A Longa Marcha: distopia de Stephen King impacta com brutalidade e reflexão | CRÍTICA

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é baseado no livro homônimo escrito por Stephen King, trazendo para as telas uma grande história distópica da carreira do autor. Francis Lawrence ficou à cargo desta adaptação, ele que comandou a maior parte da franquia de Jogos Vorazes no cinema. Isso inevitavelmente reforça comparações entre as duas obras.

Embora Suzanne Collins (autora de Jogos Vorazes) nunca tenha confirmado inspiração direta em Stephen King, muitos críticos e leitores notam semelhanças entre as narrativas. Ambas exploram competições mortais impostas por regimes autoritários, com jovens enfrentando escolhas extremas em busca da sobrevivência e de uma vida melhor.

O TERROR DA VIDA REAL

O maior terror de A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é justamente o quão verossímil tudo parece. Não há monstros, fantasmas ou bruxas. O medo se instala na autoridade fria, na exaustão, em um mundo distópico extremamente cruel e sem grandes perspectivas.

A trama se desenrola em um regime totalitário que organiza uma competição anual brutal: cinquenta jovens (no romance são cem) entram em uma marcha sem parar, enfrentando privação extrema de sono e comida. As regras são brutais: o participante que não mantiver a velocidade mínima recebe advertências, e, ao acumular três em um curto período de tempo, os soldados o executam. E tudo é televisionado!

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

ELENCO COM GRANDES PROMESSAS

Na história, começamos acompanhando Ray Garraty, vivido por Cooper Hoffman, filho do saudoso Philip Seymour Hoffman. Diferente de muitos outros, Ray não está nessa competição apenas pelo prêmio, mas por um motivo ainda maior. Ao longo da marcha, ele e seus companheiros enfrentam um desgaste físico extremo e uma pressão psicológica sufocante: se os corpos não cederem primeiro, as mentes certamente irão.

Um a um, os concorrentes são exterminados até restar apenas um sobrevivente, recompensado com uma grande soma em dinheiro e o direito de ter um desejo realizado. Mas, diante de tanto horror, será que realmente podemos chamar esse último participante de vitorioso?

Além de Cooper, o elenco reúne jovens talentos que ajudam a dar peso emocional à jornada. Entre eles estão o segundo protagonista vivido pelo David Jonsson (de Alien: Romulus), Ben Wang (de Karatê Kid: Lendas), Roman Griffin Davis (de Jojo Rabbit) e Charlie Plummer (de O Retorno). Cada um deles traz camadas distintas para seus personagens, seja na forma de amizade, de rivalidade ou simplesmente de resistência. Dos adultos, destaques para Mark Hamill e Judy Greer.

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

E O ROTEIRO?

JT Mollner (de Desconhecidos) assina o roteiro de A Longa Marcha: Caminhe ou Morra. Embora a trama seja consistente e tenha momentos de forte tensão, há partes que poderiam ter funcionado melhor. O elenco mencionado acima possui química, com momentos de cumplicidade e de tragédia. No entanto, um background destes personagens com mais detalhes traria um impacto maior de suas mortes.

A narrativa também não chega a ser previsível, mas no último ato a escolha de um determinado personagem é mais do que óbvia. Não que isso também estrague a experiência, porém não sentimos esta ruptura em toda a sua plenitude.

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

O QUE NÃO FUNCIONOU TÃO BEM

Além disso, mesmo com o filme conseguindo transmitir a tensão e o desespero da marcha, os soldados acabam se mostrando extremamente unilaterais, especialmente o Major, interpretado por Mark Hamill. Embora ele represente o autoritarismo de forma clara e intensa, a construção do personagem poderia ter sido mais complexa, conferindo mais nuances e tornando sua presença mais envolvente a até mesmo mais ameaçadora dentro da narrativa.

Algumas desistências e fuzilamentos no longa ainda podem gerar certa decepção. É compreensível que esta super maratona exauste e quebre mentalmente seus participantes. Todavia, algumas mortes ainda parecem um tanto aleatórias. O que é um desafio para a produção, que precisa lidar com diversos óbitos sem se tornar repetitiva ou previsível.

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

E O QUE FUNCIONOU BEM

Uma dos maiores questões de A Longa Marcha: Caminhe ou Morra foi tornar cinematográfica uma narrativa onde um grupo de pessoas simplesmente anda. E, nesse sentido, o resultado é um dos pontos mais positivos da produção.

Exploram-se as paisagens do interior de forma marcante e ficamos imersos no cenário social devastado. Este de fato é um país abalado pela guerra e pelo colapso econômico. A pobreza está espalhada por todos os lados, reforçando a tensão e a sensação de desespero que permeia toda a competição.

Além disso, o filme consegue não se tornar repetitivo, apresentando um desenvolvimento consistente ao longo da narrativa. E perdão ao trocadilho, mas é possível afirmar que se trata de uma produção com bom ritmo, capaz de manter a atenção do espectador do início ao fim.

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

PARA MAIORES DE 18

O longa apresenta uma violência gráfica, um aspecto que merece aviso ao espectador. No entanto, esse recurso se mostra coerente com a narrativa e casa bem com a denúncia que a produção pretende fazer, reforçando o impacto da história e a sensação de horror realista vivida pelos personagens. Outro ponto positivo da obra é que essa brutalidade não é repetida a todo momento, sem sobrecarregar a audiência.

VALE A PENA ENTÃO CONFERIR?

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra chega aos cinemas em 18 de setembro, oferecendo uma experiência intensa e angustiante. Um círculo da violência que parece nunca terminar, refletindo a brutalidade sistêmica imposta aos jovens participantes.

Apesar de algumas escolhas narrativas, a combinação de ritmo consistente, paisagens marcantes e construção intensa dos conflitos e relações entre os personagens faz desta adaptação uma obra que prende e provoca reflexão, consolidando-se como uma experiência cinematográfica que ficará em seus pensamentos.

Universo 42 - A Longa Marcha crítica

PS: Stephen King escreveu A Longa Marcha aos 19 anos, embora o livro só tenha sido publicado em 1979 sob o pseudônimo de Richard Bachman.

Outro PS: Esta é a segunda produção baseada em uma obra dele deste ano que o Mark Hamill participa. A primeira dela foi A Vida de Chuck.

Mais um PS: David Jonsson tem 32 anos, mas ele se passa bem por um jovem, certo?

Posts Relacionados:

A Grande Viagem Da Sua Vida é uma viagem ao seu interior emocional | CRÍTICA

Invocação do Mal 4 tem final morno para a franquia | CRÍTICA

A Vida de Chuck é o filme mais sensível já adaptado de Stephen King | CRÍTICA

Não esquece de seguir o Universo 42 nas redes sociais:

Instagram YouTube Facebook

Nerd: Verônica "Vevê" Cysneiros

🎬📺🎸 Cinéfila de carteirinha (vejo tantos filmes que às vezes esqueço como funciona a vida real), maratonista de séries (minha lista de “vou assistir depois” já tem títulos suficientes para outra vida.), apaixonada por animações (aguardando minha carta de admissão para algum universo mágico) e movida a rock n' roll (rockeira na alma, mas sem talento musical, só no air guitar), compartilho tudo o que faz meu coração geek bater mais forte. Pega a pipoca e vem comigo meus Preferidos!

Share This Post On