Não é de hoje que a indústria brasileira de cinema investe no público jovem, ou young adult para quem preferir, sobretudo com o sucesso das grandes franquias literárias de Hollywood e até mesmo de alguns produtos brasileiros, como as novelas do SBT e os livros da Thalita Rebouças. E a A Garota Invisível surfa nessa onda.
Ok, as novelas da emissora de Silvio Santos são consideradas para o público infantil, mas as pessoas crescem e os ídolos continuam, como a Maísa e Larissa Manoela, muito identificadas com as crianças, mas que hoje são mais conhecidas pelos jovens.
E é justamente este caminho que está tomando a também estrela Sophia Valverde, que ainda é identificada com o público infantil, com as novelas Chiquititas e principalmente As Aventuras de Poliana, mas que já começa a tomar outros rumos da carreira.
A indústria brasileira também percebeu isso e não perdeu tempo em escalar a atriz no filme A Garota Invisível.
Não é exagero dizer que Sophia foi a escolha perfeita. Carismática, engajada nas redes sociais e boa atriz, não seria difícil imaginar ela como uma moça na adolescência que é muito inteligente e simpática, mas que não é percebida pelos colegas e muito menos por seu crush, se sentindo “invisível” em seu mundo.
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Seu único refúgio é o seu amigo Téo (Matheus Ueta, o Kokimoto de Carrossel), o típico geek que passa o tempo nos jogos eletrônicos, não tem jeito com as garotas, mas tem uma queda pela Ariana, personagem da Sophia.
Ariana, por sua vez, tem uma queda pelo Khaleb (Guilherme Brumatti), o galã da escola, mas que namora a popular youtuber Diana (Mharessa Fernanda).
Este quarteto amoroso se complica ainda mais quando o namoro entre Khaleb e Diana acaba, eles ficam de recuperação e o moço pede a ajuda de Ariana, que é muito inteligente.
Quem é mais exigente ou é relutante com o cinema brasileiro pode achar este filme tolo ou desnecessário, mas ele possui uma fórmula irresistível para o público adolescente: é um filme que fala com a linguagem da internet, das mídias sociais e o mais importante, é envolvente.
A história da megera arrogante que quer separar um casal não é nova, mas pode ser renovada de acordo com a conotação em que o mundo vive.
Quando ao, digamos, casal principal, quem nunca se sentiu invisível ou impotente no ambiente escolar com a pressão de ser aceito? Ou quem nunca se apaixonou sem nunca poder dizer à pessoa amada? São dilemas típicos adolescentes, mas que acontecem demais com os adultos.
E o diretor Maurício Eça sabe lidar com o ego e hormônios de seu público. Aliás, ele também cresceu junto com o seu público. Ele veio do sucesso dos dois filmes de Carrossel em 2015 e 2016, mas agora chega com este produto e logo será visto nas adaptações do caso Suzane Von Richthofen, O Menino Que Matou Meus Pais e A Menina Que Matou os Pais.
Mas o filme não é perfeito, aliás, longe disso. De fato, ele chega a ser tolo para os maiores em alguns momentos e não dá para esperar grandes atuações deste elenco, embora seja muito carismático.
E não é desculpa pela faixa etária, pois filmes como Clube dos Cinco e As Vantagens de Ser Invisível têm o elenco majoritariamente jovem e todos estão ótimos. E nem vamos falar sobre o elenco de Harry Potter e Stranger Things.
Até a montagem do filme é problemática, pois em um filme tão simples e direto ao ponto não precisava “esconder” seu ouro eu cenas que confundem o espectador, como o encontro entre Ariana e Khaleb, que jamais é mostrado ou a mãe da protagonista, que ficou só na sugestão, como em Muppets Baby. Nem todos são o “Tubarão” para esconder o monstro.
Sem contar os estereótipos que já ficaram batidos há muito tempo, sobretudo no tratamento dos personagens mais “nerds” e a personagem Paty (Bia Jordão), que é lenta para entender as coisas, mas o roteiro faz questão de destratar a personagem a cada cena da atriz.
A Garota Invisível é um bom passatempo, que promete agradar seu público e até faz refletir. Tem uma atriz carismática como protagonista e pode marcar a adolescência de muitos.
Qual será a próxima onda?
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