberg) discute com sua namorada, Erica Albright (Rooney Mara) e levando um fora. A cena é excelente por diversos motivos: é tensa, instigante e já mostra o psicológico dos personagens, principalmente de Mark, apresentado aqui como um jovem brilhante e focado, mas arrogante e de difícil convivência.

Depois somos apresentados ao que seria o embrião do Facebook, o Facemash, que avaliava as moças da faculdade no que diz à beleza das garotas.

A ideia é absurda até para a época, mas que inspirou Mark a criar uma plataforma onde as pessoas possam conversar e interagir com quem conhece – e conhecer novas pessoas.

Assim começou a surgir o que hoje chamamos de Facebook.

A forma como a história é conduzida é genial: a montagem intercala os momentos da faculdade com as cenas de tribunal, onde seus então amigos processaram Mark. Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss (ambos interpretados por Armie Hammer, em um primoroso trabalho de computação gráfica) disseram que Zuckerberg roubou sua ideia de rede social.

Já com o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, ótimo no papel) a coisa foi ainda pior: os dois eram os melhores amigos e foi o algoritmo do Saverin que fez com que o Facebook fosse ao ar, mas ele foi passado para trás após a empresa começar a virar global e com a presença megalomaníaca de Sean Parker (o criador do Napster, vivido por Justin Timberlake), o brasileiro foi ficando para trás e quase caiu numa cilada que Eduardo conseguiu ver a tempo.

Na verdade segundo o filme e o livro, Mark até mantinha certo respeito por Saverin, mas após a presença de Sean Parker, que embora tenha ajudado o Facebook a virar a empresa gigante que é hoje, foi deixando Eduardo cada vez mais como coadjuvante até o rompimento total.

Este é o típico filme que o espectador já sabe como vai terminar, mas assim como muita coisa na vida, é a jornada que importa e em se tratando de uma obra tão poderosa arquitetada por David Fincher, vale cada revisada.

O filme venceu 3 Oscar: Melhor Roteiro Adaptado para Aaron Sorkin, Montagem e Trilha Sonora. Prêmios muito merecidos, mas que para Fincher parecia mais como “prêmios de consolação”. A vitória de O Discurso do Rei até hoje é considerada das maiores injustiças do Oscar e fica fácil adivinhar porque o filme saiu vitorioso, quando vemos que quem o produziu foi a Weinstein Company.

A Rede Social é um filme tão à frente do seu tempo, tão intenso e poderoso que assustou muita gente, inclusive os votantes do Oscar. Mas não faz mal, a vida é assim mesmo.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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